A chanceler alemã, Angela Merkel, disse este sábado que as tensões nos mercados que se verificaram por causa do BES demonstram a necessidade de os governos respeitarem os limites do défice e da dívida.

Numa ação de campanha do seu partido, a CDU, a chanceler aproveitou o alegado impacto do BES nos mercados financeiros a nível mundial para mandar uma mensagem a França e Itália, os países que mais tem reclamado “flexibilidade” nas regras do tratado orçamental europeu.

Reconhecendo que os legisladores criaram “muitas regras” para prevenir a repetição da crise, a chanceler defendeu, na cidade alemã de Jena, que se a Europa “se afastar agora dessas regras, por exemplo as do Pacto de Estabilidade e Crescimento, podemos rapidamente chegar a uma situação em que nos começamos a afundar”.

“O exemplo de um banco português mostrou-nos nos últimos dias quão rapidamente os chamados mercados ficam agitados, quão rapidamente a incerteza regressa e quão frágeis ainda são as fundações do euro”, afirmou, sem nunca referir diretamente o nome do BES.

Esta foi a resposta de Angela Merkel à defesa pública dos líderes da França e, em especial, da Itália, que têm reclamado mais flexibilidade na aplicação das regras para o défice e a dívida pública estipuladas no tratado orçamental.

Na quinta-feira, a negociação das ações do BES teve de ser suspensa numa altura em que caiam mais de 17% na Bolsa de Lisboa. As bolsas um pouco por toda a Europa, mas também nos EUA, sofreram quedas que muitos analistas relacionaram com a situação no banco português.

Esta sexta-feira, já depois do BES ter prestado informações ao mercado sobre a sua situação financeira e garantir que tinha capacidade para absorver eventuais perdas que possam derivar da sua exposição Às restantes empresas do Grupo Espírito Santo, três agências de rating fizeram cortes significativos na notação financeira que dão à dívida do banco.

As agências estão preocupadas com a falta de transparência e consideram possível que a exposição do BES ao GES seja maior que a divulgada até agora.