A ex-candidata presidencial Ana Gomes perdeu a corrida eleitoral para o atual presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no passado mês de janeiro. Mas isso não tem sido motivo para que a embaixadora deixe de ser alvo de publicações nas redes sociais. No passado dia 20 de fevereiro surgiu uma publicação com um alegado tweet da socialista, onde estava escrito o seguinte: “Devíamos prender o André Ventura e suspender o partido Chega, nem que seja preventivamente. Racismo não é opinião, é crime?”. Data de 19 de fevereiro de 2021.  Terá atingido os 185 gostos. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.

Publicação viral que alega falsamente que Ana Gomes quer André Ventura preso.

Consultando o Twitter de Ana Gomes percebe-se que, nesse dia, a embaixadora esteve (como é habitual) bastante ativa naquela rede social. Entre retweets (mais de 20), partilhas de notícias e tweets sobre variados assuntos — vacinas contra a Covid-19 ou avisos de Bruxelas a Portugal —, não se registou nenhum sequer semelhante ao que foi partilhado pelo autor da publicação original.

Há, porém, pelo menos um que está relacionado diretamente com o Chega e com André Ventura: Ana Gomes retweetou quer Paulo Pedroso (ex-diretor da sua campanha presidencial) quer Mafalda Anjos (diretora da revista Visão), que falaram sobre um tweet de Ventura referente ao jornalista Miguel Carvalho, que já assinou diversos trabalhos sobre o partido do antigo militante social-democrata. Os dois alegavam nas suas publicações que o também ex-candidato presidencial está a tentar intimidar e perseguir jornalistas.

Mas, mais uma vez, a antiga candidata presidencial nunca se refere diretamente a André Ventura nos termos sugeridos pela publicação aqui analisada. Ou seja, trata-se de uma manipulação de imagem.

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Há ainda outro retweet de Ana Gomes relacionado com o líder do partido nacionalista, que se refere à entrada do Chega nos acordos parlamentares para a formação do governo nos Açores. Dentro desse conteúdo que Ana Gomes resolveu partilhar está uma peça da RTP1 sobre um “relatório internacional que alerta para a radicalização e normalização da extrema direita nos Açores, em Portugal e na Europa”. No entanto, não há qualquer referência à vontade da embaixadora em prender (ou, noutros termos, conseguir levar à detenção de) André Ventura.

Tweet sobre o partido Chega que Ana Gomes rewteetou a 19 de fevereiro deste ano.

Por outro lado, é verdade que Ana Gomes tem sido crítica recorrente do deputado único do Chega, especialmente no que diz respeito à existência do partido que Ventura lidera. Segundo o Diário de Notícias, no início de fevereiro, a embaixadora pediu à Procuradoria Geral da República para reavaliar a legalidade do Chega. “O Tribunal Constitucional [TC] e o Ministério Público [MP] não podem continuar a eximir-se à responsabilidade que lhe está cometida”, afirmou então. Além de pedir essa reavaliação, Ana Gomes solicitou ainda que fosse investigada a origem do financiamento do partido.

Mais recentemente, a ex-candidata recebeu uma resposta positiva por parte da Europol, que garantiu ter disponibilidade para apoiar as autoridades portuguesas na investigação ao Chega, tal como confirmado pela própria à RTP2.

Conclusão

Não é verdade que Ana Gomes tenha defendido na sua conta oficial de Twitter o seguinte a detenção de André Ventura.

Ao consultar a sua conta daquela rede social, é percetível que não existe nenhum tweet onde tenham sido escritas estas palavras. No dia 19 de fevereiro, altura em que a publicação alega que aquele tweet tenha sido escrito, a antiga candidata presidencial praticamente não falou do líder do Chega.

Fez, sim, dois rewteets nesse dia: um sobre uma reportagem da RTP1 que fala de um relatório internacional que alerta para a radicalização e normalização da extrema direita nos Açores, em Portugal e na Europa; e outro sobre acusações de que André Ventura estaria a perseguir um jornalista da Visão. Trata-se, portanto, de uma manipulação.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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