Numa sondagem realizada pela Eurosondagem para o jornal Sol e Porto Canal, o PS aparece na frente, destacado e com mais 0.7% do que o sufrágio recolhido em Outubro.

Mas o que é realmente interessante nesta sondagem é o desempenho dos três partidos de um deputado único: O Livre, que tinha resistido sem perdas aparentes, às declarações mais fracturantes da sua deputada e à aparição de um assessor de saias nos corredores parlamentares, depois de toda a polémica, guerrilha verbal entre a direcção do seu partido e a deputada e os seus quatro assessores, por causa desse clima e das declarações cada vez mais agressivas, cada vez mais ingratas e menos humildes e desligadas do cerne do programa moderado e europeísta de centro-esquerda do partido pagou o preço: caiu para metade e se as eleições fossem hoje já teria ficado a grande distância da eleição (que foi marginal e se deveu a uma grande concentração de votos nos círculos urbanos e, em particular, no distrito de Lisboa).

Se o Livre é um problema de si mesmo, sobretudo, e um pouco menos do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista (de onde capturou votos), já os outros dois partidos emergentes são, sobretudo, um problema do CDS (o PSD parece continuar a perder votos para a abstenção e para o PS). Com efeito, o CDS, com as suas principais correntes internas (liberais e conservadores) está cercado pela banda esquerda pela Iniciativa Liberal e pela banda da direita pelo Chega (que tem mais traços de Populismo de Direita do que de Extrema Direita: o que potenciam o seu crescimento num país de temperamento moderado como Portugal). Espartilhado como está entre IL e Chega o CDS vê perder votos para a abstenção, devido à fase de transição sem líder do momento (conjuntural) mas sobretudo e aqui de forma mais sustentada para a Iniciativa Liberal no eleitorado mais urbano (mas de forma residual desde Outubro) e para o Chega, de forma mais profunda e consistente no eleitorado rural estando nesta e noutras sondagens o Chega perto dos níveis do CDS. A menos que o partido consiga conter esta sangria nas próximas eleições arrisca-se a valer menos que o Chega. Felizmente, como estas são autárquicas e como nestas eleições as personalidades locais são o principal factor de atracção e os partidos emergentes – como o Chega – têm uma rede de implantação local muito difusa, isto pode travar a queda de resultados do CDS e dar a este partido o tempo de que a nova liderança precisa para se afirmar e estancar as perdas à esquerda, para a IL e à direita para o Chega.

Em suma e em jeito de conclusão (ou daquela que, ao momento, é possível extrair) a renovação partidária do quadro parlamentar representada pela entrada inédita de três novos partidos na Assembleia parece consolidada ao nível da IL (que dificilmente conseguirá, sem grandes alterações de panorama partidário) eleger mais do que dois deputados nas próximas Legislativas, embora existam ainda um “mercado” liberal significativo que pode captar no CDS se a crise interna deste se agravar com a nova liderança. O Chega tem, ao contrário da IL, mais espaço para crescer. As Legislativas de Outubro provam que tem capacidade (devido à simplicidade do seu discurso e dos efeitos inversos do “cordão sanitário” que querem traçar em seu torno) para crescer para dentro do CDS (tendência Conservadora), para o PSD (ala mais conservadora e rural) e até para o PCP e PS (como prova o seu desempenho em alguns círculos eleitorais do interior). Este panorama parece provar que acabou o excepcionalismo português que declarava que não havia espaço para a aparição e desenvolvimento em Portugal de um Populismo de Direita trumpista, salvinista ou lepenista. Ele está aí, confortavelmente instalado no palco parlamentar e mediático e com amplo espaço para crescer para praticamente todos os partidos (excepto os de Extrema Esquerda).

Tudo indica assim que “os pequenos” vieram para ficar e para crescer. Com a triste excepção do Livre que a menos que mude de deputada ou que a sua deputada mude de temperamento se arrisca a tombar, novamente, para a neblina da irrelevância partidária.