Muito se tem falado sobre as Moções que vão ser discutidas no próximo Congresso do CDS, em Lamego a 10 e 11 de Março.

Infelizmente, o primeiro subscritor da Moção da TEM (Abel Matos Santos), em artigo de opinião publicado no Observador, veio criticar a moção da Presidente do Partido – Assunção Cristas – pelo facto de, na sua análise, faltar a esta uma visão ideológica.

Ora, a verdade é que o erro começa na nomenclatura: Moções de Estratégia Global.

Parto do princípio — não falei com Assunção Cristas sobre isto — que a Presidente sabe o que significa Estratégia. Concluo que Abel Matos Santos não sabe o que isso é.

Então Abel M Santos entende que, a cada dois anos, o Partido tem que definir uma estratégia? A cada dois anos, temos que reafirmar os nossos princípios? A cada dois anos temos que traçar novos objectivos? Se isso acontecesse, não era uma estratégia. Era uma loucura, um disparate.

Concorde-se, ou não, com a Estratégia de Assunção Cristas, a mesma foi apresentada há dois anos atrás, no Congresso que a elegeu como Presidente do Partido. O que devia fazer ela agora? Copy paste da moção de há dois anos atrás?

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Parece-me que faz bem a Presidente do Partido. A estratégia é a mesma, os objectivos são os mesmos. A sua Moção apresenta um balanço dos seus anos de liderança e motiva-nos, a todos, para os desafios que aí vêm.

Não é estratégia? Não é. Não tem que ser, não deve ser. É política.

Para que Abel M Santos consiga perceber as diferenças, junto quadro da autoria do Tenente General Abel Cabral Couto.

Aliás, é engraçado que a Moção da TEM proponha o regresso do Serviço Militar Obrigatório – não sei quantos dos apoiantes da TEM terão cumprido o dito, mas aposto que muitos poucos– mas releve uma ignorância atroz nessa ciência.

É igualmente infeliz, na minha opinião, a tentativa de colagem da TEM à Juventude Popular. Só quem não conhece a JP é que pode pensar que canções de embalar, os levam a adormecer. A JP, pensa e bem, pela sua própria cabeça e o seu secretário-geral é um político de mão cheia que sabe bem o que quer. Achar que o mesmo pode ser condicionado só pode dar para rir.

Para terminar, algumas linhas, sobre a moção da TEM. Faz sentido, uma vez que são uma nova tendência, que apresentem a sua estratégia. O que já não faz sentido é que reclamem a Democracia Cristã como sua herança. Democratas-cristãos somos nós todos, os militantes e votantes do CDS. Reclamar esse passado é de uma arrogância e presunção sem qualificação.

De igual modo é bom que se saiba que a moção da TEM quer regredir nas leis do divórcio (terão os seus autores feito as contas de quantos divorciados existem no CDS?), além da abstrusa ideia de voltar a instalar o SMO (serviço militar obrigatório), entre outras pérolas.

Esquece a TEM que ser conservador é, além de não ser revolucionário, não ser reacionário.

Militante do CDS-PP. Politólogo