Rádio Observador

Economia em dia com a CATÓLICA-LISBON

Como ter aquela conversa que parece impossível: a arte e a ciência das conversas difíceis

Autor
  • João Matos

Infelizmente, demasiadas vezes acabamos por evitar ou adiar a conversa acerca destas questões difíceis, o que tem como resultado piorar ainda mais a situação.

Uma das competências mais necessárias para quem trabalha numa organização é conseguir ter conversas difíceis com autenticidade e foco. Tal implica perceber perspectivas diferentes, abordar assuntos delicados e dar feedback honesto. Infelizmente, demasiadas vezes acabamos por evitar ou adiar a conversa acerca destas questões difíceis, o que tem como resultado piorar ainda mais a situação. De facto, o que é mais importante – a fonte do desentendimento – normalmente não é óbvia nem fácil de abordar. No entanto, para fortalecer o relacionamento entre as pessoas, aumentar a motivação das equipas e conseguir melhores resultados organizacionais, torna-se essencial que consigamos abordar o que realmente interessa tanto a nível interno com chefias, colegas e colaboradores, como a nível externo com clientes, fornecedores e parceiros.

Por vezes, os participantes do Programa de Managing Difficult Conversations in Business perguntam-me se não basta a experiência para ter uma conversa difícil de forma efectiva. Respondo normalmente que a experiência não está necessariamente certa, podemos ser muito experientes em cometer os meus erros vezes a fio, ou seja, podemos ser especialistas em determinados erros. Outras vezes perguntam-me se darmos o nosso melhor e mantermos a calma não são suficientes. Respondo que o resultado podem ser sucessivos erros cometidos com muita calma, já que o nosso melhor pode não ser suficiente. Boas intenções não chegam para resolver situações delicadas, é necessário juntar à boa vontade um conjunto de técnicas que assegurem que se discutem as questões verdadeiramente importantes sem danificar irremediavelmente o relacionamento entre as pessoas.

A título de exemplo de técnicas que parecem funcionar mas que na realidade podem ser problemáticas, está a utilização recorrente da palavra “Compreendo”, normalmente usada para demonstrar empatia e consideração pela outra pessoa. No entanto, muitas (demasiadas) vezes o “Compreendo” é apenas outra maneira de dizer “Não quero saber e não quero ouvir mais detalhes, apenas quero deixar de falar neste assunto!” ou “Vou repetir ‘compreendo’ até tu te calares e me deixares em paz!”, indiciando assim uma profunda falta de respeito pela outra pessoa. Pergunta o leitor, o que é que hei-de dizer em substituição do “Compreendo”? Experimente as seguintes opções:

  1. “Deves estar a sentir…”
  2. “Imagino que estejas muito preocupada com…”
  3. “Já passei pelo mesmo, tendo-me sentido de igual forma…”

Vai ver que esta pequena modificação tem resultados muito positivos, sendo mais uma prova da mudança de paradigma que propomos na forma como temos conversas difíceis: as mesmas pessoas, as mesmas personalidades, diferentes palavras, resultados muito diferentes!

João Matos, Professor Auxiliar da Católica Lisbon School of Business & Economics e Coordenador do Programa de Managing Difficult Conversations in Business

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)