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Tem havido em Portugal, nas últimas décadas, uma má aplicação dos nossos escassos recursos, que levou à quase estagnação da nossa economia. Não existe planeamento económico e financeiro macroeconómico desde os anos 1980 que oriente as decisões do Estado. E, por falhas graves na “visão estratégica”, não crescemos e sobre-endividámo-nos. Quando em 2010 a economia entrou em bancarrota, foi necessário vir uma equipe de técnicos do FMI-CE-BCE para desenhar um programa de ajustamento. Agora que se perspetiva um pacote financeiro adicional da União Europeia, o Governo chama um consultor para formular uma estratégia para o Plano de Recuperação. Mais, os programas de Governo, que são supostos ser a base de formulação das políticas públicas, baseiam-se em programas eleitorais alinhavados à pressa por um gabinete do partido antes das eleições. E, pior ainda, os múltiplos programas ou projetos de investimento, quando se vai realmente gastar o dinheiro, são aprovados sem fundamentação técnica ou económica, como os casos das PPPs, os planos energéticos e agora o plano do hidrogénio.

Como o plano Costa Silva relança as duas obras mais polémicas — o TGV e o aeroporto

Porque chegámos a esta situação? A gestão dos recursos do país é uma responsabilidade muito séria: dela depende o bem-estar das gerações presente e futuras. Errar tecnicamente ou comprometer o interesse público pelos interesses privados tem consequências políticas sérias, numa democracia representativa, e judiciais, pelo controle atempado e rigoroso dos atos públicos, como estamos a assistir atualmente. Como veremos, a falta de capacidade de planeamento moderno no Estado e de uma visão estratégica na governação devem-se a um processo longo de degradação das instituições, deterioração na formação dos altos dirigentes públicos, e da qualidade da democracia por falhas no mecanismo eleitoral.

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