“Especialmente nos últimos dois meses, temos afirmado várias vezes que consideramos que a transmissão por aerossóis é possível, mas não é sustentada por evidência sólida ou clara”. Foi assim que Benedetta Allegranzi, especialista técnica em prevenção e controlo de infeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), se referiu na segunda-feira à possibilidade de o novo coronavírus se transmitir por aerossóis (e não por via aérea, como por vezes é traduzida a expressão original no inglês, airborne transmission).

Ainda não tinham passado menos de 24 horas desde que Allegranzi desvalorizou a forma de transmissão por aerossóis quando, na conferência de imprensa diária da OMS do dia seguinte, a especialista fez declarações em sentido contrário: “A possibilidade de transmissão por aerossóis em locais públicos — especialmente em condições muito específicas como em locais sobrelotados, fechados e com má ventilação — não pode ser excluída.”

O que aconteceu? Pelo meio, foi publicada uma carta assinada por 239 cientistas, de 32 países diferentes (incluindo Portugal), instando a OMS a reconhecer que há, de facto, evidência científica que sustente esta possibilidade — até agora sempre negada pela organização, que foi afirmando que o único meio de transmissão era através de gotículas expelidas por uma pessoa infetada, que não atingiriam ninguém que estivesse a mais de dois metros de distância.

“Queremos que eles reconheçam as provas”, resumiu à agência Reuters Jose Jimenez, um dos signatários da carta. “Este não é um ataque à OMS. É um debate científico, mas sentimos que devíamos torná-lo público, porque eles estavam a recusar-se a reconhecer as provas científicas, depois das várias conversas que fomos tendo.”

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