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Estamos a dias das eleições internas do PSD. Pode parecer assunto menor, mas não é. Dessas eleições poderá sair o futuro Primeiro-Ministro de Portugal. É, portanto, um assunto de extrema importância nacional.

Depois de terminados seis anos de geringonça, chegámos ao fim de ciclo com a sensação de alívio. Com a sensação de que poderemos hoje olhar para o futuro vislumbrando uma alternativa clara, funcional e viável.

Como tive oportunidade de referir anteriormente, acredito que esta crise foi propositada e até promovida por António Costa, convencido de que poderia alcançar uma maioria, reforçando o poder parlamentar para assim desbaratar a bazuca e continuar com o processo de venezuelização que tem implementado no país.

Perante o atual panorama político nacional, onde temos uma dispersão de votos à direita nomeadamente no Chega e na IL e uma baixíssima expectativa eleitoral do parceiro natural do PSD, o CDS, a única alternativa verdadeiramente merecedora desse nome é o PSD. Tem por isso a enorme responsabilidade de saber apresentar um programa credível e mobilizador que abrace os problemas das pessoas e arranje soluções para os resolver. Para concretizar essa mudança de rumo considero que Rui Rio possa ser o candidato ideal para as eleições legislativas de 30 de janeiro de 2022.

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Rui Rio quando se tornou presidente do PSD, fê-lo numa altura em que o partido estava altamente desgastado e tinha acabado de sair do pior resultado eleitoral de sempre. Ainda assim, conseguiu reestruturar e reerguer o partido, mesmo com muitas e constantes “guerrilhas” internas, culminando numa recuperação autárquica que nenhum opositor interno estaria à espera. Obviamente, pode-se ler o resultado autárquico de várias formas, mas há factos inegáveis e um deles é o de que aumentou em muito as câmaras ganhas, teve mais autarcas eleitos e ganhou em Lisboa, alcançando todos os objetivos a que se propôs. Tudo vitórias inesperadas para os mais distraídos e alguns sapos engolidos por alguns opositores de fundo de plateia.

Rui Rio é reconhecido, mesmo por quem como eu nem sempre concorda com ele, como sendo um homem, sério, vertical, honesto, com competência e capacidade de decisão colocando sempre o interesse nacional à frente do pessoal ou partidário. É disso que Portugal precisa, de alguém que não fecha a porta ao diálogo independentemente das ideologias, se esse for o caminho necessário para reunir consenso suficiente para reformar.

Obviamente que muitos preferem, e preferirão sempre, ouvir a promessa mais agradável mesmo que lá no fundo saibam que não passa de uma promessa sem viabilidade de a concretizar.

Relembro um episódio relativo à recuperação do tempo de serviço dos professores. Na campanha eleitoral de 2019, enquanto o PS anunciava que iria “devolver” todo o tempo de serviço, o PCP e BE gritavam que isso era de inteira justiça e seria o mínimo a fazer. Do outro lado, Rui Rio no seu tom sério e ponderado apenas dizia que, obviamente que o tempo teria de ser integralmente devolvido, mas que a questão do “como?” ficaria para negociação futura. Poderia ser em reforma antecipada, faseadamente ou o que da negociação resultasse. Interpretando as palavras, significa que estava garantido que os professores iriam recuperar os 9 anos 4 meses e 2 dias do seu tempo de serviço.

No entanto, a narrativa à esquerda do PSD era de que apenas o PS se comprometera com a recuperação integral. O que vimos a seguir? O PS a recuperar pouco mais de 2 anos, justificando com o facto de não haver orçamento para mais. Com a diferença de que nem sequer colocou em cima da mesa a negociação sindical e possível alternativa à forma de recuperação.

A que se chama isto? Eu respondo. Desonestidade intelectual.

O que diferencia Rui Rio dos demais é que se interessa pouco com a popularidade e mais com a seriedade. Bem sei que estamos pouco habituados, mas acredito que esse é o caminho para tirar Portugal do marasmo socioeconómico em que nos encontramos assim como para recuperar a confiança nos políticos, há muito perdida. Rui Rio é diferente. As mais recentes sondagens mostram que os portugueses, independentemente dos partidos, têm uma imagem altamente confiável em Rui Rio e mostram mesmo que é o candidato que pode efetivamente fazer frente a António Costa.

Rui Rio tem uma visão clara e reformista, mas real, sobre o que quer para o país. Têm-na porque esteve durante os últimos anos a recolher essas informações através do Conselho Estratégico Nacional, órgão criado por ele, que trouxe para a participação e reflexão políticas centenas de cidadãos independentes de diferentes áreas profissionais que lhe conseguiram dar a visão real do país.

O futuro do país pode estar no voto de cada militante do PSD no próximo dia 27 de novembro. Por isto tudo, pede-se responsabilidade de voto.