Quando o Egito tornou o futebol num “assassínio”

01 Fevereiro 2015

Jogadores em cima de tanques, pessoas com espadas, militares quietos, invasões de campo e "chuva de pedras". Faz hoje três anos que Manuel José viu de tudo no estádio em que morreram 74 egípcios

Não se tinham de preocupar. Nem havia motivo para isso. Nada, até ali, o justificava. A viagem fora tranquila, como devia ser, e feita no interior de um autocarro, que percorreu os quase 200 quilómetros de caminho entre o Cairo e Port Said. Sim, ser do Al-Ahly e fazer as malas para levar a casa do Al-Masry, com a desculpa de um jogo de futebol, “sempre” fora “um bocado complicado”. Todos o sabiam. Mas nada de anormal se passara até ali. A equipa da capital do Egito entrou no hotel, todos se instalaram, a noite ficou tardia e a vontade de dormir apareceu. E só depois surgiriam “alguns indicadores de muita tensão”, vindos do nada e sem aviso. Seriam os primeiros de muitos.

Algures entre a meia-noite e a uma da manhã, Manuel José começou a ouvir coisas. O ruído ia crescendo e tocando em notas mais altas. “Uma série de indivíduos estavam em frente ao hotel a manifestarem-se. Gritavam e faziam barulho”, reparou o português, na altura com 64 anos contados de vida e nove feitos no Egito, a treinar o Al-Ahly. A idade, e a experiência, diziam-lhe para não se preocupar. “Não era normal”, lembra, “mas aconteceu”, e o que passou pela cabeça de todos não variou muito — “Pensámos que estavam ali para os jogadores não adormecerem ou dormirem bem e, com isso, ganharem alguma vantagem para o jogo.”

Manuel José não se recorda de quantos eram. Mas sabe que eram adeptos do Al-Masry. Do adversário que teria em campo no dia seguinte. Da equipa com a qual partilharia o jogo que, com 74 mortes, centenas de feridos, sangue e violência, mancharia a história do futebol egípcio a 1 de fevereiro de 2012 — e manteve o campeonato do país suspenso durante dois anos. Na véspera, contudo, nada houve além de “alguma perturbação por causa da barulheira toda que faziam” no exterior do hotel que albergava o treinador português e a equipa do Al-Ahly. Insuficiente para, na manhã que depois despertaria, o português “supor que aquilo tivesse alguma relação com o que aconteceria depois”.

O treinador português passou nove temporadas no Egito: primeiro, em 2001/2002, depois, e de forma ininterrupta, de 2003 a 2009 e, por último, entre 2010 e 2012

O jogo reservara hora para as 15h e era preciso ir do hotel até ao estádio. Aí, nesse caminho, o termómetro da preocupação na cabeça de Manuel José começou a aquecer. “Fomos com dois tanques de guerra a acompanhar-nos. Um à frente e outro atrás, mais uns jipes da polícia e por aí fora”, recorda ao Observador, com  a voz descontraída, como nunca chegou a estar naquele dia: “Já sabíamos que o ambiente seria hostil e ruim, mas ninguém estava a pensar numa coisa daquelas. O Al-Masry nem sequer era rival do Al-Ahly: um é o maior clube de África e o outro é um clube médio do campeonato egípcio.”

O treinador não entendia. Achava que nada se justificava, tanto os gritos que rodearam o hotel na véspera, como a escolta militar na manhã. Não é normal. Começou a reparar na “hostilidade tremenda”, no ambiente “muito pior” do que o Al-Ahly esperava. O estádio só piorou as coisas. “Estava completamente cheio e começámos a perceber que haveria um ambiente escaldante. A qualquer momento poderia haver problemas”, confessou, hoje, ao pegar nas imagens que guardou dos 18 mil lugares do recinto preenchidos com gente. Repletos de adeptos aos gritos e aos saltos, com bandeiras, tarjas e entusiasmo a mais.

O treinador português pensou que, com tantos militares munidos de metralhadoras e bastões, “ninguém se atreveria” a tentar entrar no relvado. Estava enganado: centenas de adeptos invadiram o campo.

Manuel José estava preocupado. Receoso, ainda não. Nem se lembrou de estar receoso quando saiu do balneário e, antes da partida, foi pela primeira vez espreitar o relvado onde a bola começaria a rolar dali por umas horas. Viu que “a atmosfera era muito hostil”, demasiado para um jogo de futebol. Mas reparou também em algo que, em menor ou maior dose, o tranquilizou. “Na pista de atletismo que rodeava o campo estavam muitas cadeiras com militares sentados, de metralhadora na mão, bastões, capacetes com viseira e escudos. Estavam todos virados de costas para o relvado e de frente para o público”, conta, ao descrever o cordão que envolvia as bancadas.

A segurança estava apertada com a força de militares e isso, para o português, era bom sinal. “Com um aparato daqueles, com tantos militares quase preparados para a guerra, é evidente que pensámos que ninguém se atreveria a entrar ali”, explicou ao tentar montar a imagem que, na altura, lhe acalmou os receios. A ele sim, aos jogadores não. O português, entretanto, seguiria para o balneário. Era tempo para os futebolistas se equiparem e terem algumas conversas sobre o adversário que aí vinha. Depois, quando ia regressar ao relvado, Manuel José reparou que estava frio. Sentiu “o dia fresco” e, por isso, voltou atrás, em busca de “um casacão” para o “agasalhar”. Quando já o tinha a cobrir o corpo e retornou ao campo, viu os jogadores do Al-Ahly, os seus, a aquecerem na mesma metade do campo dos outros, da equipa adversária.

Manuel José insistiu e os jogadores do Al-Ahly aquecerem na metade do campo que lhes era destinada

Estranho, pensou — no futebol, por norma, cada equipa tem o seu lado do campo para fazer os exercícios de aquecimento que antecedem os jogos. “O guarda-redes do Masry estava a aquecer na baliza e o meu estava com o treinador de guarda-redes ao lado da mesma baliza, na linha de fundo”, explica, tão indignado como na altura ficou. Por isso questionou Pedro Barny, o treinador-adjunto, sobre o que se estava a passar. “Oh mister, estão fartos de atirar bombas do outro lado do campo”, ouviu, como resposta. Apenas aí Manuel José virou a cabeça e olhou para o que se passava na outra baliza.

Eram “bombas atrás de bombas [petardos]”. E “pedras também”, acrescentou, garantindo que, desde a bancada que estava atrás da baliza, os adeptos do Al-Masry “atiravam tudo o que tinham à mão”. Com militares e polícias a assistirem. O português, contudo, não queria mostrar uma equipa “cheia de medo”. Decidiu falar, insistir e ordenar que todos fossem para a metade do relvado onde, minutos antes, os jogadores viram como motivo de fuga. “Viemos aqui para jogar futebol e não para fazer mal a ninguém. As bombas não fazem mal nenhum, só fazem barulho”, disse-lhes, antes de os acompanhar até à outra parte do campo. Entre gritos, barulho de explosões, pedras a voarem e tumultos nas bancadas, os jogadores do Al-Ahly obedeceram. E lá aqueceram.

O ambiente não melhorou. Piorou e foi piorando, mas o encontro mantinha-se. “Volta e meia”, conta Manuel José, até “saíam indivíduos da bancada e corriam campo adentro”. A preocupação também aqui aumentou. E o receio, pela primeira vez, acordou na cabeça do português. Porque os militares “não se mexiam” e “continuavam sentados”, imóveis, sem nada fazerem para “impedirem quaisquer tumultos”. Os adeptos “entravam e saíam como queriam”, garante. “Até houve logo ali pancada e partiram a cabeça a um segurança do estádio”, prossegue, acelerando a voz quando relembrou a si próprio o quão estupefacto se sentiu na altura. A violência aparecia e as equipas, com os músculos quentes, regressavam ao balneário para, talvez, por lá ficarem. Mas não. O árbitro não dera “qualquer indicador de que o jogo não se pudesse realizar”.

Por isso as equipas retornaram de novo ao relvado. O cenário já estava pintado de mau e, mesmo assim, o técnico lembra-se, como se lembrou na altura, de que “não era a primeira vez que via um ambiente daqueles” no Egito. Mas queria ir a jogo — pois o medo, esse, só sentiu quando a partida arrancou. Estava no banco quando, já com a bola a rolar, desviou o olhar para a bancada e viu algo que o perturbou. Uma tarja, “enorme”, com “letras garrafais, escritas a verde”, na qual se lia: “Hoje, todos vocês vão morrer aqui.” Uma ameaça inflacionada pelo fervor do futebol ou algo para não levar a sério? Nem uma coisa, nem outra. O que preocupou Manuel José foi a língua — a mensagem estava escrita em inglês. “Como é que num estádio, onde mais de 90% das pessoas não falam inglês, estes fulanos põem uma tarja daquelas escritas em inglês? Isto era para quê? Só podia ser para as televisões verem. Muito pouca gente falava inglês, nem mil pessoas falariam a língua ali”, pensou.

Espadas, punhais e murros só pelas costas

Muito estranho, voltou a pensar. Mas o jogo já tinha arrancado, e bem, para o Al-Ahly. Onze minutos passam e Gilberto, angolano canhoto da equipa do Cairo, marca um golo. Manuel José de repente estava a ganhar e nada acontecia. Surpresa: nem um adepto pisa o relvado e não se veem invasões de campo. Ainda não, porque o tiro de partido para as perturbações chegaria com o intervalo que mandou descansar os jogadores. “Acabámos a primeira parte a ganhar 1-0. A primeira invasão foi ao intervalo. Entrámos quase 15 minutos mais tarde para recomeçar o jogo por causa disso”, lembra o treinador. Às tantas a partida foi retomada. E os problemas também.

Demorou, mas aos 72 minutos houve outro golo. Este do Al-Masry, da equipa que, assim, deu o rastilho que faltava para incendiar a própria casa. Bastou chegar ao empate para o ambiente “ficar terrível”, recorda Manuel José. A festa mascarou-se com “pedras, pedras e mais pedras”, lançadas para o ar pelos adeptos caseiros. “Nem podíamos por a cabeça fora do banco, começava logo a chover de tudo”, diz o português, chocado quando reparou que, no estádio, uma vez mais, “ninguém mexia uma palha”. Seguranças, agentes da polícias e militares, nada. Apenas assistiam ao que se ia passando. E “cada vez” que o Al-Masry marcava — e marcou mais duas vezes, aos 83’ e 90’+2 –, as “coisas pioravam”. Não tanto como quando o jogo terminou, mas pioravam.

Ainda antes de o jogo começar já vários adeptos tinham conseguido saltar da bancada para a pista de atletismo que rodeia o estádio de Port Said

Pelo meio o árbitro “teve medo”. Manuel José não se esquece de o ver a “validar tudo”, além de “anular” um par de golos “limpos” ao Al-Ahly e não ter olhos para ver “o fora de jogo” nos dois primeiros marcados pela equipa de Port Said. O homem do apito era engolido pelo ambiente. E quando apitou pela última vez, para acabar com tudo, criou a boca que engoliria com violência todos os que pertenciam ao clube do Cairo.

O jogo acaba e, minutos depois, “apagam as luzes do estádio”. Já era de noite e “ficou escuro como breu”. Pouco tempo passa até Manuel José ver “as portas que davam acesso ao relvado, desde as bancadas”, serem abertas. Começava a invasão. Os adeptos do Al-Masry, coloridos a verde, cor do clube, são rápidos a inundarem o relvado. Fugir é a ordem e todos, entre jogadores e treinadores do Al-Ahly, conseguem de uma maneira ou outra “chegar à cabine”. Todos menos um — o treinador português. Não por falta de tentativas. Manuel José ia, andava, desviava-se de pessoas e, no meio da confusão, sentia um, dois, três ou dezenas de “socos na cabeça” e pontapés nas costas. Sempre por trás. “Pela frente ninguém me tocou, foram mais os beijos que levei do que os murros”, assegura.

O português foi agredido, várias vezes. Mas ri-se ao contá-lo. E vai-se rindo à medida que desvenda o que se passou. “É a minha relação louca com o povo egípcio. Pela frente ninguém me tocou. Mas quando me virava para trás, depois de sentir pontapés e murros, estavam todos com cara de anjinhos”, explica, com a mesma garantia com que afirma ter visto “várias pessoas com espadas, punhais e pistolas”. Isso seria o menos — “Vi pessoas a atiraram adeptos nossos da bancada para a rua. Morreram vários assim.” Manuel José viu apoiantes do Al-Ahly encurralados, cercadas na bancada, rodeados por adeptos adversários. “Até colocaram varões de ferro a bloquearem os portões de entrada e saída do estádio. Muita gente morreu esmagada pela força da multidão a querer sair”, recorda, incluindo uma pessoa que, do lado de fora, tentava “abrir os portões para salvar os outros”. No final foram 74 as pessoas (72 eram adeptos da equipa do Cairo) que deixaram a vida no estádio de Port Said.

"De frente ninguém me tocou. Mas quando me virava para trás, depois de sentir pontapés nas pernas ou murros na cabeça, estavam todos com cara de anjinhos, como se não tivessem feito nada. Vi passar pessoas com espadas, punhais e pistolas."

E os militares, onde estavam no meio de tudo isto? No mesmo sítio. Inoperantes e sem intervirem. “Não fizeram absolutamente nada”, critica o português, hoje com 68 anos, revoltado por apenas os ter visto a “esticarem os braços e erguerem os escudos, para se protegerem das pedradas que vinham da bancada”. Não se queriam intrometer em algo que insistiram em manter como “uma guerra” entre adeptos dos dois clubes — com um treinador no meio que, sem conseguir chegar ao balneário, ia tentando fugir do relvado. Quando conseguiu foi parar a “uma sala VIP” do estádio, onde estava o presidente do Al-Masry. Ficaria por lá “uns 40 minutos”. Foi esse o tempo ditado pela bateria que lhe restava no telemóvel, com o qual “ia sabendo como estava a equipa no balneário”. Soube que todos estavam em segurança, mas apertada, pois o espaço, “com capacidade para 45 pessoas”, chegou a ter “300 e tal lá dentro”.

O alarme de Manuel José tocou quando a bateria mandou o telemóvel dormir. De repente ficou incontactável. Nem os dois guarda-costas que o escoltavam para todo o lado ajudavam. “Não falavam nada de inglês”, indica. O português queria abrir a porta, sair dali, regressar à confusão e tentar chegar ao balneário. Ainda ouviu o presidente do Al-Masry dizer que era louco e que “os adeptos [o] iam matar”, algo que não o demoveu de “sair sozinho” da sala. “Eles [guarda-costas] lá vieram atrás de mim, a correrem. A correrem não, a andarem depressa, porque com aquela idade já não corriam”, diz, quanto toca no momento em que decidiu abdicar das paredes e do teto para enfrentar a multidão.

E os murros, pontapés “e beijos” que, de novo, estavam à sua espera. Manuel José bem tentou, mas voltou a falhar. Teve que regressar à sala VIP para, desta vez, ser encaminhado para fora do recinto e para dentro de “um carro com os vidros fumados”. Quem o acompanhava, alérgico ao inglês e só com boca e ouvidos para o árabe, mantinha-o “sem saber de nada do que se estava a passar”. Do carro apenas saiu para entrar numa “instituição militar qualquer” de Port Said. Ficou até “as coisas acalmarem um pouco” e “só passado uma hora e tal” voltaria a conseguir falar com Pedro Barny, o adjunto, e a restante equipa técnica.

Não sabe ao certo quanto tempo demorou a sair do complexo militar. Só recorda que, “às tantas”, o levaram para o aeroporto, onde chegou “quase na mesma altura” que a equipa do Al-Ahly. Com uma diferença: Manuel José foi à boleia de um carro, enquanto os jogadores “chegaram dentro, e em cima, de três tanques de guerra”. Os 200 quilómetros até ao Cairo seriam percorridos no ar e não por terra, como acontecera à vinda. No avião sentiu-se “uma tensão impossível” e a “preocupação tremenda” com o número de mortos — e feridos, quase 300 — que iam sendo conhecidos. “As pessoas estavam a morrer e ninguém fazia nada. Parecia uma guerra”, diria, depois do incidente, Abou Trika, capitão do Al-Ahly e um dos jogadores que fugiram do relvado. Kamal Abu Ali, então treinador do Al-Masry, demitiu-se no dia seguinte à tragédia, em protesto contra o que considerou como sendo parte de uma “conspiração para derrubar o estado”.

"Que aquilo estava tudo preparado, ai isso estavam, não tenho dúvidas nenhumas. Mas Fiquei lá. Já quando foi a revolução Portugal enviou dois aviões. Perguntaram-me das duas vezes se me queria ir embora e eu disse em ambas que não. Nunca me senti inseguro. A minha mulher estava comigo e também não teve medo."

Manuel José não o fez. Ficou no Al-Ahly e nem sequer abandonou o Cairo. Permaneceu no Egito. Fez diferente, embora tenha dito pior: “Aquilo não aconteceu por acaso, foi tudo pensado. Foi um assassínio. Há pessoas presas, que foram condenadas à morte, e outras que ainda estão em julgamento. Pareceu que contrataram gente para matar os nossos ultras e adeptos, que tinham sido opositores da polícia e do antigo regime.” Foram-no durante a revolução que, um ano antes, depôs Hosni Mubarak e teve na Praça Tahir, na capital, o epicentro de uma revolta que, durante 18 dias, encheu as ruas do Cairo e culminou no derrube do presidente egípcio. Os ultras, os do Al-Ahly, foram parte ativa durante este processo, erguendo-se contra os militares, apoiantes do ditador, que iam tentando abafar os protestos.

Um ano depois, Port Said foi o palco da maior tragédia da história do desporto do Egito. Algo que não abafou a vontade do treinador, que venceu uma Taça de Portugal em 1992, com o Boavista, de permanecer no país. Afinal, nem a revolução que germinara da Primavera Árabe, em dezembro de 2011, o empurrara dali para fora. “Já aí perguntei à minha mulher se queria voltar para Portugal. Disse que não, que também queria ficar. Não teve medo. E pronto, ficámos”, lembra, com uma naturalidade que fez a decisão parecer leviana. Se nessa altura não teve dúvidas, elas também não surgiriam depois do jogo em Port Said. “Nunca coloquei a hipótese de me ir embora. Só fui quando o meu contrato terminou no final dessa época”, conta.

Entrada do estádio do Al-Masry, em Port Said, onde 74 pessoas morreram a 1 de fevereiro de 2012

O campeonato foi suspenso mal se soube das mortes no estádio do Al-Masry. Assim permaneceria na temporada seguinte. Por isso, e só por isso, se ouviu um adeus vindo de Manuel José. “Como não havia liga, não havia nada, não quis continuar”, defende. De nada valeu a intenção do Al-Ahly em manter o treinador no Egito. Só na época seguinte, em 2013/2014, o país voltou a pegar no futebol e a dividir o campeonato em dois grupos, para que estas duas equipas, a defrontarem-se, apenas o fizessem na final da competição. Desde aí que não mais se abriu as portas aos adeptos em qualquer estádio no Egito — à exceção de partidas a contar para competições africanas. Hoje “as coisas estão bem mais tranquilas”, assegura o português. E sem “piada nenhuma” também. “Voltaria a treinar lá sem problema. Mas não assim. Nós treinamos uma equipa para os adeptos, não para estarem a jogar em estádios com bancadas vazias. Só para meia dúzia de empregados e dirigentes não vale a pena”, argumenta quem começou a treinar em 1978.

Já lá vão quase 40 anos de uma carreira a dar ordens e a fazer com que 11 homens se entendam com os pés e uma bola no meio. Para quê? Para o deleite de quem vê. “O futebol é para o público”, resume Manuel José. No Egito, em jogos nacionais, contudo, há três anos que ninguém o vê com os próprios, num estádio. Desde o dia em que o público achou que o futebol servia para a violência.

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