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C’est comme cela que l’on meurt” ou “É assim que se morre” — a frase é célebre, pelo menos entre os que, compreensivelmente, nutrem um fascínio pelo trajeto agridoce de Gabrielle Chanel. Foi ao proferi-la que encerrou o derradeiro capítulo da sua vida, ou a última de todas as que foi vivendo. À empregada, Jeanne, deu conta de uma dor no peito, de uma sensação de sufoco, como expressou nas suas próprias palavras. Uma a duas horas antes, como relatou o Le Monde, Coco passara pelo átrio do Ritz e respondera sem alarmismos à saudação do concierge — estava tudo bem.

A 10 de janeiro de 1971, há precisamente 50 anos, Paris também amanheceu num domingo, o único dia da semana em que a couturière não trabalhava. O sobressalto ainda tardou. A extraordinária mademoiselle morreu aos 87 anos, pelas nove da noite, sozinha na luxuosa suite de 188 metros quadrados, à qual chamou casa por mais de três décadas. Morreu após uma caminhada pela cidade, impecavelmente vestida, penteada e maquilhada, ignorando possíveis sintomas de fadiga e exaustão. O momento era de trabalho, no qual sempre foi absolutamente obstinada. No atelier, a poucos metros da Place Vandôme, decorriam os preparativos da coleção da primavera seguinte, a apresentar dentro de duas semanas.

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