A Agenda da Juventude para a Saúde 2030 foi entregue e apresentada pelo Conselho Nacional de Saúde à Sra. Ministra da Saúde, ao Sr. Ministro da Educação e ao Sr. Presidente da Assembleia da República no passado dia 21 de maio, num claro incentivo a que os decisores políticos deem o seu voto de confiança à voz ativa dos jovens, às suas propostas e soluções objetivas, transformadoras e operacionalizáveis.

Não há nada como escutar a Voz dos Jovens! Escutar os jovens no lugar de falar para os jovens, num ato de verdadeira inclusão nas questões que lhes dizem respeito e os afetam, permitindo que identifiquem os seus problemas e apresentem as suas próprias estratégias e soluções e que participem nas tomadas de decisão sobre a sua saúde e as suas vidas. Tal é, por um lado, em si mesmo um exercício e aprendizagem de cidadania para os jovens e, por outro, uma oportunidade de contribuírem com o seu potencial para o desenvolvimento do país e para o fortalecimento do papel das estruturas e decisores políticos através do apoio na co-construção de políticas públicas de saúde. Desta forma, os jovens são também um garante de uma maior efetividade da sua implementação, de mais envolvimento na adesão e mudança de comportamentos dos jovens face à sua saúde e à saúde dos outros e de acesso e criação de redes de relações e de networking, ampliando os seus efeitos, o que se traduzirá em políticas mais eficazes e mais inclusivas, porque também mais adequadas às especificidades e necessidades dos jovens, dos seus contextos e dos grupos sociais em que estão inseridos. No contexto desta e de outras pandemias/crises, a voz dos jovens torna-se ainda mais essencial, evidenciando o seu papel enquanto change makers e alavanca na recuperação, mas também na promoção e proteção da sua saúde e do seu bem-estar.

Escutar a voz e a experiência dos jovens para a construção da sua Agenda da Juventude para a Saúde 2030, um conjunto de contributos refletidos e perspetivados a curto, médio e longo prazo, para uma década, numa ação do Conselho Nacional de Saúde, em colaboração com a Direção Geral de Educação, com a Federação Nacional das Associações Juvenis e outros parceiros sociais e entidades do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, traduziu o resultado de um percurso de iniciativas que podem ser replicadas enquanto expoente máximo da participação pública dos jovens em saúde e em políticas de saúde e bem-estar.

Os jovens assumiram voz e elegeram a sua saúde psicológica/mental e bem-estar para o topo das suas prioridades, com vista a influenciar decisões para um plano nacional de ação estratégico para os próximos 10 anos, identificando a escola como um parceiro de partilha da intervenção, a par com as estruturas, agentes e equipas de saúde. Não podemos ignorar o estado da arte prévio, no qual um em cada cinco jovens manifestava um problema de saúde mental, tendo a pandemia contribuído para evidenciar um impacto negativo para a saúde física, psicológica/mental e bem-estar dos jovens, e para o seu processo de desenvolvimento a nível físico, psicológico, comportamental e social, em particular nos grupos mais vulneráveis do ponto de vista psicológico e social, e naqueles que se depararam com os desafios acrescidos dos momentos de transição (mudanças corporais e psicológicas da adolescência, mudanças de ciclo, de escola, entrada na universidade ou no mercado de trabalho), colocando em risco a sua capacidade para lidar com as suas circunstâncias e com a sua saúde, e para experimentar bem-estar.

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O combate às desigualdades no entretanto acentuadas, nomeadamente no acesso à saúde, à educação e à proteção social, foi bem evidenciado nas propostas concretas dos jovens, construtores ativos da sua saúde. Assumiram a voz para advogar mais psicólogos nas escolas e apoio na monitorização dos sinais de risco para a sua saúde psicológica; mais acesso a cuidados psicológicos nas unidades de saúde, evitando a medicalização; menos foco no desempenho meramente académico e menos carga horária, e mais oportunidades de socialização e de atividades promotoras da saúde física, do lazer e do bem-estar; mais programas de desenvolvimento social e emocional nas escolas, nos espaços curriculares mas também extracurriculares, porventura através de um canal generalista e interativo sobre este tema, numa articulação estreita com os serviços de psicologia das escolas; mais formação conjunta pais/mães/cuidadoras/es e filhas(os)/educandos sobre saúde psicológica/mental, promovendo o seu autocuidado e melhor preparando-os no apoio às/aos suas/seus filhas/os/educandos. São apenas alguns dos exemplos que nos trouxeram as vozes dos jovens, com preocupações, perspetivas e propostas inteligentemente centradas em modelos de saúde preventivos, promotores e mais custo-efetivos, desafiando os ainda prevalecentes modelos médicos centrados na doença e na remediação.

Adolescentes e jovens dão voz a políticas públicas sobre a sua saúde numa visão macro, de intersetorialidade, e da equidade de recursos e de acesso a mais literacia em saúde psicológica e a mais serviços (e de qualidade) de saúde psicológica/mental, chamando a si e aos decisores políticos uma garantia ampliada dos seus direitos de desenvolvimento e participação política, cívica, social e económica.