Com a esperada aprovação do Orçamento do Estado para 2019 e de todas as suas promessas falsas e cortinas de fumo, o Governo de António Costa e a maioria parlamentar que o suporta preparam-se, ladinamente, para bisar a legislatura e governar até pelo menos 2023.
Na gestão corrente das remunerações, abonos e gratificações dos dependurados do Orçamento não sobra tempo para mais nada na acção governativa.
Ninguém quer mudar, reformar, fazer mais e melhor, voar ou crescer.
Um pantanoso e degradante mercantilismo dos interesses vai-se esparramando imparavelmente sobre a complacente inércia de demasiados que existem para olhar para os pés, investir no shopping ou comprar carros de marca.
Este atascal – que Guterres já tinha diagnosticado – é a mais forte marca de água da geringonça.
Mas esta visão beatífica e jubilosa de uma nova legislatura à esquerda é um insuportável pesadelo.
Porque esconde o essencial.
Porque nega a realidade.
Porque é uma contabilidade a crédito só de alguns.
Sucede que Portugal é um país uno e soberano, um povo livre, uma história gloriosa.
Não é uma ONG da tanga, nem um rebanho de alguns beneficiados, nem uma narrativa socrática ou dos seus amigos e sucessores.
Não pode, nem quer ser uma academia de tipo desportiva gerida por dirigentes malfeitores, não é um presídio de interesses mais e menos escondidos.
Não é uma malhada de gado.
Temos memória.
Temos vergonha na cara.
O governo e a maioria de esquerda que o suportam assobiam para o lado e mobilizam o entorpecimento colectivo para 2019.
Mas não vamos deixar.
Dizemos não à desonestidade e à inconsciência.
Basta parar e olhar para duas tragédias que literalmente ainda gritam por justiça.
O incêndio de Pedrógão Grande, de Junho de 2017, que contabilizou 66 mortos.
Mais de 500 casas de habitação parcial ou totalmente destruídas pelo fogo.
Prejuízos materiais na ordem dos 500 milhões de euros.
Os incêndios florestais de outubro de 2017 que causaram 50 vítimas mortais confirmadas.
Sobre estas desgraças o governo do partido socialista e a maioria de esquerda que o suporta limitaram-se a um vergonhoso e insuportável e tardio jogo do passa culpas, a assinar alguns cheques de má vontade e a esconder todo o lixo debaixo do tapete.
Nada de realmente decisivo e estrutural foi entretanto estudado a sério ou feito para que a tragédia não voltasse a acontecer.
O povo desprezado e abandonado do interior rural incendiado nunca interessou, nem interessa nada a este governo e a esta mesquinha maioria de esquerda sem alma que o suporta.
Um touro corrido em Lisboa numa quinta-feira à noite, um gatinho empoleirado numa árvore em Alcântara, um revés de dois ou três turistas num tuk-tuk no Chiado ou mais um “projecto” de engenharia social-familiar mexem mais com as castradas e remordidas consciências desta maioria urbanista e animalista.
Mas nós, também com os nossos votos, vamos impedir que o pesadelo vença.
Em Outubro de 2019, não passarão.

Miguel Alvim é advogado