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Ilustração de Luis Grañena

Ilustração de Luis Grañena

Uma entrevista interrompida e uma multidão um dia antes de Obama. A campanha nos EUA continua a girar à volta de Trump /premium

Tudo o que tem de saber sobre o que se passa na campanha dos EUA. Com Biden fora da caravana, a campanha é toda para Trump, que interrompeu uma entrevista e juntou mais uma multidão num comício.

Todos os dias fazemos-lhe um resumo do que se está a passar na campanha eleitoral nos Estados Unidos: as principais histórias do dia, as frases descodificadas, fact checks e recomendações de leitura para estar sempre bem informado até à eleição do próximo Presidente.

O que se passa na campanha

Donald Trump continua a campanha a todo o gás. Com o oponente, Joe Biden, a optar por se manter fora dos holofotes enquanto se prepara para o debate decisivo de quinta-feira, o Presidente norte-americano não descansa e concentra todas as atenções. Trump continua a percorrer o país, de “swing-state” em “swing-state”, para tentar inverter a tendência das sondagens — que apontam para uma vitória de Biden com uma margem de 10 pontos percentuais.

1Trump abandona entrevista do “60 Minutos” a meio e promete divulgá-la antes da exibição do programa

Esta terça-feira, Trump esteve na Pensilvânia, um estado fundamental. Com direito a 20 votos no Colégio Eleitoral e ainda com alguma indecisão, uma vitória naquele estado será crucial para que Trump consiga a reeleição. Em 2016, o Presidente conseguiu ganhar a Pensilvânia por uma curtíssima margem (só 50 mil votos num universo de 6 milhões o separaram de Hillary Clinton). Ficou com os 20 lugares do Colégio Eleitoral que quatro anos antes haviam ido para Obama e tornou-se no primeiro republicano a ganhar aquele estado desde 1988. Este ano, porém, Trump está em risco de voltar a perder o estado: as sondagens mais recentes dão a Joe Biden 50,6% das intenções de voto, contra 44,2% para Trump.

No comício, no aeroporto de Erie, repetiu-se o cenário: uma grande multidão de apoiantes de Trump gritavam “mais quatro anos” e muitos não usaram máscaras. O Presidente aproveitou o facto de Joe Biden referir que passou parte da infância na Pensilvânia para criticar o opositor: “Não é o estado natal dele. Ele abandonou-vos quando tinha nove anos, não foi? Não estou a dizer que a culpa é dele. Mas ele gosta de andar a dizer ‘oh yeah, é o meu estado natal’. Não é o estado natal dele. Eu andei na universidade na Pensilvânia”.

“Se ganharmos a Pensilvânia, ganhamos isto tudo”, garantiu Trump aos apoiantes. A Pensilvânia é de tal maneira um estado crucial para a eleição do próximo mês que ambas as campanhas estão a apostar em atividades de campanha fortes ali. Do lado dos democratas, que têm tido uma campanha muito calma, quase sem eventos públicos na maioria dos dias, a Pensilvânia será uma aposta forte: na quarta-feira, o ex-presidente Barack Obama vai àquele estado fazer um comício “drive-in” em Filadélfia. Durante o discurso de terça-feira, Trump evitou críticas ao antecessor, ao contrário do que tem feito na maioria das vezes.

Todavia, o dia de campanha de Trump começou de forma turbulenta, com uma entrevista para o programa “60 Minutos”, da CBS, interrompida a meio. A notícia foi dada a meio da tarde pela CNN, que diz que a equipa da CBS esteve na Casa Branca na segunda-feira a montar o equipamento para a entrevista, que foi gravada na manhã de terça-feira e deverá ir para o ar no próximo domingo (num programa especial que inclui entrevistas a Trump, Biden, Harris e Pence). Porém, após 45 minutos de entrevista com a jornalista Lesley Stahl, Trump decidiu interromper, de forma abrupta, a entrevista — levantando-se e argumentando que a estação já tinha material suficiente. A informação foi confirmada à CNN por duas fontes presentes no momento da entrevista.

Mais tarde, o próprio Trump recorreu ao Twitter para alimentar a história. Durante a tarde, partilhou um vídeo de 6 segundos onde é possível ver a jornalista em pé, na Casa Branca, sem máscara. Na legenda do vídeo, Trump referiu esse facto: “Lesley Stahl do 60 Minutos a não usar máscara na Casa Branca depois da entrevista comigo. Muito mais para vir.” (De acordo com as fontes ouvidas pela CNN, o vídeo foi filmado imediatamente após o fim da entrevista, quando a jornalista ainda não tinha voltado a colocar a máscara.)

Duas horas depois, Trump voltou ao Twitter para anunciar que pretende partilhar o vídeo da entrevista, na íntegra, antes da exibição do programa. “Tenho a honra de vos informar que, para bem da exatidão, estou a considerar publicar a minha entrevista com Lesley Stahl do 60 Minutos, ANTES DA EXIBIÇÃO! Isto será feito para que toda a gente possa ter uma noção de como a entrevista foi FALSA e PARCIAL.”

2Debate será “encenado” e moderadora não é neutra, acusa Trump

Antes de seguir para o comício da Pensilvânia, Donald Trump teve ainda tempo de entrar, por telefone, no programa “Fox and Friends”, da Fox News, para deixar duras críticas ao formato do debate de quinta-feira, o último confronto televisivo entre os dois candidatos antes da eleição. Na segunda-feira, soube-se que o debate vai ter momentos em que o microfone do candidato que não estiver a falar será desligado, de modo a evitar o caos de interrupções que marcou o primeiro debate.

“Tudo isto é doido. É tudo encenado. Estamos a ganhar há tanto tempo”, disse Trump no programa, argumentando que a comissão independente que organiza os debates não é composta por “boas pessoas”. Ainda assim, o Presidente norte-americano aproveitou a deixa para troçar do rival: “Na verdade, o mais interessante é que dizem que se o deixarmos falar ele perde o fio à meada”.

Trump atacou também a moderadora do debate, Kristen Welker, antecipando que a jornalista da NBC não será imparcial. “Há por aí pessoas que conseguem ser neutras. Kristen Welker não consegue”, afirmou. A campanha de Trump já manifestou o seu descontentamento pelo facto de o debate de quinta-feira não se focar na política externa.

Nas entrelinhas

“Se uma proposta de lei apoiada pelo Presidente passar na Câmara dos Representantes, em algum momento vamos trazê-la a Senado”
— Mitch McConnell, líder da bancada republicana (maioria) no Senado

Esta frase, que foi dita por Mitch McConnell esta terça-feira quando questionado pelos jornalistas sobre uma possível aprovação pelo Senado de um pacote de estímulo económico de resposta à Covid-19, merece uma análise, não pelo que foi dito, mas pelo que ficou por dizer.

Importa perceber o contexto. Paralelamente à campanha eleitoral, que vai decorrendo de forma mais ativa do lado de Trump e mais resguardada da parte de Biden, a Casa Branca e a Câmara dos Representantes (onde os democratas têm maioria) estão a discutir um grande plano de estímulo à economia norte-americana na sequência da pandemia, que poderá representar um investimento na ordem dos dois biliões de dólares. As conversações têm sido lideradas, da parte da Casa Branca, pelo secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, e, da parte da Câmara dos Representantes, pela presidente do órgão, Nancy Pelosi. Esta terça-feira foi um dia importante neste processo negocial, uma vez que era o prazo para uma fase das conversações. Pelosi e Mnuchin estiveram reunidos durante a tarde, conversaram 45 minutos e, de acordo com o porta-voz da democrata, estão “mais próximos de chegar a um acordo”.

Do lado dos democratas, a posição tem sido clara: o partido pretende chegar a acordo o mais rapidamente possível, idealmente ainda esta semana, para que o programa (que inclui apoios diretos às famílias e incentivos à indústria e serviços) possa entrar em vigor em breve.

Porém, para os republicanos, o assunto está a interferir na campanha eleitoral. Se a Casa Branca ceder demasiado às exigências dos democratas e alinhar num plano que implique uma despesa pública na ordem dos milhões de milhões, como o que está em cima da mesa, o Partido Republicano pode perder o apoio de muitos eleitores conservadores em assuntos de política fiscal — que já se mostraram descontentes com as medidas do primeiro programa de estímulo, no valor de um bilião de dólares.

A verdade é que Donald Trump segue atrás de Joe Biden em praticamente todas as sondagens, com uma desvantagem na ordem dos 10 pontos percentuais. Mas, além da Presidência, no próximo dia 3 de novembro também está em causa o Senado — e há a séria possibilidade de o Partido Republicano perder a maioria que detém na câmara alta do Congresso. É o Senado que tem de aprovar todas as leis que entram vigor, e é o líder da maioria o responsável por agendar as votações no Senado

É aí que entra Mitch McConnell, que tem mostrado a sua oposição a um acordo que afaste os eleitores conservadores e possa pôr em causa a maioria republicana no Senado. De acordo com o The Washington Post e com o The New York Times, McConnell reuniu-se esta terça-feira ao almoço com um grupo de senadores republicanos e disse-lhes, em privado, que aconselhou a Casa Branca a não fechar acordo com Nancy Pelosi antes do dia 3 de novembro. A informação foi confirmada aos jornais, anonimamente, por republicanos presentes no almoço.

Aos jornalistas, que perguntaram a McConnell se o Senado aprovará a lei que resultar do acordo com a Casa Branca, o líder da maioria republicana respondeu apenas que, se a proposta chegar, “em algum momento” será levada a votação no Senado — não se comprometendo com uma data e deixando no ar a hipótese de só levar a proposta a votação depois das eleições.

Fact-check

Joe Biden tem uma mansão de luxo com um salário de senador, como disse o filho de Trump?

Nos últimos dias, tem circulado na internet a alegação de que Joe Biden, que ganha um salário de senador, tem uma mansão de luxo. A disseminação de informação negativa sobre o oponente é um clássico nas campanhas eleitorais norte-americanas, mas tem atingido novos níveis com Donald Trump. Esta alegação ganhou força quando Eric Trump, filho do Presidente, a partilhou no Twitter.

“O salário de um senador dos EUA é 174 mil dólares por ano. Esta é a casa de Joe Biden… Parece legítimo”, escreveu Eric Trump.

Porém, há aqui dois erros: por um lado, Joe Biden já não recebe um salário de senador desde que foi vice-presidente; por outro lado, aquela casa já pertenceu a Biden, mas o candidato democrata vendeu-a em 1996.

Segundo o USA Today, trata-se de uma casa com cinco quartos no estado do Delaware que está avaliada em 1,6 milhões de dólares. Joe Biden comprou a mansão nos anos 1970 por 185 mil dólares, quando soube que o edifício seria demolido por estar abandonado e precisar de obras. Durante cerca de vinte anos, Biden viveu ali, mas em 1996 vendeu-a ao banqueiro americano John Cochran por 1,2 milhões de dólares.

Conclusão: errado. A casa que Eric Trump mostra na fotografia não é de Joe Biden há mais de 20 anos, nem Biden ganha o salário de um senador desde 2009.

Kristen Welker é democrata, faz donativos a Biden e passou o Natal com Obama?

Ainda no campeonato da desinformação na internet, uma publicação de Facebook tem-se tornado viral entre os norte-americanos a menos de dois dias do debate entre Trump e Biden, numa tentativa de minar a credibilidade de Kristen Welker, a jornalista da NBC que vai moderar o encontro.

Na publicação, cuja falsidade foi confirmada pelo PolitiFact (membro da International Fact-Checking Network, IFCN, uma plataforma de fact checkers de que o Observador também faz parte), alega-se que Kristen Welker “doou milhares de dólares a Obama, Clinton e Biden, está registada como democrata e a família dela passou o Natal com os Obama na Casa Branca”. Além disso, é dito que a mãe da jornalista é “uma ativista por Joe Biden”.

Nenhuma destas informações é verdadeira. O PolitiFact confirmou nos registos eleitorais que não existe nenhum donativo alguma vez registado em nome de Welker e que a jornalista está recenseada em Washington DC sem filiação partidária desde 2016. Na eleição de 2012, Welker esteve recenseada como democrata.

Quem chegou a fazer donativos a campanhas democratas, incluindo a Biden, foram os pais de Kristen Welker, de acordo com os registos consultados pelo PolitiFact. A mãe de Welker disse à mesma plataforma que não é ativista por Joe Biden.

Quanto à alegação de que a jornalista chegou a passar o Natal com a família Obama na Casa Branca, a sustentação da informação é uma fotografia que mostra Welker e um outro homem na Casa Branca com Barack e Michelle Obama e decorações de Natal. Porém, trata-se de uma fotografia tirada numa festa de Natal habitualmente organizada pelo Presidente dos EUA para a qual são convidados os jornalistas acreditados na Casa Branca. A jornalista esteve numa festa semelhante organizada já no mandato de Donald Trump.

Conclusão: errado. A jornalista da NBC não está registada como democrata, não fez donativos a candidatos democratas nem passou o Natal com a família Obama.

A foto

A julgar pelas imagens dos comícios de Trump, não parece que tenham acontecido em 2020 ou que os EUA sejam o país com mais casos de Covid-19 no mundo. Foi na terça-feira na Pensilvânia

Getty Images

A opinião

No The New York Times, a colunista Jennifer Weiner escreve sobre a sua experiência como residente na Pensilvânia. “Bem-vindos à vida num ‘swing-state'”, diz ela, num texto em que descreve, muito detalhadamente, a agressividade com que tem sido abordada pelas duas campanhas eleitorais, que a estão a tentar convencer a ir votar antecipadamente, através de telefonemas insistentes, anúncios no YouTube e propaganda na caixa de correio:

On Tuesday afternoon, it was Karla texting my husband. On Saturday, it was Carin and Britney. Mara got in touch the next day. Susan and Debra reached out last week.

Normally, I would look askance at strange ladies blowing up my husband’s phone. But I know these women don’t want his time or his affections. They (and Julia, and Debra No. 2) want his vote.

Our phones aren’t the only things that have been crammed with election-year come-ons. An average day’s mail brings at least two pieces of campaign literature, plus a guide or two on how to correctly complete a mail-in ballot. On the digital front, Trump and Biden ads have invaded my YouTube feed and colonized my husband’s Scrabble app. I try to do yoga: There’s Joe Biden. He wants to watch football: There’s Donald Trump.

No The Washington Post, o colunista Dana Milbank rouba o estilo a Donald Trump e escreve um argumentário completo contra o Presidente norte-americano “em 600 PALAVRAS EM MAIÚSCULAS E 35 PONTOS DE EXCLAMAÇÃO”. Depois de Donald Trump ter recorrido ao Twitter para explicar em curtas frases, todas em maiúsculas, porque é que os eleitores deviam votar nele, Milbank faz o mesmo para defender os motivos pelos quais não devem votar no Presidente:

LETTING 220,000 AMERICANS DIE FROM COVID-19 — WORST IN WORLD. VOTE!
LOSING 3.9 MILLION JOBS IN FOUR YEARS — WORST IN RECORDED HISTORY. VOTE!
KNOWING PANDEMIC WAS “DEADLY STUFF” ON FEB. 7 BUT OPTING TO “PLAY IT DOWN” AND MISLEAD AMERICANS. VOTE!
PROPOSING BLEACH AS A COVID CURE, MOCKING MASK-WEARING, HOSTING WHITE HOUSE SUPERSPREADER EVENT AND SUGGESTING ANTHONY FAUCI IS AN “IDIOT.” VOTE!

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