Realizou-se este sábado o primeiro encontro do orgulho gay no Uganda desde que uma polémica lei anti-homossexual foi revogada no passado dia 1 de agosto pelo tribunal constitucional do país. O evento ocorreu em Entebbe, uma cidade a 35 quilómetros da capital, Kampala, e contou com a participação de 200 pessoas, as quais só podiam aceder ao espaço com convite.

É a terceira vez que se realiza um evento de orgulho gay no Uganda, mas este, admitem os organizadores, tem um sabor especial. “Este evento serve para nos juntarmos. Toda a gente estava escondida por causa da lei anti-homossexual. É um dia feliz para todos nós”, comentou Sandra Ntebi, uma das responsáveis do certame, ao Guardian. O encontro contou com música, dança e a lembrança de que a luta dos homossexuais no Uganda ainda não acabou.

Em fevereiro deste ano, o presidente Yoweri Museveni aprovou uma lei que agravava severamente as penas para as práticas de homossexualidade, que no país é ilegal e pode originar pena de prisão. A lei agora revogada abria caminho à prisão perpétua de membros da comunidade LGBT e tornava obrigatória a denúncia de atos homossexuais às autoridades. A lei foi considerada inconstitucional no início deste mês por não ter sido aprovada por um número suficiente de deputados na assembleia nacional, em dezembro passado.

Apesar da revogação da lei, a homofobia no Uganda continua a crescer, segundo inquéritos recentes, o que leva Nicholas Opiyo, advogado que lutou contra a legislação, a dizer que “há um longo, longo caminho a percorrer”. “Isso é que é o mais assustador: a discriminação que não se vê, não é denunciada, não é escrita nas lojas onde vamos, nos centros de saúde onde vamos, nos autocarros que apanhamos ou na mota que levamos para a cidade. Isso quebra o espírito”, disse à revista Time. O governo ugandense apresentou um recurso da decisão judicial.

“Quem disse que Deus odeia os gays? Tempo perfeito”

Apesar das ameaças de que os homossexuais são frequentemente alvo no Uganda, a festa decorreu sem incidentes e a polícia no local era escassa, ao contrário do que sucedeu na primeira edição do evento de orgulho gay no país. “Alguns ugandenses são gays. Ultrapassem isso [get over itno original]”, lia-se num cartaz.