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Astrofísico Avi Loeb: "A comunidade científica é responsável por não haver provas extraordinárias" de vida inteligente extraterrestre /premium

Avi Loeb, de Harvard, fez polémica ao sugerir que o primeiro corpo interestelar detetado no Sistema Solar pode ser uma nave estraterrestre. Em entrevista ao Observador, explica as suas teorias.

A busca de Avi Loeb por vida extraterreste inteligente começou a partir de uma revolucionária, mas ainda assim típica, investigação sobre o hidrogénio. Professor e investigador na Universidade de Harvard, Avi Loeb ajudou a desenvolver uma técnica que permite rastrear o hidrogénio que sobrou dos primeiros tempos do Universo — e que, após ser bombardeado pela radiação ultravioleta emitida pelas estrelas, dividiu os átomos em eletrões e protões, que vieram a dar origem aos outros elementos da tabela periódica.

Parece mais uma lenga-lenga científica sobre física de partículas, daquelas que de vez em quando surgem dos aceleradores em busca da Partícula de Deus — expressão de que Leon Lederman, que escreveu sobre o Bosão de Higgs num livro intitulado originalmente de “The Goddamn Particle”, nome alterado pela editora com receio que a palavra soasse ofensiva, não gostava especialmente. Mas foi à boleia dela que Avi Loeb começou a busca por seres inteligentes extraterrestres e acabou a sugerir que o ‘Oumuamua’, o corpo interestelar detetado no Sistema Solar em 2017, podia ser afinal uma nave espacial alienígena, criando uma enorme controvérsia entre os seus pares, onde era como um dos membros mais reconhecidos.

Astrofísico e cosmólogo de carreira já desde os anos 80, Avi Loeb sabia que a maneira mais simples de rastrear o hidrogénio dos primeiros tempos do Universo era detetar as emissões de ondas rádio que pudessem atravessar o espaço. Mas há um problema para o conseguir fazer: a interferência das estações de rádio e televisão na Terra. Em 2007, um momento eureka originou um novo, mas turbulento novo caminho para Loeb: e se, na busca do hidrogénio, acabássemos por descobrir essas mesmas interferências vindas de outras civilizações?

A ideia de que a vida extraterrestre pode existir fora do planeta Terra, embora entusiasmante, não causa grande estranheza a ninguém: há séculos que a humanidade imagina que pode ter havido vizinhança em Marte e ainda este ano uma missão da NASA foi para o Planeta Vermelho onde está a explorar exatamente esta teoria. Ou seja, a busca por vida microscópica e primordial noutros corpos celestes não é propriamente falada entre dentes nos corredores da academia, é mesmo das investigações mais conceituadas. Mas quando Avi Loeb sugeriu que essa vida podia ser inteligente e que o ‘Oumuamua seria um sinal disso mesmo, houve quem o considerasse louco.

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Quatro anos depois da descoberta deste visitante interestelar, Avi Loeb lançou um livro onde disserta sobre os motivos que sustentam a sua teoria. Em entrevista ao Observador, o astrofísico norte-americano, natural de Israel, fala sobre “Extraterrestrial: The First Sign of Intelligent Life Beyond Earth”, justifica as nuances mais exóticas das suas ideias e apela a uma ciência mais criativa, menos industrializada e sem medo da polémica: “É como o Oscar Wilde disse: ‘Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas'”.

"O que a corrente dominante diz é que isto é tudo extraordinário, que a afirmação de que não somos especiais é extraordinária, e portanto precisamos de evidências extraordinárias. Mas não considero isto extraordinário. Acho que o conservadorismo extraordinário leva a uma ignorância extraordinária."
Avi Loeb

A generalidade das pessoas compreende porque é que se pensa que há sinais de vida primitiva, provavelmente extinta, noutros planetas como Marte. Mas o que o leva a pensar que essa vida pode ser inteligente?
As circunstâncias à nossa volta. As pessoas têm uma tendência natural de argumentar que somos especiais, únicos e privilegiados. E isso lembra-me as minhas filhas quando eram muito pequenas: estavam em casa e pensavam que eram as mais inteligentes e que não havia ninguém como elas… até que as levámos para o jardim de infância e conheceram outras crianças. A partir daí tiveram uma perspetiva diferente. É como quando a humanidade inicialmente pensava que estávamos no centro do Universo. O que acho é que, mesmo sabendo que a Terra orbita em torno do Sol algures na Via Láctea, que é uma de muitas galáxias, muitos cientistas continuam a acreditar que, enquanto seres inteligentes, somos especiais, únicos e privilegiados. É difícil pensar em algo que seja mais inteligente do que nós.

Não para si.
Tenho uma perspetiva completamente diferente. As décadas de investigação em astronomia ensinaram-se a modéstia. Acredito no princípio copernicano, que diz que não somos privilegiados. E, de facto, o princípio aplica-se porque, graças aos últimos dados do satélite Kepler, sabemos que uma estrela semelhante ao Sol tem uma probabilidade alta, na ordem dos 50%, de ter um planeta do mesmo tamanho da Terra e mais ou menos à mesma distância. Ou seja, não só não estamos no centro das coisas, como o nosso quintal é típico de estrelas como a nossa. Então, se vivemos em circunstâncias semelhantes, também deve haver resultados semelhantes. O que acho é que coisas como nós existiram e existem na história das estrelas — mesmo estrelas que viveram milhões de anos antes do Sol. Podem ter existido outras civilizações tecnológicas como a nossa, mas a maioria deve estar morta. Ainda assim, devem ter deixado relíquias no espaço. Assim como fazemos arqueologia na Terra, podemos investigar essas relíquias no espaço. Penso que o ‘Oumuamua é um alerta para fazermos isso.

Avi Loeb posa para um retrato no escritório em Cambridge.

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Mas ainda não saímos do campo da teoria.
O meu princípio subjacente é o da modéstia e o princípio copernicano de que não somos privilegiados. Sim, esse é o meu ponto de partida. E acho que é a abordagem mais conservadora e de bom senso a tomar, ao invés da que a comunidade científica convencional está a ter agora. O que a corrente dominante diz é que isto é tudo extraordinário, que a afirmação de que não somos especiais é extraordinária, precisamos de evidências extraordinárias. Mas não considero isto extraordinário — considero isto uma suposição simples de fazer. E, além disso, acho que o conservadorismo extraordinário leva a uma ignorância extraordinária.

O que quer dizer quando se refere à “corrente dominante”?
Algo está infelizmente errado na cultura, na academia, onde a inovação não é tão encorajada e correr riscos é subestimado porque as pessoas querem receber honras e prémios e reconhecimento. A zona de segurança, a zona de conforto é, na verdade, um lugar onde não se confrontem as teorias com experiências. Torna-se um monólogo com a natureza, em que se diz o que a natureza deve ser, em vez de um diálogo em que se ouvem as evidências experimentais.

Como é que chegou à teoria sobre o ‘Oumuamua em primeiro lugar?
O ponto de partida foi o formato estranho do ‘Oumuamua. Projetado no céu, ele era pelo menos 10 vezes mais longo que largo e estava às cambalhotas — sabemos isso porque a quantidade de luz refletida por ele mudava por um fator de 10. Depois, vimos que não tinha nenhuma cauda como os cometas e demonstrou ter um afastamento em relação ao Sol. Isso foi o que me convenceu de que talvez este objeto fosse uma relíquia tecnológica. Por isso, escrevi sobre as estranhas propriedades deste corpo e, a seguir, publiquei um artigo a dizer que talvez fosse um lightsail [nave espacial com o formato de um papagaio de papel que se move graças à energia solar], uma relíquia tecnológica.

Como é que explica que tantos cientistas pensem que está errado?
A razão é simples: a maioria deles não tenta explicar as anomalias do ‘Oumuamua. Eles ignoram-nas e seguem em frente. Havia seis anomalias que este objeto exibia e que não pareciam ser nem de um cometa, nem de um asteróide. Vários cientistas tentaram explicar essas anomalias como tendo uma origem natural, faz parte do processo científico: quando nos deparamos com factos, temos de explicar as anomalias.

Uma sugestão foi de que o ‘Oumuamua era um iceberg de hidrogénio, um pedaço de hidrogénio congelado, por isso teria uma cauda de cometa invisível. Também houve uma sugestão de que talvez fosse uma nuvem de partículas de poeira, uma espécie de cotão daqueles que se encontra atrás dos móveis nas casas, mas do tamanho de um campo de futebol, centenas de vezes menos denso que o ar e com partículas pouco ligadas. Uma terceira ideia é que talvez seja um pedaço de um objeto maior que passou perto de uma estrela e foi perturbado pela força de gravidade [a última teoria é mesmo que seja parte de uma planeta anão do género de Platão].

O problema da primeira sugestão é que, se fosse feito de hidrogénio, o ‘Oumuamua evaporaria muito rapidamente ao longo da sua jornada, foi isso que escrevemos num artigo científico. Depois, se fosse feito de poeiras, quando se aproximasse tanto do Sol quanto estava, a temperatura aqueceria na ordem das centenas de graus e dificilmente manteria a integridade, porque a resistência do material é muito pequena. Quanto à terceira sugestão, o problema é que, se assim fosse, o ‘Oumuamua teria uma forma de charuto, quando, com base na forma como a luz solar era refletida à medida que o ‘Oumuamua se aproximava, ele seria melhor descrito como uma panqueca.

De qualquer modo, outras pessoas nem sequer colocaram possibilidades, não estão sequer a tentar explicar estas anomalias — dizem apenas que deve ser uma rocha e que provavelmente não será outra coisa. E nós sabemos pela história que essa não é uma abordagem muito saudável para fazer ciência. Quando o filósofo se recusou a olhar pelo telescópio de Galileu apenas manteve a sua ignorância perante a realidade. Não importa se a ignoramos ou não: é a realidade.

"Como é possível investirmos mil milhões de dólares na deteção de ondas gravitacionais e na busca de matéria escura — algo que não tem influência no nosso dia a dia — enquanto a busca por assinaturas tecnológicas, que tem um grande impacto na sociedade se encontrarmos evidências, é financiada num patamar pelo menos mil vezes inferior pelos órgãos federais? Como é possível que se chegue a esta situação?"
Avi Loeb

Então sente-se o Galileu atual?
Bem, eu mantenho os olhos na bola, não no público, como os basquetebolistas dizem. O que vejo é a História a repetir-se. E não me refiro apenas a Galileu: na história moderna, Otto Struve foi um astrónomo que, em 1952, disse que podíamos detetar um planeta do tamanho de Júpiter se ele estivesse perto de uma estrela como o Sol, porque ou moveria a estrela para frente e para trás de uma forma que podíamos medir; ou obscureceria a luz da estrela de uma forma que podíamos detetar. E, por 40 anos, a comunidade dominante ignorou a sua sugestão e o comité que aloca o tempo em telescópios não deu oportunidade para investigar esses sistemas. Só em 1995 é que um sistema como este foi descoberto e um Prémio Nobel foi concedido.

Pode dizer-me: “Está bem, mas em 40 anos se calhar a ciência chegou simplesmente a esse ponto”. Mas se calhar, se tivéssemos começado a explorar quatro décadas antes, saberíamos muito mais agora sobre exoplanetas. Mas o mais importante é que este é um bebé que nasceu, só que deve haver muitos bebés que nunca nasceram. E acho lamentável que não aprendamos com a história. A cultura científica deve estimular a inovação, deve assumir alguns riscos em rumos ainda não comprovados… porque o setor privado sabe que o setor comercial, mesmo sendo voltado para o lucro, reconhece o valor de ir arriscando e entrando em direções que podem não ser comprovadas. Se uma delas tiver sucesso, mais do que paga por todas as falhas que se tiver pelo caminho. Seria de se esperar que a comunidade académica adotasse uma estratégia semelhante — ou melhor, uma vez que não tem fins lucrativos.

Mas, infelizmente, existem outras forças que impulsionam o pensamento de grupo — quando as pessoas querem receber prémios ou menções honrosas e assim por diante, elas querem impressionar outras pessoas nos comités de seleção e têm que andar numa corda bamba para satisfazer as vontades de terceiros, em vez de inovar de uma forma completamente independente. E isso é lamentável.

Avi Loeb em março de 2019, ainda na presidência do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard.

Boston Globe via Getty Images

Esperava que, no século XXI, a academia fosse encorajadora, que abraçasse ideias, principalmente porque o público gosta deste assunto e é o público que financia a ciência. Como é possível investirmos mil milhões de dólares na deteção de ondas gravitacionais e na busca de matéria escura — algo que não tem influência no nosso dia a dia — enquanto a busca por assinaturas tecnológicas, que tem um grande impacto na sociedade se encontrarmos evidências, é financiada num patamar pelo menos mil vezes inferior pelos órgãos federais? Como é possível que se chegue a esta situação? Porque é que, perante um objeto que parece estranho, uma teoria como a minha deve ser ridicularizada como uma possibilidade?

Qual é a sua resposta a essas perguntas?
Há uma razão muito simples: os outros conceitos oferecem uma caixa de areia na qual se pode demonstrar que se é inteligente. Mostra-se o virtuosismo intelectual, especialmente se o assunto for matematicamente sofisticado, como a teoria das cordas ou extra-dimensões. Demonstra-se como se é inteligente manipulando fórmulas matemáticas. E isso impressiona os colegas que podem dar prémios e cargos. Portanto, é mais usado para impressionar os outros do que para descrever a realidade. Porque se quiséssemos descrever a natureza arriscaríamos: a medida do sucesso seria concordar com os dados experimentais ou realmente fazer previsões que poderiam ser testadas por dados experimentais. Mas há estas culturas na física teórica em que, não só as ideias não podem ser testadas nas próximas décadas, como ainda por cima as pessoas que trabalham nisto não querem saber se vão ou não ser testadas. Não é um requerimento: há toda uma filosofia por trás da física teórica que diz que os testes experimentais foram um hábito do passado e que é suficiente que os cientistas concordem entre si.

Há pelo menos duas teorias que, independentemente da experimentação, devem ser verdade: a teoria de cordas deve estar certa, a inflação cósmica deve estar correta — porque são ideias suficientemente flexíveis para se adaptarem a quaisquer circunstâncias em mudança. Para mim uma Teoria do Tudo nesses termos é uma Teoria do Nada porque, se não se pode provar que está errada, não se aprende nada e fundamentalmente pode explicar qualquer coisa. Fica-se na mesma, qual é o sentido disso? Quer dizer, em princípio é a religião que pode explicar tudo, por isso qual é o benefício da ciência? O objetivo da física não é demonstrar-se que se é hábil em matemática, é descrever a natureza.

"Assim que virmos mais objetos da mesma classe, devemos enviar uma nave equipada com uma câmara que tire fotos deles e possa dizer-nos se se parece com uma rocha, um objeto incomum ou um objeto artificial. E esse é o primeiro passo importante na arqueologia espacial."
Avi Loeb

Portanto, acho que o problema é realmente o sistema de recompensa. As pessoas são recompensadas por mostrarem que são inteligentes, não por descreverem a natureza. Não é um grande problema cometerem-se erros se as ideias forem testadas experimentalmente. Albert Einstein cometeu três grandes erros na última década da sua carreira: disse que os buracos negros não existem, que as ondas gravitacionais não existem e que a mecânica quântica não tem “ação fantasmagórica à distância”. Experiências posteriores provaram que ele estava errado, mas isso não lhe deve ser apontado porque, quando se trabalha nos limites, muitas vezes não se sabe o que está certo e o que está errado; e cometem-se erros. Portanto, os erros devem ser tolerados e as pessoas devem ser recompensadas por assumirem riscos.

Não era mais fácil levar esta teoria a sério se houvesse evidências quantificáveis para ela?
Não se leva a sério porque há um preconceito, acha-se que é uma coisa extraordinária assumir que ela existe. Nós queremos sentir-nos especiais e únicos, queremos acreditar que as circunstâncias que levaram à nossa existência não aconteceram em mais lado nenhum porque isso nos faz sentir melhor. Só que se não se procura, se não se financia a busca e se ridiculariza quem discute essas possibilidades, os jovens ficam desanimados porque se preocupam com as perspetivas de emprego e fica-se sem nenhum trabalho sério de pessoas talentosas nesse assunto. Em consequência, não se obtêm resultados, nem evidências extraordinárias, obviamente. É como pisar na relva e depois dizer que ela não cresce: a comunidade científica é a responsável por não haver provas extraordinárias.

Imagine que não se tinha investido 1,1 mil milhões de dólares da Fundação Nacional da Ciência no LIGO e se tinha dito: “Nós não acreditamos que as ondas gravitacionais existem até vermos provas extraordinárias”. Nunca as teríamos descoberto! Por outro lado, investimos mil milhões de dólares na busca por matéria escura e não encontrámos nada. A comunidade científica tem de ser criticada por isso? Não: encontrámos determinados tipos de partículas, mas não devem ser matéria escura. Não faz mal: isso faz parte do processo científico. São erros que devem ser tolerados. Vamos então primeiro investir uma quantia semelhante de dinheiro na busca por relíquias tecnológicas antes de afirmarmos que elas não existem.

E não se está a investir o suficiente nesses projetos?
O que realmente quero é continuar a busca por objetos interestelares que entram no Sistema Solar — e encontraremos outro nos próximos anos. O Observatório Vera Rubin pode encontrar um a cada mês porque é muito mais sensível do que o telescópio Pan-STARRS. O meu ponto é que assim que virmos mais objetos da mesma classe, devemos enviar uma nave equipada com uma câmara que tire fotos que possam dizer-nos se se parece com uma rocha, um objeto incomum ou um objeto artificial. Recolher as evidências por si só aumentará o nosso conhecimento mais do que debater sobre isto a priori e fazer afirmações sobre aquilo em que acreditamos.

E esse é o primeiro passo importante na arqueologia espacial, na minha opinião. Mas, além disso, acho que precisamos de investir na ordem dos mil milhões de dólares para fazer um grande avanço em qualquer assunto que requeira a deteção de sinais fracos. E este é definitivamente um deles. Além disso, é um assunto com o qual o público se preocupa muito e que teria um grande impacto na sociedade se encontrássemos uma resposta. Portanto, é a oportunidade ideal para que a ciência seja fortemente financiada numa direção que seja empolgante. Isso é outra coisa: a ciência não precisa ser entediante, podemos falar sobre a deteção de relíquias tecnológicas. Porque é que nós, enquanto cientistas, temos de nos por num pedestal relativamente ao público, uma torre de marfim distante de quem servimos? Não deve ser assim.

Avi Loeb participa numa conferência do programa Breakthrough Initiatives.

Bryan Bedder

Acho que todos gostariam do processo de investir os fundos na astronomia para esses fins e ela também beneficiaria. Suponha que procuramos objetos como o ‘Oumuamua e descobrimos que eles são de origem natural, mas são algo que nunca vimos antes: aprendemos algo novo de qualquer maneira. Portanto, não há lado negativo disto. Simplesmente obtemos mais informações. A única maneira de não fazermos isso é se todos disserem: “Oh, nunca são extraterrestres, são sempre rochas”, porque a astronomia perde piada. É como o Oscar Wilde disse: “Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas”.

Então falta criatividade à ciência, a seu ver?
Sem dúvida nenhuma. O problema é que a criatividade ou a inovação costumam estar associadas a assumir riscos e isso costuma causar atritos com pessoas que não estão dispostas a aceitar novas ideias. Temos de estar dispostos a assumir esse atrito. Eu estou disposto a fazer isso e há outras pessoas que também estão. Mas se essas pessoas são constantemente intimidadas nas redes sociais ou a partir de outro meio, cria-se uma cultura corrosiva na qual as pessoas têm medo de inovar, de modo que especialmente aqueles que são vulneráveis, que precisam de trabalho no futuro, simplesmente hesitam em fazer algo diferente do que ouvem a corrente dominante a fazer. E, infelizmente, isso faz com que nunca aprendamos coisas novas porque nunca vamos em direções diferentes das que já exploramos.

Isso não só torna a ciência aborrecida, como torna o ritmo das descobertas muito lento. Portanto, não é muito saudável. E especialmente quando se trata de um assunto que interessa ao público. Como é que a comunidade científica ousa dizer ao público que não queremos discutir algo como se ele não estivesse completamente carente destes assuntos? É por isso que o meu livro está a correr tão bem — porque de repente vê-se um cientista a falar destas coisas. E é simplesmente estranho para mim ver a comunidade académica no lugar errado de onde deveria estar neste assunto.

"Recolher dados sem pensar nas perguntas corretas não conduz necessariamente a uma melhor compreensão desses dados. Se a comunidade científica diz que são sempre rochas, nunca são aliens, independentemente da quantidade de dados que obtivermos dos telescópios, serão sempre só mesmo isso. Será como um homem das cavernas a olhar para um telemóvel: vai dizer que é uma pedra brilhante."
Avi Loeb

Mas onde é que coloca o limite entre essa criatividade e a ficção científica ou mesmo o clickbait?
Na evidência científica. Porque o processo científico é guiado pela evidência. Só que para encontrar as evidências precisamos de usar instrumentos científicos, não basta o diz-que-disse e as testemunhas, como temos nos casos de OVNI’s. Temos de usar instrumentos para testar a evidência e ver se a conseguimos reproduzir. E, claro, a análise desses dados tem de ser feita de acordo com métodos científicos bem definidos. Essa é a diferença entre a ficção científica e a ciência: na ciência, usamos provas, não apenas a imaginação. Quer dizer, podemos usar a imaginação para motivar a encontrar as evidências e isso é apropriado. Mas em última análise, o veredito é feito com dados.

Só que ter dados não basta. É preciso olhar para os dados corretos, saber bem aquilo de que se está à procura. Por exemplo, quando visitei Chichén Itzá, no México, havia um guia turístico que descreveu os maias como tendo recolhido excelentes dados em astronomia. E é verdade: recolheram dados incríveis e os astrónomos eram muito apreciados na comunidade, chamavam-lhes padres. Só que era assim porque os decisores políticos da altura pensavam que, se conhecessem a localização dos planetas e das estrelas no céu, podiam adivinhar o futuro. Astrologia, basicamente. Por causa disso, deram muito poder aos astrónomos, que lhes diziam como é que os astros iam estar no futuro para os políticos decidirem o que fazer. Foi por isso que recolheram tantos dados. Claro que, quando se tem uma agenda deste género, não se vai encontrar evidência das leis de Kepler ou das leis da gravidade de Newton. Mas se nos permitirmos a pensar livremente sobre os dados podem-se ver padrões que ajudem a encontrá-las.

Recolher dados sem pensar nas perguntas corretas não conduz necessariamente a uma melhor compreensão desses dados. Se a comunidade científica diz que são sempre rochas, nunca são aliens, independentemente da quantidade de dados que obtivermos dos telescópios, serão sempre só mesmo isso. Mas será como um homem das cavernas a olhar para um telemóvel: vai dizer que é uma pedra brilhante.

Não será mais difícil obter dados sobre uma coisa que não sabemos exatamente o que é?
Em menos de três anos vamos ter o Observatório Vera Rubin, que é muito mais sensível que o Pan-STARRS, e vai vasculhar o céu. Vai ser um instrumento fulcral que devemos usar no futuro para tentarmos identificar objetos interestelares como o ‘Oumuamua. Depois, claro, seguimo-lo. Se o identificarmos com um ano de avanço, isso dá-nos tempo suficiente para lançarmos uma nave espacial equipada com uma câmara, que é o ideal. E se nos parecer interessante, podemos pensar em aterrar — quem sabe lemos a etiqueta que diz: “Made in Planeta X” ou assim. Podemos saber que tecnologia o corpo representa, é como explorar uma garrafa de plástico da praia quando se encontra um objeto artificial num cenário rochoso.

Vamos recuar a 2017, quando publicou o relatório sobre a hipótese do ‘Oumuamua ser uma nave extraterrestre. A ideia tornou-se verdadeiramente viral. O que aconteceu?
Acho que foi por causa do significado de uma ligação desta natureza entre um objeto anormal, o primeiro interestelar a chegar ao Sistema Solar, e que foi descoberto perto da Terra, e o facto de ser um método completamente diferente de encontrar evidências para inteligência extraterrestre. Nos últimos 70 anos temos procurado por sinais de rádio e isso é equivalente a tentar ter uma conversa por telefone, mas para isso precisamos que quem esteja do outro lado esteja vivo. E é bem provável que essas civilizações já estejam mortas, por terem esperanças de vida pequenas como nós. Se assim for, nunca teremos uma oportunidade para ter uma conversa ao telefone com outra civilização, tal como não tivemos com a cultura maia.

Ilustração do primeiro corpo interestelar a ser detetado no Sistema Solar, o 'Oumuamua.

ESO/M. Kornmesser

Mesmo assim, podemos encontrar sinais da sua existência através de investigações arqueológicas. Acho que o ‘Oumuamua foi um alerta para adotarmos uma abordagem completamente diferente e encontrarmos coisas novas caso o espaço esteja cheio de objetos artificiais. Para mim, isto é uma grande oportunidade, mas para outros é uma mudança na forma de pensar e as pessoas resistem — preferem manter-se na sua zona de conforto. Houve uma conversa sobre o ‘Oumuamua, à saída de uma conferência em Harvard, com um colega meu que trabalha com rochas há décadas… Ele disse: “O ‘Oumuamua é tão estranho, quem me dera que nunca tivesse existido”. Isto, para mim, ilustra o problema: as pessoas preferem ver coisas que confirmam aquilo que já pensam. Quando veem algo que não se alinha com isso, ignoram-no.

Uma seleção discriminatória?
Sim. É a abordagem errada porque assim nunca se aprende nada de novo. Se encontrarmos alguma coisa que não coincide com o expectável, é sobre essa coisa que devemos estar entusiasmos — mesmo que seja algo de origem natural, é uma oportunidade para descobrirmos um fator novo de que nunca se tenha pensado. Estou sempre à procura de anomalias, para mim é sempre entusiasmante encontrar algo novo como isto. Mas a maioria dos meus colegas diz que não, que prefere que tudo continue como já está.

"As pessoas que não gostam do que digo atacam-me pessoalmente. Mas servi no exército quando tinha 18 anos e havia um ditado: às vezes, um soldado precisa de colocar o seu corpo no arame farpado para que outros possam passar. Sirvo um propósito maior, que é permitir que a geração mais jovem de hoje, que no futuro entrará nos corredores da academia, fale livremente sobre este assunto."
Avi Loeb

A maioria dos cientistas estão abertos a admitir a possibilidade da existência de vida primitiva, porque não é muito ameaçador. Mas, para mim, se estamos aqui nesta galáxia, queremos saber quem mais está por aí. Também já argumentaram que pode ser informação sensível para ser partilhada, talvez fosse causar turbulência, mas acho que a informação científica é sempre boa — ajuda a planear melhor o futuro, portanto deve ser uma prioridade para nós encontrá-la. Então, em vez de empurrar para o lado e dizer: “Não, não, não, isto não deve ser discutido e não deve ser financiado”, defendo que a vida extraterrestre inteligente deve ser uma das maiores prioridades da ciência moderna. Foi isso que me motivou a escrever este livro: realmente acredito que isto é importante para a humanidade. Não há assim tantas perguntas na ciência que afetem a humanidade.

Avi Loeb (segundo a partir da direita) ao lado de Peter Worden, presidente da Breaktrough Prize Foundatione ex-diretor da NASA, e junto ao astrofísico Stephen Hawking (no centro).

WireImage

Quando é que percebeu a verdadeira dimensão que a sua teoria tinha conquistado?
Bem, nós não tínhamos um comunicado à imprensa sobre o primeiro artigo e ele foi aceite para publicação em alguns dias. Foi quando uns bloggers escreveram sobre ele que se tornou viral, com uma magnitude de atenção não sei quantas vezes maior do que alguma vez vi. Com o meu livro a dimensão foi ainda maior: durante oito semanas acordava às quatro da manhã, ia correr às cinco da manhã e começava as entrevistas às oito da manhã até às sete da tarde. Fiz 350 entrevistas em pouco mais de dois meses. Foi extremamente cansativo.

Mas vi isto como uma oportunidade de transmitir os meus pontos de vista sobre como a ciência deve ser feita e como seria emocionante se o ‘Oumuamua for uma relíquia tecnológica. Ao fim de algumas semanas, a venda do livro estava a correr bem e o meu editor disse-me: “Bom trabalho, Avi”. Mas não estou a fazer isto para promover o número de vendas do livro. Estou a fazer isto para transmitir uma mensagem. Se o público não gostasse da mensagem e o livro não vendesse não me importaria. Para mim, foi uma oportunidade de falar.

E, claro, há consequências. Porque as pessoas que não gostam do que digo atacam-me pessoalmente. Mas servi no exército quando tinha 18 anos, fui paraquedista, e havia um ditado: às vezes, um soldado precisa de colocar o seu corpo no arame farpado para que outros possam passar. E é assim que vejo as coisas: sirvo um propósito maior, que é permitir que a geração mais jovem de hoje, que no futuro entrará nos corredores da academia, fale livremente sobre este assunto.

"Escrevi o livro para transmitir uma mensagem — espero sinceramente que o futuro seja melhor do que o passado e que não sejam apenas micróbios aquilo que a comunidade dominante vai investigar, mas também evidências de relíquias no espaço. E a maneira de fazer isto é tirar fotos de tudo o que entra no Sistema Solar, investigando se é uma garrafa de plástico ou mais uma pedra na praia. Mas há outros tipos de discussões que as pessoas têm, dizendo que é muito improvável que tenha sido uma sonda enviada para nos espiar... Nunca disse que era, acho que provavelmente é lixo espacial."
Avi Loeb

Mencionou a questão da promoção. É consultor das Iniciativas Breakthrough, que está envolvida precisamente no investimento em investigações sobre a busca por inteligência extraterrestre (SETI). Não será um conflito de interesses estar a escrever e a publicar artigos científicos que defendem esse tipo de investimento?
Não, estou principalmente envolvido na iniciativa Starshot [relacionada com viagens interestelares em velocidades próximas às da luz], não tanto da inicativa Listen, que tem a ver com essa busca por vida extraterrestre inteligente.

Na verdade, alguns membros da comunidade SETI mostraram-se relutantes em juntar-se a mim neste debate. Tenho que lutar por conta própria, por assim dizer. Acredito que é importante para a humanidade explorar essa fronteira, que esta é talvez a questão mais fundamental e importante que a ciência pode abordar. E só por causa disso estou disposto a passar por essa dor de confrontar críticas daqui por diante. Não estou a fazer isto por diversão, nem para vender livros. Escrevi o livro para transmitir uma mensagem — espero sinceramente que o futuro seja melhor do que o passado e que não sejam apenas micróbios aquilo que a comunidade dominante vai investigar, mas também evidências de relíquias no espaço. E a maneira de fazer isto é tirar fotos de tudo o que entra no Sistema Solar, investigando se é uma garrafa de plástico ou mais uma pedra na praia.

Como é que responde às críticas de que tem sido alvo?
Aprendi que a melhor maneira é não prestar muita atenção e não responder porque, sabe, quando se luta com porcos, fica-se todo sujo. Prefiro discutir a ciência por trás do meu livro e dos meus artigos, que são sobre as anomalias. E essa é a razão fundamental de estar a falar sobre isto — se não houvesse objeto ou não houvesse anomalias, nunca falaria sobre aliens desta maneira.

Qualquer pessoa que queira discutir as anomalias e sugerir uma explicação viável, ficarei muito feliz em ter uma discussão científica. Mas há outros tipos de discussões que as pessoas têm, dizendo que é muito improvável que tenha sido uma sonda enviada para nos espiar… Nunca disse que era, acho que provavelmente é lixo espacial. A maioria das estrelas formou-se milhões de anos antes do Sol e, se tivessem civilizações tecnológicas que também enviaram naves como a Voyager ou a New Horizons, essas sondas agora já não seriam funcionais. Ora, essas civilizações não tinham a intenção de nos espiar porque levava mais de dez mil anos para esse objeto cruzar sequer o Sistema Solar. E não éramos tão interessantes há dez mil anos. Quer dizer, pode ser que sim, mas a minha suposição é que é apenas lixo espacial. É algo a flutuar pelo espaço. Coisas como estas podem acumular-se no espaço ao longo do tempo, quando mais e mais civilizações nascem e morrem.

O charuto ‘Oumuamua foi uma sonda alienígena enviada para estudar a Terra? Cientistas admitem a “exótica” hipótese

Esta questão está a prejudicar a sua credibilidade enquanto cientista?
Suponha que tem um carro e ele tem um motor muito potente. Ao olhar para o exterior, algumas pessoas dizem: “Ah, não gosto dessa cor”,  fazem declarações muito negativas sobre o carro. Mas o motor potente continua lá, certo? É o mesmo comigo: as pessoas podem dizer o que quiserem, ainda tenho o mesmo motor. Esse motor produziu mais de 800 artigos científicos e apliquei a mesma abordagem que eles aplicaram à cosmologia, aos buracos negros. Escrevi os artigos e ainda trabalho nos outros assuntos e ainda sou a mesma pessoa. Nada mudou. Se não deixar que outras pessoas me mudem, se não ficar amargo ou chateado, ou se não começar a acreditar no que eles dizem, mas apenas seguir a minha bússola interior, estou feliz. Não há nada que tenha realmente mudado fundamentalmente na forma como trabalho. E isso é o que importa para mim. Não tenho redes sociais, não me importo com “gostos” no Twitter.

Notas deixadas por Avi Loeb na sua secretária na Universidade de Harvard.

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Encontra um ambiente saudável para trabalhar da forma como quer em Harvard?
Sim, é a minha casa. Fui durante nove anos o presidente do Departamento de Astronomia — o meu mandato foi renovado duas vezes e foi o mais longo da história do departamento. Dou-me bem com todos, sabe, e sinto-me muito à vontade com os meus colegas.

Porque é que saiu do cargo em 2020, então?
Porque terminei o meu terceiro mandato e, pronto, era hora de seguir em frente depois de três anos em cada um desses mandatos. Foi a conclusão natural.

Oumuamua: um ‘charuto’ interespacial, uma nave extraterrestre ou um negócio milionário? Perguntámos aos astrónomos

Se objetos como o ‘Oumuamua são tão comuns assim, porque é que só em 2017 é que encontrámos um?
Porque tecnologias como o Pan-STARRS ainda não existiam. Há um certo número de objetos a passar por nós, mas o número pode ser maior para objetos pequenos e menor para objetos maiores. Visto que o Pan-STARRS era sensível a objetos aproximadamente do tamanho de um campo de futebol que refletissem a luz do Sol dentro da órbita da Terra em torno do Sol, conseguiria encontrar algo do tamanho do ‘Oumuamua. Agora que conseguimos fazê-lo, devemos encontrar mais objetos nos próximos anos.

Avi Loeb posa para um retrato no observatório perto do seu escritório em Cambridge.

Boston Globe via Getty Images

Ou seja, só precisávamos de um telescópio sensível o suficiente para explorar o céu. E o mesmo foi verdade sobre a astrofísica das ondas gravitacionais. O LIGO, durante muitos anos, não detetou nada. Até que, em 2015, quando o atualizaram, tornou-se sensível o suficiente. E desde então continuou a detetar eventos regularmente. Em algumas áreas da astronomia, há um limiar para a sensibilidade que, uma vez alcançado, permitirá encontrar muitos objetos. É isso que espero em termos de sinais vindos de relíquias destas civilizações, porque pode muito bem ser que ainda não tenhamos atingido essa sensibilidade. Quando lá chegarmos descobriremos que a galáxia está a zumbir com sinais.

Mas, neste momento, a lição que o ‘Oumuamua nos deu é que podemos procurar objetos que vieram parar ao nosso quintal e aprender mais sobre o resto da rua a partir deles. Fazer uma viagem para outras estrelas demora muito tempo, é uma jornada muito longa. Se usarmos foguetes, demora 50 mil anos. Se usarmos a abordagem do programa Starshot, poderia levar 20 anos ou mais, mas continua a ser muito tempo. Em vez disso, podemos apenas olhar para os objetos que demoraram tanto a chegar até nós e examiná-los.

Eventos como Roswell ou aqueles que foram descritos pelo Pentágono não nos deram essa chamada de atenção antes do ‘Oumuamua?
Não. Para começar, a ideia de que fomos visitados, para mim, é menos atraente porque não acho que sejamos especiais o suficiente para merecer uma visita. Acho que somos como formigas no passeio, a quem ninguém presta atenção porque existiam coisas como nós no passado e não há razão para… Quer dizer, ainda por cima desenvolvemos tecnologia apenas nos últimos 100 anos e demora tempo para que ela viaje. Podemos ter notícias no futuro. Mesmo que os extraterrestres percebam os sinais de rádio que transmitimos no século passado, pode levar centenas de anos para chegarem até nós se viajarem à velocidade da luz. Milhões de anos se usarem foguetes.

"Nada mudou. Se não deixar que outras pessoas me mudem, se não ficar amargo ou chateado, ou se não começar a acreditar no que eles dizem, mas apenas seguir a minha bússola interior, estou feliz. Não há nada que tenha realmente mudado fundamentalmente na forma como eu trabalho. E isso é o que importa para mim. Não tenho redes sociais, não me importo com 'gostos' no Twitter."
Avi Loeb

Por isso, todas essas alegações sobre objetos voadores não identificados… acho que agora as pessoas estão à espera de obter os documentos desclassificados do Pentágono, que devem ser divulgados dentro de alguns meses, mas não estou muito ansioso para vê-los porque se baseiam em relatórios que datam de décadas atrás, com base em testemunhas oculares ou em instrumentos que não foram otimizados para este propósito.

Portanto, podemos fazer muito melhor se pegarmos em câmaras de instrumentação de última geração ou sensores de áudio, que são instrumentação científica de última geração, e implantá-los nos mesmos locais de onde vieram os relatos. E então podemos ver por nós mesmos se há algo incomum. Sabe, é o mesmo que a história bíblica sobre Abraão, que diz que ele ouviu a voz de Deus dizendo-lhe para sacrificar o seu único filho, Isaac. Se Abraão tivesse um telemóvel com um gravador de voz, poderia ter pressionado o botão e nós saberíamos o que tinha realmente acontecido, não precisaríamos de acreditar nesta história. O que quero dizer é que a instrumentação científica é a chave para reproduzir evidências e não devemos ficar obcecados com relatórios antigos.

O que vai fazer se a ciência provar que tem razão?
Ficaria extremamente feliz e interessado. Abre muitas novas avenidas para o nosso futuro. Primeiro, podemos aprender com a tecnologia que seja mais avançada do que aquela que nós já inventámos. Segundo, torna-nos mais modestos porque percebemos que, afinal, não somos o melhor aluno da turma. Terceiro, talvez mude as nossas crenças filosóficas e religiosas sobre o nosso lugar no Universo. Teria um enorme impacto na sociedade, a ciência iria florescer em novos territórios.

E se isso nunca acontecer?
Podemos continuar à procura. Mesmo que não encontremos uma garrafa de plástico depois de andar um quilómetro na praia podemos continuar a andar à procura dela. Eu quero continuar a procurar até morrer. Nunca é uma coisa conclusiva: só significa que, até àquele momento, não encontrámos nada.

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