Ministério da Defesa

Tancos: um ataque de implicações profundas

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O que acaba de acontecer é uma fissura gravíssima na nossa segurança nacional e colocou em alerta todos os serviços de segurança europeus. Mas em Portugal aparentemente não: nem houve qualquer alerta.

Os Portugueses assistiram a uma situação de gravidade inédita que compromete a segurança nacional e compromete a segurança Europeia à luz da existente ameaça terrorista que se vive no território Europeu. Esta é uma situação de ímpar constrangimento para o Estado Português aos olhos dos nossos Parceiros Europeus e na NATO.

As consequências são extraordinariamente imprevisíveis e as implicações profundas. O assalto aos Paióis Nacionais de Tancos abriu a caixa de pandora sobre a segurança das infraestruturas militares de Portugal. De um sistema de vigilância desligado à ausência de militares a garantir a inviolabilidade dos Paióis de Tancos, tudo falhou. Fica uma realidade comprometedora e muitas questões graves.

Consequência deste ataque ao Exército Português (sim este incidente é um ataque) é perceber a dimensão da ausência de qualquer alerta dos diversos serviços de inteligência (“informações”) civil e militar do Estado Português. Esta constatação eleva drasticamente o âmbito deste ataque. Como se pode perpetuar o roubo de milhares de cartuchos de 9mm, 150 granadas de mão, 44 granadas antitanque ou 264 unidades de plástico explosivo de uma infraestrutura militar sem que nenhum serviço de inteligência Português seja alertado? Não estou a culpar os nossos serviços de inteligência, mas sim a evidenciar a dimensão da organização que cometeu este ataque!

Outra possibilidade que estará a ser avaliada será se este ataque teve a conivência de militares alocados aos Paióis Nacionais de Tancos.

Como referi no inicio deste artigo, as implicações são profundas. O próprio Ministro da Defesa já admitiu que a ligação deste ataque a um grupo terrorista é uma possibilidade real. A responsabilização deste ataque tem de ser aferida através de uma investigação que seguramente ultrapassará as fronteiras nacionais. Mas essa é a responsabilização criminal. A responsabilização política é outra e esta, infelizmente, rareia em Portugal. Mesmo que rejeitada pelo primeiro-ministro, o Ministro da Defesa já deveria ter apresentado a sua demissão em conjunto com o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. Algumas das Chefias militares de Tancos poderão enfrentar prisão por responsabilização de tudo o que falhou e não devia, mas quem tem a responsabilidade política, e por isso a obrigação de governar atempadamente a matéria, dificilmente sentirá qualquer consequência.

Portugal não pode ser comparado à Bósnia, Macedónia ou Albânia. Nestes países, os paióis de armas são atacados permanentemente e alguns mais parecem verdadeiros “supermercados” de armamento. Ainda o ano passado foi apanhado um veículo no meio da Alemanha com armas de um paiol Bósnio! Aqui a corrupção é transversal ao Estado e Forças Armadas. Por isso reafirmo que Portugal não pode de maneira alguma ser comparado a estes exemplos.

O que acaba de acontecer, a ser verdade o que nos repetem sobre não sermos alvo prioritário do terrorismo – mas notando que este armamento é bem superior ao da maioria das células terroristas europeias – coloca-nos a olhar de lado para a crescente radicalização política em Espanha.

O que acaba de acontecer é uma fissura gravíssima na nossa segurança nacional e que colocou em alerta todos os serviços de segurança europeus. E disto, não existem dúvidas.

Mas em Portugal aparentemente não, sob a capa do segredo de Estado, não há qualquer alerta (ou tranquilização) pública sobre a capacidade dos nossos Serviços de Informações para garantirem que estas armas não são usadas contra a população. Sob a capa de inquéritos judiciais, não há qualquer consequência sobre os dirigentes políticos de um Estado que nos cobra impostos, mas não os usa para nos proteger.

Fundador da Iniciativa Liberal

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