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Fotografia cedida por André Leonardo Tour

Fotografia cedida por André Leonardo Tour

Anda um português pelo mundo a inspirar pessoas

André, 24 anos, conseguiu apoio de várias empresas para viajar um ano pelo mundo inteiro a conhecer pessoas empreendedoras. Depois, quer inspirar Portugal a ser melhor. Já cruzou 17 países.

André Leonardo foi assaltado em Moçambique. Ficou apenas com o computador, a roupa que tinha vestido e “as bandeiras dos Açores e de Portugal”. Os assaltantes não quiseram aquilo que o português mais preza desde que, em novembro de 2013, partiu à descoberta de pessoas empreendedoras pelo mundo fora.

Quer vá para para a Austrália ou para a Tanzânia, André leva sempre consigo os símbolos da sua ilha e do seu país, qual navegador dos Descobrimentos. Aliás, as referências históricas também serviram de inspiração para a André Leonardo Tour: “Portugal foi enorme há 500 anos, com corajosos visionários como Fernão Magalhães ou Vasco da Gama, mas a verdade é que hoje em dia também existem muitas pessoas a empurrarem o país em frente”, conta, em entrevista ao Observador.

André Leonardo em Sidney, Austrália.

Foi há dois anos que tudo começou. “A população está desmotivada com toda a situação socio-económica mas, mais do que isso, está farta das palavras bonitas e vazias de conteúdo, e nada acontece.” Com vontade de mudar esta realidade, André começou a desenhar a expedição – o seu contributo para o fim da atmosfera pessimista.

O objetivo era “dar a volta ao mundo” e conhecer pessoas em várias áreas que “fazem acontecer de verdade”, ou seja, “relatar histórias de pessoas inspiradoras”. Ao mesmo tempo, queria divulgar Portugal pelos quatro cantos do planeta.”Mostrar o que de melhor temos no nosso país, falar dos nossos empresários, das nossas empresas e claro, visitar as nossas comunidades por todo o mundo”. Mas o sonho precisava de pernas, leia-se meios financeiros, para andar.

"Os sábados e os domingos eram os dias que mais detestava porque ninguém me respondia a emails nem atendia os telefonemas", revela.

Conseguir apoios para concretizar a viagem não foi fácil. “Fui a dezenas e dezenas de reuniões com variadas empresas e os ‘nãos’ apareciam a toda a hora”, recorda. As respostas positivas começaram a surgir depois – o grupo Delta Cafés, a Startup Lisboa, a Beta-i, a Acredita Portugal, a PELCOR, entre outras, tornaram-se parceiros da “ousadia” de André, que também recebe donativos através do site da expedição. Sandra Correia, CEO da PELCOR e madrinha da André Leonardo Tour, considera que “assim se fazem os grandes homens – à conquista do seu sonho e de um mundo melhor para todos. Com o André, esse sonho torna-se real”. O navegador Ricardo Diniz diz que o projeto “vai mostrar ao mundo que os portugueses são dinâmicos, ambiciosos e sonhadores”.

André, padrinhos e empresários. Todos juntos selecionaram os países que tinham, à partida, mais condições para o empreendedorismo crescer e trataram de encontrar toda a informação possível sobre o local. Antecipação máxima, sugere o protagonista. “Quando saí em viagem já tinha perto de 100 entrevistas marcadas em todo o mundo”. Para preparar a travessia, André conversou com o navegador solitário Ricardo Diniz “que funcionou como um verdadeiro ‘coach’”, e elaboraram um plano para manter o bem-estar físico e mental.

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O gestor de 24 anos teve lições sobre programação, webdesign e Photoshop para desenvolver o projeto. Leu vários livros sobre viajar sozinho e em lugares remotos e perigosos. Procurou dicas sobre como poupar ao máximo em viagem. Investigou milimetricamente cada país. E, como em todas as aventuras, há sempre algo que tem de se deixar para trás. “Estar um ano sem ver a namorada, sem ver os pais, os avós e os amigos… Faltar a festas de aniversário e a todas as datas marcantes não é pêra doce”, admite ao Observador. O seu lugar passou a ser o mundo e a casa ficou reduzida a “uma mala com 10kg”.

"Sou otimista por natureza. O difícil é diferente do impossível"

Desde que saiu do país, em fevereiro, o empreendedor tem registado muitas peripécias. Estava no Japão quando se deu “o mais violento tufão dos últimos 15 anos”, foi interrogado durante “quase duas horas pelas forças israelitas” e esteve ” a pão e água” alguns dias na Índia, tendo perdido sete quilos. “Na Índia também fiz voluntariado numa Organização Não Governamental (ONG) que trabalha com tribos em lugares muito remotos. Foi muito duro do ponto de vista físico e psicológico”, recorda.

No total, foram 17 os países por onde passou até agora: República Checa, Israel, Palestina, Quénia, Tanzânia, Moçambique, Índia, Nepal, Hong Kong, Macau, Tailândia, Malásia, Singapura, Austrália, Japão, México e Brasil. Está agora no Uruguai.

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A aventura termina em novembro e todas as histórias ficarão registadas em livro. Desde o início da expedição, tem mantido todos os seguidores informados através da página de facebook, onde conta todas as aventuras de cada dia. Para já, André lança um exemplo do empreendedorismo que encontrou. “No Nepal, por exemplo, falei com Shailee Basnet. Shailee formou-se em Gestão Informática e trabalhava num escritório mas queria ‘algo mais’. Ouviu falar numa equipa de mulheres que planeava subir o Monte Evereste e, sem experiência alguma, fez os testes e juntou-se a elas. Um ano depois estava a subir a montanha mais alta do mundo. Hoje é speaker motivacional e criou com as suas colegas um ‘clube’ de sete mulheres que queriam subir às sete montanhas mais altas do mundo. Faltam apenas duas. Querem utilizar a sua história e experiência para dar voz e trazer mudanças no Nepal, especialmente na educação, direitos das mulheres e ambiente.”

Mais do que um projeto pessoal, André resume a sua Tour como “uma missão social”. O livro que resultará da viagem reverterá, em parte, para a associação Acredita Portugal, “que tem precisamente difundido o espírito empreendedor no nosso país”, justifica. A quatro meses do fim, André já consegue resumir a experiência numa lição: “não há nada que se conquiste de verdadeiramente importante na vida que não dê trabalho.”

"É a viagem da inspiração, do acreditar e do fazer acontecer. Ser empreendedor é um estilo de vida."

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