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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Resilientes e conformados. Na Beira, os moçambicanos convencem-se de que a normalidade voltou /premium

Para os habitantes da Beira, o pior já foi e a normalidade voltou. "Nas calmas." Uma psicóloga diz que "são muito resilientes". Mas ainda não há água ou luz — e os cadáveres continuam a aparecer.

Enviados especiais à Beira, Moçambique

Isac Mabota vai com um sorriso na cara. De boné e camisa azul escura, aproveita a pausa para almoço para vir levantar dinheiro numa caixa de multibanco na zona Oeste da cidade da Beira. A fila está grande, mas é normal — é assim que costuma ser a esta hora. O tempo está quente, o sol bate de chapa, mas é normal — é assim que costuma ser o tempo nesta altura do ano.

“É, é normal estar assim”, garante Isac Mabota. E continua a sorrir.

“Normal” e “normalidade” não são noções que têm estado em abundância na Beira, depois de o ciclone Idai ter matado, só em Moçambique, pelo menos 598 pessoas e ter levado a mais de mil infeções por cólera, doença que também já levou duas vidas. É rara a casa que, nesta cidade, tem o telhado intacto, são muitas as árvores derrubadas pelo vento que, por pouco, não chegou aos 200 quilómetros por hora e são ainda escassas as ruas que não têm espalhadas as areias, lixo e entulho que o ciclone arrastou consigo. Nas casas, a água que sai das torneiras não é potável e não há garantias de que venha a sê-lo tão cedo. Quando se pergunta se a eletricidade já veio, a resposta costuma ser só: “Ainda”, de quem diz que ainda não.

[Vídeo: A bola rola lenta numa Beira em recuperação contínua]

Para quem acaba de chegar e vê a cidade à sua volta, é impossível que a Beira esteja normal. O exercício de tentar perceber o que estava destruído antes do ciclone e o que foi derrubado pela catástrofe é tão interessante quanto estéril. Afinal, antes da tragédia, Moçambique já era um dos dez países mais pobres no mundo. Agora, ficou ainda mais pobre, ainda mais frágil.

“Sozinhos não temos nem meios nem capacidades para reconstruir o que ficou destruído. Mas agora levanta-se tudo. Com a ajuda de todos, vamos lá.”
Isac Mabota, 65 anos

Nesta fila de multibanco, porém, parece haver uma insistência militante em mostrar que não. Se fecharmos o ângulo de visão e olharmos apenas para aquela fila, vemos um país que não é, para já, o verdadeiro Moçambique. Ali, de forma organizada e calma, vários adultos esperam em fila. As paredes exteriores do banco estão imaculadamente limpas, o chão parece ter sido varrido e lavado, além de que as pessoas que ali esperam parecem levar as suas melhores roupas, enquanto se abrigam às sombras do vários prédios ali construídos. Está tudo normal e, por isso, alguns estranham que ainda se lhes pergunte pelo ciclone de 14 de março.

“Estamos a regressar à vida de antes, estamos a chegar lá”, diz Isac Mabota que, com 65 anos, é técnico no Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique. “Nas calmas…”

Isac Mabota que, com 65 anos, é técnico no Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quando soube que vinha a caminho da Beira mau tempo, Isac Mabota fez o que sempre costuma fazer quando há anúncios desse género. Foi a uma loja e comprou o normal: “Já sabíamos que ia haver alguma coisa, então saí de casa antes e fui comprar água e velas. Essas coisas normais, do costume”.

No dia 14 de março, dia em que o ciclone entrou na Beira, Isac ainda teve a ilusão de que era um temporal comum. “Começou devagar, foi-nos mastigando, mastigando… Mas depois parou”, disse. “Passava pouco da meia-noite e aquilo parou. Pensei logo: ‘Já foi, até à próxima’. Mas depois, à 1h30, é que veio em força. Partiu tudo o que apanhou.”

No caso de Isac Mabota, partiu em concreto a garagem da sua casa, que desmoronou por completo. “Tinha aquilo tudo ajeitado, tudo bonito, lindo, mesmo. E o ciclone derrubou aquilo tudo”, conta. Em perdas, porém, é só isso que tem lamentar. “Felizmente, estamos todos bem na família. Fomos apertados pelo ciclone, mas ninguém se magoou e isso é o que mais importa.”

“O prédio parecia que dançava com o vento, era como se fosse um barco.”
Sadira Daúto, 42 anos

Agora, estaciona o carro na rua. E, nos próximos tempos, junta o que tiver a juntar para reconstruir a garagem. Diz dela o mesmo que diz do país: “Sozinhos não temos nem meios nem capacidades para reconstruir o que ficou destruído. Mas agora levanta-se tudo. Com a ajuda de todos, vamos lá.”

Também Sadira Daúto, de 42 anos, já olha para a frente, por mais que olhe para o que esteve atrás. Viveu o ciclone fechada em casa, um apartamento no 9º andar. “O prédio parecia que dançava com o vento, era como se fosse um barco”, conta. Quando percebeu que não era apenas vento e chuva, mas antes um ciclone mortífero, tapou as janelas com montes de toalhas e lençóis, para poder travar o vento.

Foi em vão. A meio da noite, aquela fraca barreira já estava quebrada. “O vento partiu uma janela e, a seguir, foram logo duas fechaduras de portas ao pé dessa janela. Choveu lá para dentro, ficou tudo molhado”, recorda.

Terminais multibanco na zona Oeste da cidade da Beira. A fila está grande, mas é normal, é assim que costuma ser a esta hora (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Em casa, os móveis estragaram-se todos — são agora conjuntos de madeira apodrecida, que enchem o apartamento de mofo e que terão de ser substituídos a breve trecho. Enquanto isso, já estão a ser mudadas portas, janela e o chão. “Estive estas semanas todas em cima do senhorio, para ver se ele arranjava aquilo. Hoje, finalmente, já lá tem o homem dele para pôr janelas, vidros e chão”, diz. Ao lado, também na fila do multibanco, tem uma filha adolescente, que sorri de forma tímida quando lhe fazem perguntas. “Ela ficou um pouco traumatizada com tudo que se passou…”, diz a mãe. Mas di-lo a rir, como quem fala já de males passados. “Nas calmas, vamos nas calmas”, assegura.

Esta forma de estar surpreende quem não conhece o povo moçambicano. Joana Pinheiro é psicóloga e está na Beira, integrada na missão da Cruz Vermelha Portuguesa. Chegou a 24 de março, quando passavam 10 dias do ciclone. Desde então, tem desafiado as noções que tinha de zonas de catástrofe. Nos últimos anos, trabalhou em cenários como estes: esteve nos incêndios de Pedrógão Grande, em 2017; foi também ao incêndio de Monchique, no verão de 2018. Ali, encontrou pessoas em choque, incapazes de avançar com as suas vidas depois de perdas quase ou mesmo irreparáveis. Em Moçambique, nem tanto.

“As pessoas que vimos até hoje apresentam uma sintomatologia que não corresponde ao que nós entendemos ser uma situação de exceção, como esta de facto foi. Aqui, quando perguntamos a quem não tem onde dormir se estão cansados e com problemas para lidar com a situação, a resposta é só ‘não’.”
Joana Pinheiro, psicóloga da Cruz Vermelha Portuguesa

“As pessoas que vimos até hoje apresentam uma sintomatologia que não corresponde ao que nós entendemos ser uma situação de exceção, como esta de facto foi”, diz. “Aqui, quando perguntamos a quem não tem onde dormir se estão cansados e com problemas para lidar com a situação, a resposta é só ‘não’.”

A capacidade dos moçambicanos para seguirem em frente, pelo menos mentalmente, parece ser enorme. “Quando alguém nos diz que, por exemplo, as chapas do telhado voaram todas e agora não têm teto, ou que não estão a conseguir dar comida aos filhos, nós, que ouvimos essas histórias, ficamos em choque”, conta. “Mas eles não. Logo arranjam uma maneira de ir buscar uma chapa aqui e outra ali para compor o telhado e de uma maneira ou de outra arranjam comida para os filhos.”

“Eles são muito resilientes”, completa a psicóloga. “Avançam logo.”

No Sporting Clube da Beira, a bola já rola — mas falta mais de metade da equipa

É essa mesma resiliência de que fala a psicóloga Joana Pinheiro que se vê no campo do Sporting Clube da Beira. Ao final da tarde, já a luz vai desaparecendo à medida que o sol se põe, um grupo de rapazes entre os 6 e os 16 anos, todos descalços, juntam-se naquele retângulo de terra batida para fazer aquilo que mais parecem gostar de fazer: jogar à bola. Mas um deles, o treinador, que se apresenta como Julinho, quer que façam mais. Não é para jogar à bola, é para jogar futebol. Nada mais, nada menos, naquele campo à beira do mar, onde as balizas são feitas com dois ramos de árvore cravados na terra e onde, após um presente de um “senhor estrangeiro”, se passou a jogar com uma “bola a sério” e se pôs de reserva a bola de panos forrada com um saco de plástico.

É Julinho, com 15 anos, quem manda ali e disso não sobram dúvidas. Ele nem é o mais velho do grupo — há um jogador com 16 anos, mas nem este escapa às ordens do técnico da equipa mais jovem do Sporting Clube da Beira. “Passa! Passa a bola!”, grita. E depois torna a gritar: “Recua!”. E, quando é para atacar, a ordem é clara: “Para cima deles!”. Quem desobedece às ordens do mister ou erra em campo — ali todos sabem que um passe mal feito, uma jogada desperdiçada ou um empurrão ou rasteira fora de tempo podem sair caro — é imediatamente posto fora de campo. Fica de castigo e só regressa ao campo quando Julinho quiser.

Julinho, com 15 anos é o treinador de futebol há um ano. Ele e os seus 25 jogadores treinam todos os dias (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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Ali, pois, a normalidade também parece estar a assentar. A bola rola, o treinador manda e os jogadores obedecem quando lhes apetece e convém.

Tirem-se, porém, os olhos do campo e perceba-se o que está à volta para entender que a normalidade ainda está longe. Ali à volta, o ciclone destruiu grande parte do que ainda se mantinha de pé naquele clube de alguma glória, toda ela passada, como foi a Taça Nacional de Moçambique, em 1979. Na sede do clube, o maior edifício daquele complexo, são poucas as chapas que se mantêm no telhado. O mesmo se pode dizer de muitas das casas ali em volta. E, não muito longe do campo, continuam tombadas árvores centenárias, que o vento arrancou pela raiz.

E mais se entende isso quando se fala de quem ali falta. Afinal, nem metade da equipa original está ali. Além dos 11 que apareceram a este treino de segunda-feira à tarde, faltam outros 14. Ainda não foram aos treinos desde que o ciclone ali passou. Entre os que apareceram, sabe-se que nenhum ficou com a casa totalmente destruída nem perdeu familiares. Mas, entre os que não treinam desde o 14 de março, há pelo menos um que não terá tido a mesma sorte. “Não sabe da mãe dele”, explica um dos rapazes.

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“É complicado, mas há de vir, nas calmas”

José Zunguza está sentado no pátio da sua casa, que fica no bairro do Macurungo. Está no lado da cidade oposto àquela fila de multibanco e, aqui, a distância não é apenas uma medida geográfica — é também outra realidade. Os prédios dão lugar às casas apenas com piso térreo, onde os tetos são, por norma, de chapa de zinco ou de “lusalite” e é rara a janela que não leve uma grade. As ruas que estavam esburacadas antes do ciclone, mais esburacadas ficaram — e, algumas delas, estão ainda alagadas. Noutras, amontoam-se longas filas de lixo, algumas delas em autocombustão.

Ainda assim, este polícia de 63 anos apresenta-se com calma e sorriso fácil. “O ciclone foi complicado. Mas já passou, já lá vai”, diz, sentado numa cadeira de plástico. Na noite da tragédia, porém, a calma não foi tanta assim. Antes pelo contrário. Naquela casa vivem quatro adultos e duas crianças, que ficaram o tempo todo do ciclone fechados entre portas — e, com eles, os quatro patos que José Zunguza cria no pátio. O maior susto deu-se quando o coqueiro que estava plantado junto ao muro da entrada caiu. Os mais de 20 metros da árvore não resistiram ao vento e bateram com estrondo no chão — falhando a casa por menos de dois metros, mas acertando em cheio na fossa séptica que servia a família.

José Zunguza, de 63 anos com a sua família à porta de sua casa (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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“Foi uma sorte e foi um azar ao mesmo tempo, mas foi mais a sorte”, diz José Zunguza, fazendo o balanço ao que se perdeu e ao que se manteve.

Desde o ciclone, há boas notícias naquela casa — mais propriamente entre os patos. De quatro, fizeram-se quase 20, depois de vários ovos terem sido chocados durante os dias que se seguiram ao ciclone. É na direção deles que José Zunguza manda pedaços de um peixe seco, escalado em cima de uma folha de jornal do qual as moscas mal levantam voo. “Não há farelo, não consigo encontrar em lado nenhum. Ou lhes dou isto ou não lhes dou nada”, explica, num encolher de ombros.

Nada parece perturbar José Zunguza. Perguntamos-lhe dos assaltos que muitos relatam, nos dias que se seguiram ao ciclone, com o roubo de chapas para o telhado a disparar. A resposta faz lembrar a fila de multibanco: “É normal, larápios sempre houve”. Perguntamos-lhe se tem medo das doenças que agora espreitam um pouco por toda a região, entre as quais a cólera. A resposta é dada quase em desafio: “Ter medo? Não… É uma doença”. Perguntamos-lhe se pensa ter a fossa séptica arranjada em breve. E ele devolve: “Tenho de ver isso”. E a água potável? “É complicado, mas há de vir, nas calmas. Até lá, temos de ter cuidado”.

Neta de José Zunguza no quintal de sua casa e do lado direito o coqueiro que terá caído com os fortes ventos do ciclone (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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Horas depois, a menos de 300 metros da casa no Centro de Saúde Urbano de Macurungo, centenas de pessoas, a franca maioria mulheres e adolescentes com os filhos por perto, faziam fila para receberem garrafões cheios de água potável. Ali, em poucas horas, uma ONG dinamarquesa montou um sistema que permite àquelas pessoas beberem e cozinharem em segurança: de um lado, um furo artesiano puxa água do solo, que é bombeada para tanques que a filtram. Depois, é só abrir a torneira. Também nesta fila, que se formou em menos de nada, impera a calma. Debaixo de um sol abrasador, com filhos pelos braços e a correr em volta, aquelas mulheres esperam a sua vez. Nas calmas. É normal.

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Um cadáver ao virar da esquina

De volta à fila de multibanco, continua a insistir-se na normalidade. Agora, é Sílvio Fernandes quem o faz. A primeira coisa que este motorista de pesados de 52 anos diz é que não estava em Moçambique no 14 de março. “Estava no Congo, em trabalho”, recorda. Quando soube que o ciclone se aproximava de Moçambique, pegou no telefone e começou a ligar à mulher.

“Acompanhei tudo de lá. Falava com a minha mulher e com as minhas filhas e elas iam-me contando como as coisas estavam. Mas depois deixei de conseguir falar com elas”, recorda. Nessa altura, passou-lhe tudo pela cabeça: a mulher e as filhas podiam ficar em perigo, o ciclone podia tirar-lhes a vida e não deixar nada para trás da casa que ajudou a erguer há mais de 20 anos.

Zona Oeste da cidade da Beira onde está um multibanco e onde na mesma rua foi encontrado um cadáver (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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Assim que pôde, voltou. Quando chegou à Beira, respirou de alívio: a família estava toda bem e escaparam ilesos ao ciclone, ao contrário das pelo menos 598 vítimas mortais, que morreram sobretudo do outro lado do rio Pungué, que separa a cidade da Beira de Búzi. “Fiquei logo mais calmo”, conta.

Mas houve estragos. Tal como a tantos outros, voaram-lhes as chapas do telhado. Quando foi procurá-las, Sílvio Fernandes percebeu que aquilo que antes do ciclone lhe custaria cerca de 80 mil meticais (pouco mais de 1100 euros) passou agora a valer 147 mil (cerca de 2025 euros).

Mas comprou-as. “Não tenho outra solução. Nestas situações, há sempre gente que se aproveita. É sempre, ‘seeeempre’ assim. É normal”, sublinha. “Mas nós vamos fazer o quê? Temos de dar segurança às nossas famílias. Então fui lá e comprei.”

Vista aérea de um dos bairros nos arredores da cidade da Beira (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

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Agora, garante, está mais descansado. “Amanhã já volto para o Congo, tenho trabalho à espera.”

Perguntamos-lhe se já não teme pela segurança da sua família. Além das questões de segurança e falta de recursos, questionamos se as doenças que agora ameaçam a região não o assustam. “Isso é normal nestas situações, mas o importante é ter cuidado…”, diz, para depois se interromper a si próprio. “Mas, por acaso, ainda há uns 30 minutos, até menos, tiraram um corpo dali daquele prédio”.

Sílvio Fernandes aponta para dois prédios à frente, referindo-se ao vão de escada entre uma padaria e um edifício governamental.

“Sabe a causa da morte?”, questionamos.

O motorista de 52 anos devolve apenas um silêncio e uma expressão algo confusa.

“Terá sido cólera?”, especulamos.

Sílvio Fernandes hesita responder, mas acaba por dizer: “Não sei. É possível”. Fica a dúvida, enquanto a fila avança. A notícia de morte lembra sempre o difícil que foi aquilo que passou. Mas é normal.

O Observador viajou para Moçambique a convite da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, que apoiou a viagem desta segunda missão da Cruz Vermelha Portuguesa.

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