Para o Presidente da República, nem tudo é mau na emigração de portugueses. Cavaco Silva considerou esta sexta-feira que é necessário olhar para a emigração com uma “visão serena e realista desta nova realidade do mundo global” ao mesmo tempo que é necessário “recusar a ideia que a emigração representa necessariamente uma perda irreversível para o país”.

O Presidente da República esteve esta tarde em Lisboa num encontro da COTEC e, em frente a empresários da diáspora, Cavaco Silva considerou que “independentemente da condição económica do país, os portugueses continuarão a sair de Portugal, umas vezes por necessidade, outras por opção profissional, outras, ainda, por vontade de partir à aventura e à descoberta”.

Mas o chefe de Estado dirigiu-se aos empresários, que se candidataram ao Prémio FAZ, da COTEC, e pediu-lhes para que não esqueçam o país. “Tenho verificado que, para os portugueses que partem, sair de Portugal não significa deixar de fazer parte da vida do país. Pelo contrário, os laços reforçam-se e a distância geográfica confere uma nova perspetiva, mais objetiva, sobre o país que somos e que pretendemos ser. Paradoxalmente, constata-se que os recursos humanos que produzimos são mais valorizados no exterior do que em Portugal”.

No discurso que fez ao final da tarde, o Presidente lembrou ainda que Portugal atravessa uma “fase histórica de grandes desafios” e que “perante o risco e a incerteza, aprendemos uma lição essencial: temos de encontrar soluções originais, de explorar novos recursos”.

De manhã, o Presidente da República tinha estado num encontro de empresários portugueses e mexicanos e não falou, nos discursos da atual situação política em Portugal.