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A recuperação quando nasce é para todos? /premium

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3.020

Quanto perderam os portugueses que trabalham no sector privado, que têm empresas ou que trabalham por conta própria nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias? E a eles quem lhes devolve o que perderam?

Quero recuperar os valores que cobrava há 9 anos, 4 meses e 2 dias e agora não cobro.

Quero recuperar os impostos mais baixos que pagava há 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar a burocracia mais simples que vigorava há 9 anos, 4 meses e 2 dias ou que sendo complexa me roubava muito menos tempo.

Quero recuperar todo o tempo que perdi em reuniões nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias (para quem trabalha por conta própria esse tempo é quase sempre perdido).

Quero recuperar todos os projectos que desde há 9 anos, 4 meses e 2 dias me pediram e não me pagaram.

Quero recuperar os pagamentos que há 9 anos, 4 meses e 2 dias não me fizeram (e pelos quais fui obrigada a pagar IVA).

Quero recuperar um discurso jornalístico que fale de nós, os privados, sem sermos os suspeitos do costume. (Não é preciso englobar os últimos 9 anos, 4 meses e 2 dias. Basta ser na última semana)

Quero recuperar os dias que passei a fazer as borlas que me pediram nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar o tempo entre projectos que nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias obviamente não consegui cobrar a ninguém.

Quero recuperar a precariedade inerente a não ter a certeza que amanhã alguém me contrate. (Há 9 anos, 4 meses e 2 dias também já não tinha.)

Quero que a Autoridade Tributária não olhe para mim como o elo mais fraco e o saco sem fundo das políticas, dos programas, das iniciativas e do combate a isto e àquilo.

Quero recuperar as férias que quase não tive nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar um discurso político que fale de mim e que não me faça invisível como aconteceu nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar a tranquilidade de pensar que nunca tive nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias e dizer sem me desatar a rir da minha ingenuidade: esta semana trabalho 35 horas e não há problema algum.

Quero recuperar a certeza de que não olham para mim como um cidadã de segunda, coisa que tem acontecido sobejamente nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar o direito a reformar-me na mesma idade que os funcionários públicos, coisa que não aconteceu nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias e já antes deles.

Quero recuperar da fraude subjacente a ter de pagar o SNS e ouvir cada vez mais como aconteceu nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias, inclusive no SNS, “tem seguro de saúde?”.

Quero recuperar um ADSE para os privados. (Pronto os 9 anos, 4 meses e 2 dias já são passado. Basta de hoje em diante!)

Quero recuperar uma representação que leve o poder político a ter-nos em conta e não a contar com a nossa proverbial submissão como tem acontecido nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar a convicção de que Portugal não é um país com sistemas – o do público e do privado – nem que seja apenas por 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar o conceito de que uma empresa é uma empresa e não o espaço para a agit-prop dos governos e activismos que não cessaram de crescer nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero recuperar a certeza de que não inventam mais nenhum imposto, declaração, plano, taxa, registo, certidão ou programa para eu cumprir nos próximos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Quero esclarecer que nos últimos 9 anos, 4 meses e 2 dias os servidores do Estado deixaram de ser os funcionários públicos. Os servidores do Estado, ou melhor dizendo os novos servos da gleba-Estado, são os privados. Tudo indica que assim será nos próximos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

… E sobretudo quero, preciso, desespero por que Portugal tenha uma classe política à altura dos seus problemas. Nem que seja apenas nos próximos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

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