O Bloco de Esquerda apresentou um requerimento para ouvir com urgência a ministra das Finanças no Parlamento a propósito das recentes nomeações para os órgãos de gestão do Banco Espírito Santo (BES), em especial a nomeação do atual presidente do instituto que gere a dívida pública portuguesa para administrador com o pelouro financeiro.

No requerimento assinado pelo líder parlamentar Pedro Filipe Soares, o BE sublinha as várias irregularidades que têm vindo a público respeitantes a atividades de entidades do grupo e destaca as declarações do primeiro-ministro sobre os nomes indicados para gerir o BES (Vítor Bento para presidente executivo, o deputado do PSD Paulo Mota Pinto para chairman e João Moreira Rato para administrador financeiro) e estranha o que considera ser “a omissão da ligação de Moreira Rato à Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, E.P.E (IGCP), entidade responsável pela gestão da dívida pública e da qual é presidente”.

O Bloco de Esquerda diz que em causa, com a nomeação de Moreira Rato, está a defesa do interesse público, já que como presidente do IGCP “tem acesso a muita informação sensível sobre as contas públicas e a gestão da dívida pública” e questiona se não existe conflito de interesses nesta nomeação, já que o BES é um dos bancos usados pelo Estado para colocar dívida pública, uma área de negócio onde o BES, segundo o Bloco, tem tido grandes lucros nos últimos anos.

“Face a esta situação é indispensável perceber como fica a defesa do interesse público e como o Governo se posiciona face a esta situação, nomeadamente através de quem superintende o IGCP que é o membro do Governo responsável pela área das finanças”, diz o BE.