Repararam na mestria deste título? Pois é, trata-se de uma subtilíssima mescla de “África Minha”, a clássica película de 1985 em que estrelaram Meryl Streep e Robert Redford, com “Crime, Disse Ela”, o não menos célebre seriado televisivo em que Angela Lansbury encarnava Jessica Fletcher, uma escritora profissional e detective amadora que desvendava crimes, qual pós-menopáusico e bem menos petulante Sherlock Holmes.

Está bom de ver, creio, que isto vem a propósito de Isabel dos Santos. Geralmente apresentada como a mulher mais rica de África, neste momento, fazendo fé na imprensa mundial, a empresária junta a este título o título de mulher mais suspeita de desviar dinheiro do estado ao qual o pai presidiu durante quase quatro décadas de África. Como é óbvio, não serei eu a clamar “crime” nesta situação. Nem me deterei muito tempo no assunto. No meio de tanta moscambilha, era o que faltava ser eu a ficar detido.

Mas, na verdade, esta história só vem valorizar a presidência de José Eduardo dos Santos. Para quem salientava o atraso da economia angolana no que toca, por exemplo, à incapacidade de se internacionalizar, aqui fica a resposta. Está certo que não foi exactamente a economia angolana a internacionalizar-se. Foi mais a Isabel dos Santos a pegar nas economias dos angolanos e a internacionalizá-las, enviando-as para um vasto leque de empresas suas em paraísos fiscais. Concedo que não é exactamente a mesma coisa, mas é melhor que nada, não?

O marido de Isabel dos Santos, Sindika Dokolo, afirma que os documentos que serviram de base às investigações em curso foram roubados pelo pirata informático Rui Pinto. O mesmo hacker acusado de revelar os casos ligados ao futebol e à justiça portuguesa. A ser verdade, finalmente percebo aquele visual do rapaz, estilo ouriço-cacheiro. Antes de se pôr a piratear estes computadores, o Rui Pinto tinha uma guedelha toda acachapada, igualzinha à do Pavarotti. Foi só após vasculhar este material informático que ele ficou assim. É que isto são realmente tramóias de pôr qualquer um com os cabelos em pé. E agora esquece, Rui, isso já não volta ao sítio nem com sessões bi-diárias de alisamento japonês.

Enfim, o machismo vive dias de glória. Como se não bastasse Isabel dos Santos enfrentar graves acusações de corrupção, Joacine Katar Moreira viu o fundador do Livre, Rui Tavares, confirmar que também ele vai defender que o partido lhe deve retirar a confiança política. Ainda há escassas semanas, dizia Barack Obama num evento sobre liderança: “Estou absolutamente confiante que, se durante dois anos todas as nações do mundo fossem governadas por mulheres, veríamos uma melhoria significativa em tudo, nível de vida e rendimentos.” Saudade para este estadista visionário, que provou mais uma vez que “Yes, we can”. De facto, com boa vontade, conseguimos sempre ceder ainda mais um bocadinho ao politicamente correcto.

Bom, para desanuviar um pouco, as últimas notícias indicam que o número de vítimas mortais da nova forma de pneumonia identificada em Wuhan, no centro da China, voltou a aumentar. Está certo que isto é lá longe, mas receio o possível Efeito Borboleta. O Efeito Borboleta é a teoria segundo a qual o bater de asas de uma simples borboleta num lado do mundo pode provocar um tufão do outro lado do mundo. O meu medo neste caso é que, sendo os chineses tão fortes a exportar para a Europa todo o tipo de tralha, o bater de botas de um simples chinês no outro lado do mundo provoque uma nova peste negra deste lado do mundo.

E, já que falo de China e de falecimentos, é de aproveitar. Naquele país, um banqueiro foi condenado à morte, pena que pode ser convertida em prisão perpétua em caso de bom comportamento, por roubar 100 milhões de euros. Sem dúvida muito curiosas, as diferenças culturais entre aquela nação longínqua e o nosso Portugal. Já sabíamos que, por cá, um político tem de nascer duas vezes para ser mais honesto que Cavaco Silva. Descobrimos agora que um banqueiro tem de nascer 3.279 vezes para ter uma pena de prisão mais longa que um seu homólogo chinês que também furte avultadas maquias.