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Parece existir um consenso em relação ao debate que precedeu a votação sobre a eutanásia. Foi feito com dignidade e elevação. Sem ataques pessoais, violência verbal, o que infelizmente é mais frequente no parlamento do que desejaríamos. Não houve manobras, de última hora, em relação às votações como aconteceu no caso do IVA da eletricidade. Os deputados assumiram o seu sentido de voto, quer os sujeitos a disciplina partidária, quer os que tinham liberdade de voto (PS e PSD).  Isto dá alguma esperança na melhoria do funcionamento da nossa democracia, embora não acredito que se possa generalizar a outros diplomas (1).O caso da legalização da eutanásia, é particular, pois a base eleitoral dos dois maiores partidos está dividida em relação a este assunto, razão que pode explicar o tema não ter sido inserido nos respetivos programas.

Há muitas matérias, em política, em que não há certo ou errado, o que serve o interesse público e o que não serve. As pessoas têm diferentes concepções filosóficas, éticas e morais. Têm previsões ou crenças distintas sobre o impacto previsível de uma lei. Aquilo que uma sociedade democrática deve fazer é entender num dado momento do tempo, qual a  concepção dominante, e tentar prever, com a evidência empírica existente, as diferentes implicações de uma lei ser ou não aprovada. Para isso é necessária adequada deliberação pública.

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