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São João esclarece que até esta quarta-feira, dia 6 de janeiro, foram vacinados um total de 4.058 profissionais

Rui Oliveira/Observador

São João esclarece que até esta quarta-feira, dia 6 de janeiro, foram vacinados um total de 4.058 profissionais

Rui Oliveira/Observador

Hospital de São João vai vacinar funcionários não prioritários antes da maioria da população /premium

Administração entende que trabalhar num hospital é um risco acrescido, mesmo para financeiros ou funcionários dos recursos humanos. Isso significa que serão vacinados antes da maioria da população.

Faz sentido, ou não, que um financeiro ou um trabalhador dos recursos humanos sejam vacinados durante a 1.ª fase de vacinação, antes do resto da população dividida pelas fases seguintes — como os maiores de 65 anos, por exemplo —, por trabalhar num hospital? É isso que vai acontecer no Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, quando chegarem novas doses da vacina contra a Covid-19 e depois de o pessoal da área clínica ter começado a ser inoculado. Assim determinou o conselho de administração daquela unidade hospitalar, decisão que é encarada com estranheza pela Ordem dos Médicos, mas com naturalidade pela Ordem dos Enfermeiros.

Contactado pelo Observador, o São João esclarece que até esta quarta-feira, dia 6 de janeiro, foram vacinados um total de 4.058 profissionais, “o que corresponde a cerca de dois terços dos profissionais, incluindo a generalidade dos que prestam cuidados diretos a utentes e que não tinham tido anteriormente a doença”. As prioridades seguidas foram as recomendadas pela Direção Geral de Saúde, explica fonte oficial.

“Na próxima fase serão incluídos os profissionais de áreas não clínicas (serviços de aprovisionamento, instalações e equipamentos, recursos humanos, financeiro…), bem como os que já tiveram a doença e que pretendem ser vacinados”, esclarece ainda o São João.

Acontece que nas recomendações feitas aos centros hospitalares, e que podem ser consultadas no Plano de Vacinação, este tipo de trabalhadores não surge — situação que já levou os funcionários administrativos do setor da saúde, através da Associação Sindical do Pessoal Administrativo da Saúde, a lembrarem que estão muito expostos aos doentes Covid, tanto quanto médicos, contestando os critérios de prioridade definidos.

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Sobre a decisão de vacinar estes funcionários quando chegarem novas doses ao centro hospitalar, o esclarecimento do São João é de que as prioridades têm a ver com contexto de trabalho e não com categorias profissionais. Fonte oficial garante também que as vacinas para estes trabalhadores estão previstas no número de doses que o centro hospitalar vai receber, frisando que o objetivo é vacinar todos aqueles que trabalham no espaço do hospital, independentemente das suas funções.

“Trabalhar dentro de um hospital é um risco acrescido”, defende fonte oficial, explicando que a próxima leva de vacinas deverá chegar ainda antes dos primeiros profissionais receberem a segunda dose do fármaco, sem a qual a vacinação não fica completa — ou seja, ainda em janeiro.

A administração da segunda dose está prevista  para os dias 23 e 30 de janeiro. No primeiro dia serão vacinadas 2.462 pessoas, “um valor único a nível nacional, num só dia”. No segundo, serão 1.596 profissionais. O sistema, garante o centro hospitalar, está “extremamente bem planeado e tem decorrido com enorme rigor e precisão”.

Ao contrário de outros hospitais, não existe até agora qualquer queixa sobre falhas na prioridade de vacinação. Crítico do desenho atual do plano de vacinação contra a Covid-19, o bastonário da Ordem dos Médicos, ele próprio vacinado no São João onde é médico urologista e devido à sua atividade na área da transplantação renal, admite que o centro hospitalar “cumpriu rigorosamente o que foi definido nos primeiros dias de vacinação”.

O problema pode vir a seguir.

Esclarecimento do São João é de que as prioridades têm a ver com contexto de trabalho e não com categorias profissionais

Rui Oliveira/Observador

“Não consigo entender que se vacine um financeiro antes de outras pessoas, quando sabemos, por exemplo, que o maior risco de letalidade na Covid-19 é o fator idade. O hospital é um local de risco? E um centro comercial? Qual dos dois será um maior local de risco?”, questiona Miguel Guimarães, dizendo que são perguntas a que a task force criada para gerir o plano de vacinação devia responder.

O presidente do Centro Hospitalar Lisboa Norte, que agrega os Hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, também tinha esse entendimento. “Eu só serei vacinado de acordo com os critérios previstos no plano de vacinação. Eu trabalho num hospital mas não sou profissional de saúde. Só na 2ª ou na 3ª fase é que serei vacinado, em função do que vier a ser o plano de vacinação, porque tenho algumas patologias, mas não sei se me situam na 2ª fase ou na 3ª fase. É aí que serei vacinado. Nem antes nem depois”, respondeu Daniel Ferro ao Observador a 15 de Dezembro, 12 dias antes de ter começado a vacinação, durante uma entrevista feita no âmbito da reportagem especial “85 horas no Santa Maria”. Contactado agora novamente, o administrador hospitalar mantém essa intenção.

Outra fonte oficial do hospital garante que nenhum administrador foi vacinado e que, por exemplo, o diretor clínico tomou a decisão de ser o último médico a ser vacinado. Mas ainda não é claro se os cerca de mil funcionários do hospital que não estão envolvidos na assistência a doentes vão ou não ser incluídos no grupo de profissionais de saúde que receberá a vacina nesta primeira fase.

O coordenador da task force, Francisco Ramos, a propósito das queixas dos administrativos, lembrou à TSF que o plano de vacinação prevê que as prioridades sejam definidas por contexto de trabalho e não por categorias profissionais, tal como o São João argumentou perante as perguntas do Observador.

Já a bastonária da Ordem dos Enfermeiros concorda com a opção tomada pelo centro hospitalar. “Faz sentido”, diz Ana Rita Cavaco. “Quem trabalha num hospital tem risco acrescido de se cruzar com um doente Covid.” O que contesta é, por exemplo, a vacinação de funcionários que estejam em teletrabalho ou de baixas prolongadas, como terá acontecido noutros locais.

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Na circular interna enviada aos trabalhadores do centro hospitalar, e a que o Observador teve acesso, lembra-se que de “acordo com a orientação do Ministério da Saúde, a vacinação será iniciada pelos profissionais de saúde envolvidos na prestação direta de cuidados de saúde (dos quais se excluem por exemplo assistentes técnicos, pessoal administrativo ou informático)”.

Em seguida, lista-se as prioridades que começam pelas unidades de cuidados intensivos e intermédios, serviços de urgência, áreas dedicadas a doentes respiratórios nos serviços de urgência e de internamento dedicadas a doentes Covid-19 (como, por exemplo, medicina interna, pneumologia, infecciologia). A lista termina nos blocos de partos.

O Observador contactou o Ministério da Saúde para confirmar se cada centro hospitalar pode definir os seus critérios ou se há alguma regra comum. A resposta do gabinete de Marta Temido é que “durante a primeira fase, que irá decorrer até ao final de março, o critério definido para a vacinação é iniciar pelos profissionais de saúde envolvidos na prestação de cuidados”.

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Para além disso, o ministério frisa que a Direção Geral de Saúde identificou uma série de contextos prioritários, dentro deste grupo de profissionais de saúde. Essa listagem coincide com a que o São João partilhou com os colaboradores na circular interna, como os primeiros a vacinar, mas não refere os restantes funcionários que o hospital prevê abranger ainda em janeiro. “A partir desta definição, houve um trabalho conjunto com os hospitais, que identificaram, dentro destes contextos, quantos profissionais eram prioritários”, responde o gabinete de Marta Temido.

Sobre o caso concreto do São João — e a decisão de vacinar pessoas que, não estando em grupos de risco por idade ou doenças associadas, nem estando envolvidas diretamente na prestação de cuidados aos doentes, vão receber a vacina mais cedo — não foi possível obter uma resposta até à publicação desta notícia.

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