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Há 50 anos, pouco depois das 9h00 da manhã do 1º. dia de agosto, António de Oliveira Salazar estava de férias no Forte de Santo António, no Estoril, como era costume. Esperava pelo seu enfermeiro-calista. Os ossos encavalitados de um dos pés que partira em criança faziam com que lhe aparecessem calos que lhe provocavam dores. Por isso usava umas botas de pelica que faziam os adversários tratá-lo depreciativamente por O Botas.

Quando se ia sentar numa cadeira de realizador, caiu e bateu com a cabeça no chão. Mas obrigou toda a gente a ficar em silêncio sobre o incidente, apesar da preocupação do enfermeiro-calista, que assistiu a tudo, da sua governanta de sempre, que ouviu o estrondo, do seu secretário, que foi informado, e do médico assistente, que só o viu seis dias depois.

Ninguém sabe bem o que se passou no mês seguinte. Mas às quatro da manhã do dia 7 de setembro o ditador já estava deitado numa maca de uma sala cirúrgica do Hospital da Cruz Vermelha, para ser operado por uma equipa médica opositora ao regime ao que todos esperavam ser um simples hematoma cerebral. Sobreviveu, mas perdeu o poder. Morreria apenas dois anos depois.

São excertos desses dois dias decisivos para o fim do regime que publicamos a seguir, com base no livro “A Noite mais Longa”, da Esfera dos Livros.

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