Mentia se não dissesse que conheço imensas pessoas que, mal começam a conversar, dão a entender que são resignadas. A vida é igual. Enfadonha, mesmo. E cansativa. Até porque há muitas pessoas que são cansadoras e as roubam à rebeldia e ao entusiasmo. As suas transformações tardam e são demoradas. E, por tudo isso, tornam-se conformadas. São, quase todas elas, pessoas excelentes. Mas, diante de qualquer coisa que desejam, começam as frases, timidamente, por “Eu gostava…”. Nunca por “Eu quero”. Ou “eu desejo”.

Parece-me que as pessoas demasiadamente dentro dos conformes se tornam… conformadas. Como se, aparentemente, se adequassem a quase tudo. Quase como se tivessem perdido a pertinácia. São demasiado quietas. Mas impacientes. Vendo melhor, só os passivos são impacientes.

A paciência é diferente da resignação. A paciência, por mais que não pareça, existe porque existe desejo. Somos perseverantes sobretudo quando fazemos uma escolha. O desejo, quando se escolhe, resulta do esmiuçar daquilo tudo que queremos. Que, depois, converge para um ponto fixo e, qual pêndulo, a seguir, se transforma n’O desejo (o ó, enfático, é que lhe dá pujança e projecção). Parece-me que baralhámos tudo e colocámos sobre o desejo um manto de censura, como se desejar atentasse contra os credos. Ora, querer e crer, quando se trata do desejo, são a mesma coisa. O crer e o querer criam-se um ao outro. E só depois “querer é poder”. A paciência é a melhor amiga do desejo.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.