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O dia começa quase sempre com uma leve dor de cabeça, que vai e vem. Às vezes até se esquece dela. Mas se não a conseguir travar a tempo, a única solução é fechar-se num quarto escuro e em silêncio. Mara Dionísio foi aprendendo a lidar com a sua condição, mas quando era mais nova as crises eram tão fortes que ficava de cama e era obrigada a faltar à escola. Tentou tudo o que estava ao seu alcance para acabar com as enxaquecas, mas sem sucesso. Agora, confessa, desistiu até de ir ao médico. “Desisti porque estava farta de gastar dinheiro sem conseguir resolver o problema.”

Mara Dionísio teve a primeira crise de enxaquecas aos 9 anos. As dores fortes e localizadas sobre o olho esquerdo levavam os médicos para diagnósticos de rinite e sinusite, mas não para o problema de que realmente sofria. “O diagnóstico foi muito difícil de conseguir. Passaram anos e anos e anos”, conta Mara Dionísio ao Observador. “Fui deixando de vomitar e já não ficava de cama, mas as crises continuaram sempre.”

Os diagnósticos pouco eficientes, em particular de pessoas que lhe eram próximas, fizeram com que a nutricionista Margarida Martins Oliveira se interessasse pelas enxaquecas. Mas foi durante o estágio realizado no Brasil que se apercebeu de uma das ligações entre alimentação e enxaquecas: as pessoas com obesidade ou excesso de peso têm crises de enxaquecas com mais frequência.

Tornou-se então claro que as pessoas obesas ou com excesso de peso, e que sofriam de enxaquecas, queriam perder peso para diminuir a frequência das crises e, por isso, procuravam uma nutricionista que lhes criasse uma dieta. Mas os doentes chegavam com uma lista tão restritiva, com tantos alimentos para eliminar (porque supunham que desencadeavam as crises), que o trabalho de Margarida Martins Oliveira se tornava muito difícil.

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