Vá lá, vamos correr atrás dos ricos e dos poderosos. Veio aí mais um paper.

(Ai, é verdade, tinha ADSE e agora já não pode ir ao seu médico de sempre? Azar o seu que escolheu um médico que não obedece cegamente ao Estado. Agora nem no regime livre – aquele em que o utente paga para depois ser reembolsado – pode ir ao seu médico ou fazer os tratamentos que começou. Mas quem se vai preocupar com estas questões quando tem tanto paper para analisar? Corra atrás dos ricos que isso faz muito bem à saúde!)

Os últimos papers chamam-se Pandora. Bonito nome, não é? Sempre ficam mais apessoados com nome de mulher, para mais na versão mitológica, porque isto de ligar os papers a países pode lembrar-nos a nós, portugueses, que estamos à espera desde 2016, dos nomes dos políticos e jornalistas que recebiam pagamentos do saco azul do GES. Esses nomes constavam nos  Panama Papers  mas continuamos sem os conhecer. Afinal, isto dos papers também tem os seus limites e as suas deontologias: divulgam-se nomes a trouxe mouxe mas só de alguns.

Seja como for, agora, em 2021, já não temos tempo a perder com essas minudências. Vêm aí os Pandora Papers!!! E mais uma vez lá vamos em corrida atrás dos ricos e poderosos. Correr atrás dos ricos é aliás o desporto mais praticado pelos povos que empobrecem. De Cuba à Venezuela, correr atrás dos ricos foi uma actividade de tal forma bem sucedida que no fim só sobraram pobres e, claro, um grupo muito restrito de ricos, a saber os líderes da corrida contra os ricos. Pôr o povo a correr contra os ricos é uma actividade de alta rentabilidade. Política e não só.

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