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JÚLIO LOBO PIMENTEL/OBSERVADOR

JÚLIO LOBO PIMENTEL/OBSERVADOR

Teresa Leal Coelho: "Rangel foi muito útil ao PSD, mas ainda não conheço o leque de candidatos"

Teresa Leal Coelho diz que Passos é "um homem adequado" para colocar o país no "patamar" necessário, mas diz que é preciso respeitar o facto de se querer "dedicar à sua vida familiar".

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Teresa Leal Coelho foi a última candidata do PSD em Lisboa e enfrentou, sem sucesso, Fernando Medina em 2017. Em entrevista à Vichyssoise, da Rádio Observador, a vereadora do PSD revela que ligou logo a Carlos Moedas assim que soube que era candidato a oferecer ajuda, mas não para ocupar qualquer cargo. A antiga vice-presidente do PSD não tem dúvidas: Passos Coelho é o “homem adequado” para “conduzir uma equipa para colocar Portugal no patamar que ambicionamos”. Ainda assim, diz que é preciso respeitar o facto do antigo primeiro-ministro se querer dedicar à sua vida familiar.

Sobre uma eventual candidatura de Paulo Rangel à liderança do PSD diz que foi “um elemento muito útil” do partido e que “ajudou sempre” Passos Coelho num momento difícil. Ainda assim, não se quer comprometer com nenhum nome já que ainda desconhece o “leque dos candidatos que eventualmente irão avançar em janeiro de 2022″.

Pouco Moedas, muitos milhões e o partido PRR

Está a chegar ao fim das suas funções de vereadora na câmara de Lisboa. Vai ter saudades deste cargo?
Em princípio saudades eu só tenho no futuro. Eu saio deste cargo de consciência tranquila, com a intervenção que o PSD pode ter no município de Lisboa durante estes quatro anos. Nós tínhamos uma aposta forte num conjunto daquelas que são as prioridades para a cidade de Lisboa, algumas delas, como a habitação, tivemos isolados em 2017 a defender que era a prioridade para a cidade de Lisboa e apresentámos um conjunto de propostas logo em período de campanha eleitoral e depois também durante o período de execução do mandato. Nem todas elas foram acatadas. Mas, efetivamente, saudades do futuro e consciência tranquila pelo mandato que desempenhei nestes quatro anos em Lisboa.

"O único incómodo que levo daqui é o facto de as estruturas locais terem conseguido afastar José Eduardo Martins"

Foi muito maltratada pelas estruturas em Lisboa, com várias divergências públicas entre as partes. Sentiu-se alguma vez traída nestes quatro anos?
Eu não tenho esse tipo de estados de alma. Sou focada naquilo que são os objetivos que pretendo atingir e aqui, enquanto vereadora da câmara municipal de Lisboa os meus objetivos dirigiam-se à cidade, à população de Lisboa. Naturalmente que tenho uma visão para a cidade de Lisboa, que todos nós conhecemos que tem determinadas características, problemas e ameaças que necessitam de soluções e foi nisso que eu me concentrei nestes quatro anos. E concentrando-me no trabalho é isso que retiro dos quatro anos como vereadora na câmara municipal de Lisboa. Mas há uma coisa que eu devo acrescentar: o único incómodo que levo daqui é o facto de as estruturas locais terem conseguido afastar José Eduardo Martins, que era suposto liderar a equipa na Assembleia Municipal, mas efetivamente foi maltratado e afastado dessas funções. É lamentável porque é uma pessoa muito capaz, competente e com a qual eu contava nestes quatro anos.

Chegaram a retirar-lhe a confiança política numa reunião da concelhia. Como ficou esse processo?
Eu gostaria de falar de Lisboa aos cidadãos de Lisboa. Efetivamente houve uma deliberação da concelhia nesse sentido, que não tem nenhum efeito jurídico e, portanto, eu mantive as minhas funções enquanto vereadora da câmara municipal de Lisboa eleita nas estruturas do PSD. Devo dizer-lhe que a concelhia tentou que a distrital do PSD de Lisboa acompanhasse essa decisão e a distrital não acompanhou. Nem a nacional. E, portanto, senti-me muito bem acompanhada pelo PSD e também por muitos munícipes na cidade de Lisboa.

"Naturalmente, a minha campanha não funcionou."

Olhando para trás já consegue perceber o que esteve na origem desse mal resultado em 2017? De que forma tudo isto que acabou por descrever pode ou não influenciar aquilo que está hoje em jogo para o PSD na corrida à câmara de Lisboa?
Se o trabalho que o PSD desenvolveu nestes quatro anos na câmara municipal de Lisboa tivesse efetiva projeção [podia ajudar a candidatura de Moedas]. As câmaras municipais funcionam não com reuniões públicas, que são apenas pontuais, mas com uma maioria de reuniões privadas. O que significa que o trabalho que se desenvolve nem sempre é conhecido. Como não são conhecidas as propostas que são apresentadas e aprovadas.

Mas isso acontece só com o PSD?
Não. Estou a falar do modelo de funcionamento das câmaras municipais. Não tem a projeção mediática que tem o trabalho na Assembleia da República. Fui deputada à AR e faço esta comparação. Isto significa que, muitas vezes, não têm a perceção daquela que é a visão para a cidade de cada um dos partidos. E muitas vezes há muito ruído com questões que são colaterais, que não interessam aos munícipes.

E acha que essas lutas internas no PSD prejudicaram a visibilidade das propostas?
A ausência de visibilidade das propostas de uma vereação na oposição resulta de se tratar de trabalho que se faz em reuniões privadas. Há matérias com mais interesse, outras com menos e são projetadas com maior ou menor intensidade. Não só o programa eleitoral que apresentei em 2017 era muito ajustado para a cidade de Lisboa. Posso dar-lhe um exemplo: Medina diz que neste momento a sua prioridade é a habitação, o PSD em 2017, disse que a prioridade das prioridades era a habitação. E a transparência, que passava por uma revolução no urbanismo. Se há razão para uma câmara municipal existir é precisamente o urbanismo.

Fala em urbanismo e transparência e é impossível não recordar que ajudou a que Manuel Salgado ficasse Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) contra aquilo que era a indicação do PSD/Lisboa.
O que estava em causa era uma recondução. O PSD, pela minha mão, apresentou uma proposta na reunião de câmara para retirar o poder político à SRU. Isto é: quando Manuel Salgado foi reconduzido para a SRU, a SRU já não estava munida do poder de licenciamento, de conceder alvarás, era apenas uma empresa de concessão das deliberações que eram tomadas no âmbito da câmara municipal de Lisboa. Portanto, há aqui uma falácia, quando se julga que Manuel Salgado ou a atual estrutura da SRU pode decidir licenciamentos, alvarás. Não pode. E porque o PSD apresentou proposta na CML que foi aprovada e retirou esse poder. Não estamos a falar de uma entidade com os poderes que tinha antes, portanto Manuel Salgado foi reconduzido para uma estrutura esvaziada de poder político.

"Pedro Passos Coelho fez um trabalho extraordinário em Portugal. Tomou as medidas necessárias e difíceis. Foi estoico na resposta àquilo que foram desafios e os problemas que eram efetivos em Portugal."

Nas últimas eleições, Passos Coelho foi muito criticado pela forma como geriu as autárquicas. Lisboa foi uma das principais falhas apontadas. Sente-se responsável pela saída de Passos Coelho?
No dia das eleições responsabilizei-me pelo resultado das eleições individualmente. Aliás, devo mais uma vez fazer um elogio a José Eduardo Martins que fez questão de se corresponsabilizar comigo do resultado das eleições. Naturalmente, a minha campanha não funcionou. E, por isso mesmo, hoje tenho de fazer o balanço do meu mandato, para que os cidadãos em Lisboa tenham a perceção do trabalho não conhecem, que o PSD desenvolveu nestes quatro anos e que valorizou bastante a cidade de Lisboa sempre que conseguimos levar a bom porto aquilo que foram as nossas iniciativas.

Teresa Leal Coelho na campanha de 2017 com Pedro Passo Coelho

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Olhando a esta distância acha que Passos Coelho devia ter continuado?
Não vou responder a essa questão. Passaram quatro anos. Pedro Passos Coelho fez um trabalho extraordinário em Portugal. Tomou as medidas necessárias e difíceis. Foi estoico na resposta àquilo que foram desafios e os problemas que eram efetivos em Portugal.

"Se me pergunta, Passos Coelho é um homem adequado para conduzir uma equipa para colocar Portugal no patamar que ambicionamos"

E já agora, que também estamos num momento difícil para Portugal, de recuperação pós-pandemia, Pedro Passos Coelho é um nome a ter em conta nos próximos tempos. Veria com bons olhos um regresso de Passos Coelho para essa tentativa de chegar ao cargo de primeiro-ministro?
Tenho imenso respeito e consideração por Pedro Passos Coelho. E Pedro Passos Coelho já afirmou por diversas vezes que neste momento a sua prioridade é a vida familiar e respeito isso. Se me pergunta se considero que é um homem adequado para conduzir uma equipa para colocar Portugal no patamar que ambicionamos, com certeza que sim. Por isso é que o acompanhei e não o acompanhei só naqueles oito anos de presidência do PSD. Acompanhei-o muito antes e, portanto, claro que sim. E podemos ir ao balanço do PSD na cidade de Lisboa que é muito inspirado também na linha de orientação da linha de pensamento de Passos Coelho.

Nós comungamos naturalmente uma visão social-democrata para a resolução dos problemas, tivemos um mandato que foi complexo e que devíamos dividir em duas fases, uma primeira pré-pandemia e uma segunda fase durante a pandemia e o PSD esteve presente permanentemente com propostas muito adequadas e a resolver e a prevenir novos problemas.
Deixe-me dar um exemplo que provavelmente não sabe, no dia 26 de fevereiro de 2020, mesmo antes do estado de emergência estar já declarado em Portugal, o PSD na Câmara Municipal de Lisboa apresentou uma proposta, uma moção que continha uma proposta, mas que era moção porque dependia também do Governo e não podia ser proposta de deliberação da câmara e que se chamou plano de contingência para combate à Covid-19. E nesse dia o PSD apresentou uma proposta que propunha de imediato o controlo das chegadas no aeroporto, das chegadas no terminal de cruzeiros e em autocarros e comboios provenientes de Espanha ou Itália e esta proposta que podia ter sido imediatamente executada e podíamos ter tido controlo de fronteiras, ou seja, podíamos ter rastreado o vírus à entrada de Portugal nestes locais e [a proposta] foi chumbada pelo executivo camarário e o rastreio veio a ser feito muito mais tarde. Isto tinha impedido uma contaminação maciça das pessoas que vieram de férias da neve, de viagens que fizeram nesse período. Houve sempre uma responsabilidade assumida pelo PSD que nem sempre foi acompanhada.

"Qualquer militante do PSD tem o direito e a legitimidade de ter a ambição de se candidatar à liderança do PSD"

Já que falava de pessoas que vêm de fora. Paulo Rangel tem estado muitas vezes em Bruxelas, mas agora tem estado muito presente na campanha do PSD um pouco por todo o território continental. Como olha para essas alegadas lutas internas sobre as quais Rui Rio já disse que neste momento não é o melhor para o partido?
Não estou de acordo que sejam lutas internas, qualquer militante do PSD tem o direito e a legitimidade de ter a ambição de se candidatar à liderança do PSD. É assim…

Quer dizer que dá como garantida essa candidatura de Paulo Rangel à liderança do PSD?
Não dou como garantido porque nunca lhe perguntei se vai ou não concorrer, mas porventura teremos diretas em janeiro e porventura surgirão candidatos.

E Paulo Rangel será um bom candidato?
Eu não tenho um leque dos candidatos que eventualmente irão avançar em janeiro de 2022 e farei esses comentários na altura e também não sou comentadora política, agora se me perguntar se tive sempre boas relações e se acho que Paulo Rangel foi um elemento útil no partido e durante um período difícil para Pedro Passos Coelho ajudou-o sempre, isso sem dúvida nenhuma.

Paulo Rangel foi um elemento útil no partido e durante um período difícil para Pedro Passos Coelho. Mas não tenho o leque de candidatos

Uma das pessoas que também são sempre referidas como potenciais candidatos à liderança é Carlos Moedas, que neste momento é candidato à presidência da câmara de Lisboa, chegou a ser sondada para integrar esta candidatura e como avalia até agora a campanha de Carlos Moedas?
Mal tomei conhecimento da candidatura de Carlos Moedas a Lisboa telefonei-lhe para me disponibilizar para lhe dar todo o apoio, mas nunca para me disponibilizar para continuar. Estou há oito anos na Câmara Municipal de Lisboa, não estou só há quatro anos, fiz mais de oito anos de mandato como deputada à Assembleia da República, fiz um mandato como presidente da comissão de Orçamento e Finanças. Quando me disponibilizei juntamente e a par e passo com Passos Coelho para acompanhar este projeto foi por oito anos, porque tenho uma profissão e exerço-a e nunca deixei de a exercer. Sou professora universitária e é essa a minha vida. Mas como entendo que todos os cidadãos, sobretudo aqueles cuja vida sustentável, estável, todos os cidadãos que têm essas condições de vida devem devolver ao país o que o país lhes proporcionou e por isso mesmo estive disponível inicialmente por oito anos, já lá vão dez anos. Tenho de retomar em plenitude a minha vida académica, porque é essa a minha profissão e é isso que me caracteriza.

Aceitaria voltar a ser vice-presidente do PSD?
Não vou trabalhar sobre hipóteses e vou aproveitar essa pergunta para responder sobre algumas questões que nós trabalhámos, que o PSD levou a cabo na cidade de Lisboa nos últimos quatro anos.

Estamos a chegar ao fim da entrevista e vamos avançar para o segmento Carne ou Peixe:

Em quem preferia acertar  com uma bola de vólei: Luís Newton ou Sofia Vala Rocha?
Com uma bola de vólei prefiro acertar na equipa adversária, em Fernando Medina.

Preferia ser ministra num Governo de Rui Rio ou de Paulo Rangel?
Não estou disponível para ser ministra, nunca estive porque isso não me permite em simultâneo exercer a minha atividade académica.

Preferia aderir à maçonaria ou ao PS?
A nenhum dos dois.

Preferia voltar a ser vice-presidente da SAD do Benfica ou do PSD?
Do PSD, claro. Preferia mas não tenho esse propósito.

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