Rui Rio venceu as eleições no PSD sem maioria absoluta, o que significa que vai ter de enfrentar Luís Montenegro numa 2ª volta. São boas notícias para a vitalidade democrática de um dos maiores partidos portugueses, mas péssimas notícias para Francisco Sá Carneiro. Sempre que há rebuliço no PSD, é certinho que se vão fartar de evocar o ex-primeiro-ministro. O que torna qualquer ajuntamento de sociais-democratas num evento desagradável para Sá Carneiro, tendo em conta a forma como faleceu e o facto de, sempre que se fala de alguém ausente, essa pessoa ficar com as orelhas a arder.

Se me perguntarem qual dos dois, Rio ou Montenegro, é mais parecido com Sá Carneiro, terei de dizer que é Rui Rio. A forma como mobiliza o partido é muito parecida com a de um defunto. Outra parecença que Rio tem com Sá Carneiro é que ainda não se chegou à conclusão se a morte política de Rio foi acidente ou atentado. Embora me incline mais para a segunda hipótese: com aquela permanente postura de ajudantes de António Costa, às vezes parece que é de propósito.

Apesar de tudo, não há dúvidas que Rio está mais bem colocado do que Montenegro. Prova-o, por exemplo, o facto de ter ganho Aveiro, a distrital do adversário, por 2116 votos a 1523 (informação recolhida no site “PSD ao segundo”, um nome que tanto pode significar que os dados eram publicados mal saíam, ou que o objectivo do PSD é mesmo agarrar-se ao segundo lugar. Ambas explicações fazem sentido). Rio foi ao território de Montenegro mostrar o que os diferencia, nomeadamente, ao nível das preocupações sociais com a 3ª idade. Na semana anterior, nas eleições para a concelhia de Aveiro, o candidato que apoia Rui Rio usou a sua carrinha para transportar militantes idosos à assembleia de voto, desde o Lar onde vivem. Lar esse que é dirigido pelo próprio candidato. Que, portanto, cedeu a carrinha e também os velhinhos. Bem podem os apoiantes de Montenegro protestar, mas a verdade é que não levaram militantes seniores a passear a lado nenhum. Provavelmente, contaram com a falta de memória dos idosos, para não se lembrarem disso na hora de votar. Desta vez, tramaram-se. O candidato que é também director do Lar deve ter duplicado a medicação, para prevenir esquecimentos. Segundo as notícias, ainda foram votar algumas dezenas de idosos. Não sei que tipo de afinidade política é que o distrito Aveiro fomenta, que leva os militantes sociais-democratas a quererem viver todos juntos. Quando Rui Rio foi eleito a primeira vez, soube-se do caso de oito militantes que viviam na mesma casa, agora é a ala geriátrica laranja que escolhe toda o mesmo Lar.

Pelos vistos, a militância do PSD é um bocado envelhecida, o que significa que os resultados podiam ser diferentes se as eleições fossem depois da época da gripe. Essa dependência do PSD nos velhinhos pode também explicar porque é que o PS borrifa no SNS.

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Entretanto, depois dos deputados do PSD Madeira se terem abstido na votação do Orçamento de Estado, os militantes do PSD Madeira votaram em grande número nas Directas, dando a vitória a Miguel Pinto Luz, o terceiro candidato. No fundo, qualquer ocasião em que haja uma urna é boa para os madeirenses enxovalharem Rui Rio. Felizmente para Rio, Alberto João Jardim, seu mandatário regional, impugnou as eleições. (Parece que, dos 2500 militantes que votaram, só 104 é que têm as quotas em dia. Não se percebe esta relutância dos sociais-democratas madeirenses em saldar as quota. De certeza que não é pelo dinheiro. Se fosse, não deixavam passar um OE que diz que vão ter de pagar mais impostos). Alberto João Jardim diz que “o PSD daqui está a dar um ar perante o país de continuar no tempo das chapeladas”. Uma vez que, antes deste, o único tempo que houve na Madeira foi aquele em que Alberto João Jardim ganhou 273 eleições seguidas, esta preocupação com chapeladas cheira a enfiar a carapuça. Mas faz bem, Rui Rio, em ter militantes históricos entre os seus apoiantes. Se Alberto João Jardim está lá a defender o rigor das eleições, podia convidar Duarte Lima para representar os pensionistas.

O que será melhor para o PSD e para o país? Rui Rio e o seu “Portugal ao Centro”? Ou Montenegro e “A força que vem de dentro”? Julgo que ficaríamos a ganhar com uma síntese. O PSD pode ser a força que está no centro e dentro de Portugal. Essas forças interiores, especialmente ali ao meio, acabam sempre por sair. Com maior ou menos estrondo, fazem-se notar e não deixam ninguém indiferente. É uma sugestão que deixo.