As forças e os serviços de segurança reuniram de urgência com o secretário geral de Segurança Interna, que coordena todas as polícias, depois de o presidente da Câmara de Lisboa anunciar publicamente a colocação de ecrãs gigantes em vários pontos da cidade, para quem quisesse “simplesmente festejar e partilhar a alegria desta festa do futebol”. António Costa referia-se à final da Liga dos Campeões que vai pôr em campo o Real de Madrid, de Cristiano Ronaldo, e o Atlético de Madrid, de Tiago. “Isso pode pôr em causa toda a operação que está a ser montada pela Polícia”, disse ao Observador uma fonte da GNR.

A enorme operação de segurança que está a ser preparada para o jogo de sábado envolve PSP, GNR, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Polícia Marítima e a própria CP, que terá comboios especiais para o evento. E, segundo uma outra fonte, da PSP, a cidade de Lisboa vai “ficar cheia”. A polícia portuguesa está em contacto direto com o Ponto Nacional de Informações de Futebol espanhol, que consegue fazer uma estimativa do número de adeptos que vão deslocar-se de Espanha para Portugal.

“Ainda não há um número concreto, mas só de uma localidade próxima de Madrid sabemos que vêm 60 autocarros. Agora multiplique”, disse ao Observador.

Na visita de há duas semanas a Madrid, António Costa anunciou aos jornalistas ter indicação de que as unidades hoteleiras em Lisboa estavam praticamente esgotadas. “Lisboa tem tido muita experiência a organizar eventos internacionais. Este é mais um momento muito importante. Vai ser, aliás, um fim de semana muito intenso porque é também o primeiro fim de semana do Rock in Rio”.

António Costa garantiu estar “tudo organizado” em temas como segurança, apoio de saúde e sanitário e estacionamento. “De certeza que vai muito mais gente a Lisboa, além dos que vão ao estádio ou pernoitar” e “por isso, vamos ter também ecrãs gigantes na via pública para, quer os adeptos do Real, quer os do Atlético possam partilhar connosco esta grande festa do futebol”, disse.

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Em Madrid, desistiu-se do ecrã na Porta do Sol

Na passada semana, por seu turno, o presidente da Comunidade de Madrid, Ignacio Gonzalez, anunciou que o jogo não seria transmitido em ecrã gigante na Porta do Sol, por haver risco elevado de incidentes.

“Se houver transmissão do jogo, pode haver reflexos complicados em termos de ordem pública e, com isso, não ganha o turismo nem toda a logística montada, mesmo em termos de transportes”, disse a fonte da PSP. “Este é o evento desportivo mais mediático do mundo”, sublinhou. “Sabemos que há cafés que vão transmitir os jogos, mas isso é um critério e responsabilidade dos próprios comerciantes”.

A PSP transmitiu à autarquia de Lisboa a sua posição sobre a colocação dos ecrãs e a forma como podiam afetar a segurança. Contactada pelo Observador, a assessora de António Costa, Luísa Botinas, disse não ter qualquer informação ou decisão sobre o caso. Pelo menos “para já”.

Já o vereador do Desporto, Jorge Máximo, referiu que estava ainda a ser avaliado o “número de pessoas que vêm a Lisboa, um número subjectivo”. Mais: “Precisamos dos direitos de transmissão da UEFA para podermos transmitir”, acrescentou. Quando confrontado com o facto de faltarem apenas cinco dias para o evento e com a questão de segurança, acabou por dizer: “O mais provável é não haver transmissão”.