Hillary Clinton

Em 2016, Hillary Clinton quis propor um rendimento universal básico — e agora explica porque recuou

Durante a campanha de 2016, Hillary Clinton quis criar um rendimento universal básico. A ideia partiu de um programa que existe desde 1982 no Alasca. Gostou da ideia, mas viu que "não era realista".

Desde 2010, cada cidadão do Alasca tem recebido uma média anual de 1315 dólares, que surgem com dividendos da indústria petrolífera

Jewel Samad/AFP/Getty Images

Hillary Clinton revela no seu mais recente livro, onde conta a sua versão da campanha presidencial de 2016, que chegou a ponderar a criação de um rendimento básico universal nos EUA. A então candidata democrata quis alargar aos EUA o funcionamento do Fundo Permanente do Alasca, que desde 1982 distribui entre todos os cidadãos um quantia anual que varia de acordo com os dividendos da indústria petrolífera daquele estado.

Apesar de não ter levado esta medida ao seu programa, Hillary Clinton demorou a descartá-la e chegou a estudar essa opção juntamente com o marido, o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton. “Além de meter dinheiro nos bolsos das pessoas, seria uma maneira de os americanos sentirem uma ligação maior ao país e entre eles, de serem parte de algo maior do que eles”, escreve no livro “What Happened” (“O que aconteceu”, para já sem edição portuguesa), lançado esta semana. “Eu estava fascinada com esta ideia, tal como estava o meu marido. Nós passámos semanas a trabalhar com a nossa equipa para ver se podia ser viável incluir esta proposta do meu programa. A ideia era chamarmos-lhe ‘Alasca pela América’.

Desde 2010, o Fundo Permanente do Alasca tem rendido uma média anual de 1315 dólares (1097 euros, à taxa de conversão atual) a cada cidadão daquele estado. Em 2016, cada um recebeu 1022 dólares. Isto é, o equivalente a 852 euros.

“Não era realista, por isso ficou na prateleira”

Numa entrevista ao Vox, Hillary Clinton explicou que ficou “intrigada” com este sistema, mas confessa que não conseguiu convencer pessoas suficientes das suas vantagens. “Escavámos fundo, tentámos explicar a ideia a algumas pessoas, mas elas tiveram dificuldade em entender o que é que estávamos a dizer”, refere. “Muitos americanos nos Lower 48 [designação usada para referir os 48 estados continentais dos EUA, excluindo assim o Havai e o Alasca] não faziam ideia do que era feito no Alasca.”

A ideia acabou por cair. “Infelizmente, não conseguimos meter os números a funcionar”, escreve Hillary Clinton no livro. “Decidimos que a ideia era entusiasmante mas que não era realista, por isso ficou na prateleira.”

A ideia, explicou naquela entrevista, acabaria por cair por alguns desafios. Para a ex-secretária de Estado, havia o risco de uma medida deste tipo “encorajar de forma perversa a continuação da extração de combustíveis fósseis”, algo que a campanha de Hillary Clinton não via como sendo do “interesse geral”.

No entanto, Hillary Clinton dá a entender no livro que, olhando para trás, guarda algum arrependimento por não ter anunciado a medida. “Hoje em dia pergunto-me se não deveríamos ter aberto mão da cautela e aceitado o ‘Alasca pela América’ como um objetivo de longo prazo e mais tarde afinar os detalhes.”

Hillary Clinton não poupa (mesmo) ninguém no novo livro

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jadias@observador.pt

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site