Durante uns dias Ricardo Robles vai ser o bombo da festa. Na verdade o negócio foi óptimo. Ricardo Robles comprou um prédio barato e colocou-o à venda caro. Para que tal acontecesse a rapidez da máquina administrativa foi fundamental: comprou o prédio em 2014 e até 2017 conseguiu negociar com os inquilinos, fazer aprovar as obras de requalificação que, note-se, implicaram mais um andar, e colocar o prédio à venda.

Fosse o senhor vereador doutro partido, por exemplo, do CDS, e sabe como seriam os títulos? Eu dou-lhe uma ajuda senhor vereador. Duvida que seriam qualquer coisa como: “Vereador do CDS faz negócio obscuro à boleia da lei dos despejos de assunção Cristas”? E ambos temos a certeza que logo Catarina Martins com o pano de fundo dos seus lindos olhos – os seus olhos, senhor vereador, não os da Catarina que isto de ser mulher permite-me dizer o que me apetece nesta matéria – clamaria contra as negociatas, a especulação imobiliária e a corrupção.

Sim, a corrupção senhor vereador. Ou duvida o senhor vereador que logo se vasculharia como foram tão lestamente aprovadas as obras? Que de imediato três arquitectos explicariam que aquele andar a mais era um atentado contra a paisagem urbana e o trinado do fado? E, obviamente, os jornalistas-activistas desencantariam os seus ex-inquilinos a quem nunca perguntariam quanto receberam de indemnização para sair do prédio e a quem pediriam para relatar as saudades do seu velho bairro, a tristeza por terem deixado os vizinhos de sempre e a lástima pelo horror da especulação imobiliária.

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