Enquanto o número de crianças com menos de 18 anos vai aumentar exponencialmente em África, os continentes asiáticos, europeu e a América Latina e Caraíbas verão o número de nascimentos descer até ao final do século, revela o relatório da UNICEF Geração 2030/Relatório sobre África, apresentado esta terça-feira em Joanesburgo, África do Sul. A América do Norte e a Oceânia terão crescimentos discretos no número de crianças durante os próximos 85 anos.

Atualmente mais de metade da população mundial e das crianças com menos de 18 anos vive na Ásia, mas esta tendência vai alterar-se ao longo do tempo e, no final do século, África terá a maior parte das crianças – 47%, contra 38% em África – e o continente asiático e africano vão somar 82% da população mundial.

Na Europa, embora o número de crianças com menos de 18 anos tenha aumentado um pouco entre 1950 e 1980, a tendência será para que continue a descer até ao final do século, sem com isso querer dizer que a população total diminua, pelo contrário, aumentará pelo menos até 2050, refletindo-se no envelhecimento da população. Tendência semelhante na América Latina.

Os aumentos constantes, mas ténues, no número de crianças com menos de 18 anos é acompanhado pelo aumento da população total na América do Norte e na Oceânia.

O número de bebés por cada mulher diminuirá ao longo do tempo de forma global. A queda será particularmente notória na América Latina e Ásia onde em 100 anos a fertilidade total diminui para um terço – de quase seis bebés por mãe em 1950-1955 para menos de dois em 2045-2050. Também África apresentará uma forte quebra de 6,6 bebés para 3,1. Só na Europa as previsões são menos dispares. Desde os anos de 1980 que, em média, o número de bebés por mulher não chega aos dois. De forma global as mulheres, em média, terão menos de dois filhos, excepto em África que a média supera os três.

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Em 2050 a Nigéria terá 10% dos nascimentos mundiais – © UNICEF/MLWB2012-01537/Nesbitt

Apesar de se prever que em 2050 40% de todas as crianças do mundo tenham nascido em África, a taxa de natalidade não é uniforme em todo o continente. A Nigéria detém o maior número de crianças com menos de 18 anos desde os anos 1950 e essa tendência vai manter-se até ao final do século – 10% dos nascimentos no mundo em 2050 vão ocorrer neste país. Em termos absolutos vão nascer na Nigéria, entre 2031 e 2050, 224 milhões de bebés.

Em África, as taxas de natalidade mais altas estão entre os países mais pobres. Só na República Democrática do Congo, as mulheres mais pobres têm mais 3,2 crianças – uma média de 7,4 crianças por mãe – do que as mulheres mais ricas. A tendência é semelhante noutros países. Os países com as fertilidades totais (crianças por mulher) mais altas são o Níger (7,5) e o Mali (6,8), que apesar de diminuírem até 2050, continuarão nos lugares de topo.