Quem achava que esta era só mais uma ameaça do enfant terrible para dar nas vistas em plena silly season, esta semana ficou a saber que era mesmo a sério: Pedro Santana Lopes rompeu com o PSD, onde começou militante pela mão de Francisco Sá Carneiro há mais de 40 anos, e vai formar um novo partido. Qual? Com quem? Para quando? Estas dúvidas não ficaram esclarecidas na carta de despedida que escreveu aos militantes do PSD, mas duas coisas são certas: os apoiantes de sempre e sobretudo aqueles que o apoiaram no último combate frente a Rui Rio sentem-se “traídos”, e Santana está aparentemente sozinho nesta deriva — sem apoiantes políticos. Há cerca de 15 dias, segundo apurou o Observador, o ex-primeiro-ministro e ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia deu um jantar na casa da atual mulher, Dina Vieira, onde reuniu cerca de “dez a 12 pessoas” para afinar a estratégia. Acontece que nessa dezena de apoiantes não se encontrava ninguém com peso político, apenas homens de mão que trabalharam consigo na Santa Casa e que lhe devem lealdade.

Nomes como Fernando Angleu, Paulo Calado ou Ricardo Alves Gomes, quadros da Santa Casa, estiveram nesse jantar e poderão ser os ajudantes de Santana Lopes no processo de formalização do partido, tanto na recolha de assinaturas como na assessoria financeira e jurídica. Também esteve presente Tiago Sá Carneiro, militante do PSD muito ligado à máquina partidária de Passos Coelho e, depois, um dos principais homens de terreno de Santana na campanha das diretas, assim como a velha amiga Helena Lopes da Costa, militante social-democrata oriunda do barrosismo que trabalhou com Santana na câmara de Lisboa e depois na Misericórdia. Mas, ao que contaram ao Observador, deste leque de figuras pouco políticas, apenas Helena Lopes da Costa se manifestou diretamente contra a ideia, causando mesmo um momento de “grande tensão” durante o jantar. “Ela tentou demovê-lo”, ouve o Observador de uma fonte próxima. Sem sucesso.

"Está tudo a ser feito pela calada, aproveitando a silly season para ganhar algum relevo mediático, mas em setembro haverá avanços", afirma ao Observador uma fonte social-democrata próxima de Santana mas que não acompanha o novo movimento. O nome do novo partido ainda não está escolhido, mas segundo garantiu o próprio ao Observador aquando da divulgação da carta de despedida aos militantes, não se chamará Partido Social-Liberal (PSL). "Até gosto da ideia de social-liberalismo", disse.

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