Quem estivesse atento teria reparado que nos últimos anos havia gente a querer pôr o serviço militar obrigatório (SMO) na agenda política. O movimento era muito tímido, até porque tenho ideia de que, dos partidos do arco parlamentar, apenas o PCP sempre defendeu a obrigatoriedade do serviço militar. Até que há uns dias, com as declarações do Ministro da Defesa, este assunto voltou, definitivamente, à ordem do dia. Explica o ministro que, devido à falta de efectivos nas Forças Armadas, obrigar os jovens a ir para a tropa é uma possível solução. Diga-se, em abono da verdade, que o ministro não está sozinho. Em vários países europeus este assunto voltou a fazer parte da actualidade.

O debate sobre o assunto é antigo. Apesar de apenas em 2004 se ter acabado com o SMO em Portugal, a verdade é que nos anos 60 do século passado houve um intenso debate nos EUA sobre o assunto. Do lado dos que defendiam um exército profissional estavam dois economistas famosos, Alan Grenspan e, principalmente, Milton Friedman. Pelo SMO estavam os generais da época.

Os economistas ganharam o debate. Afinal, não é muito difícil argumentar que um exército composto por profissionais é bem mais eficiente (profissional) do que um exército de gente recrutada à força. Os generais contrapunham que um exército de mercenários não sentiria o necessário amor à pátria e Friedman retorquia que um exército de escravos também não garantia nenhum patriotismo especial. Lembrava também que mercenários somos todos: juízes, médicos, professores, etc. Como resultado deste debate, e do facto de milhares de jovens terem sido obrigados a combater numa guerra que não queriam, em 1971, acabou o SMO nos Estados Unidos.

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