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Michel Platini

UEFA investiga violência no Sérvia-Albânia

Michel Platini, presidente da UEFA, disse que o futebol "não se deve misturar com política", após o Sérvia-Albânia ter sido interrompido devido a confrontos entre jogadores e adeptos. UE também reagiu

Os adeptos invadiram o relvado pouco depois do 40.º minuto do Sérvia-Albânia

GENT SHKULLAKU/AFP/Getty Images

Indesculpáveis. Foi assim, com uma palavra, que Michel Platini, o presidente da UEFA, reagiu ao drone, à invasão de campo e às cenas de pancadaria que, na terça-feira, obrigaram a quem o encontro entre a Sérvia e a Albânia fosse interrompido. “É suposto que o futebol una as pessoas e o jogo não se devia misturar com política”, lamentou o gaulês. E a entidade que gere o futebol europeu já estará a investigar os incidentes.

Pelo menos é isso que vários jornais têm avançado, citando fontes da UEFA. A partida, que se integrava na segunda jornada da fase de qualificação para o Europeu de 2016, foi interrompida aos 40 minutos — quando um drone sobrevoou o relvado, carregando uma bandeira da Albânia e um mapa intitulado de “A Grande Albânia”, onde estava desenhada a região separatista do Kosovo.

Stefan Mitrovic, defesa sérvio que está contratualmente ligado ao Benfica, agarrou a bandeira e retirou-a dos fios que a ligavam ao drone. Aí começou tudo. Jogadores albaneses e sérvio entraram em confrontos e quando Bekim Balaj, avançado da Albânia, tentava abandonar o relvado com a bandeira, um adepto sérvio entrou em campo e bateu-lhe com uma cadeira.

Assim que os futebolistas albaneses conseguiram entrar no túnel de acesso aos balneários, não mais de lá saíram — e Mike Atkinson, árbitro inglês, decidiu suspender o encontro. Agora, adianta o The Guardian, as federações de ambos os países têm até 23 de outubro para apresentarem à UEFA informações para a investigação que já decorre.

Uma vez terminada, a entidade deverá aplicar sanções às duas seleções: que poderão passar por multas, perda de pontos ou interdição de os seus adeptos entrarem no estádio durante algumas partidas oficiais. A UEFA poderá igualmente atribuir a vitória correspondente a este jogo à Sérvia ou à Albânia. Em outubro de 2010, por exemplo, os adeptos sérvios interromperam um encontro em Génova, entre a Itália e a Sérvia. Como castigo, a UEFA atribuiu a vitória nessa partida aos transalpinos (3-0).

Violência que chegou antes de uma visita histórica

Após o encontro, o ministro dos Negócios Estrangeiros sérvio, Ivica Dacic, culpou o irmão do primeiro-ministro albanês, Olsi Rama, de ter comandado o drone enquanto estava na zona VIP do estádio, a assistir à partida. “Era suposto ele estar aqui [no estádio do Partizan, em Belgrado, capital sérvia, onde se realizou o encontro] como um convidado. Isto dá ao evento uma dimensão política. Foi uma provocação”, criticou o dirigente sérvio, em declarações ao Blic, um diário do país.

A agência Reuters escreveu que Rama chegou a ser detido pelas autoridades sérvias, mas seria libertado pouco depois. Isto quando, para 22 de outubro, está agendada uma visita oficial do primeiro-ministro da Albânia a Belgrado, capital sérvia — a primeira desde 1946, quando o território ainda era governado por Enver Hoxha, homem que liderou o país entre 1944 e 1985. A Reuters, aliás, descreve esta visita como um esforço conjunto das duas nações de pacificar as relações e melhorar a imagem junto da União Europeia (UE).

Entidade que, esta quarta-feira, também reagiu aos incidentes ocorridos em Belgrado. “Estamos desapontados com a interrupção do jogo de ontem [terça-feira], seguindo-se a um ato de provocação”, disse Maja Kocijancic, uma porta-voz da Comissão Europeia (CE), acrescentando que as autoridades sérvias “demonstraram profissionalismo a lidar com a situação”.

A UE rejeitou ainda a sugestão de alguma imprensa sérvia, de que teria desempenhado um papel nos incidentes verificados no jogo de terça-feira. “A política não se guia por provocações em estádios e neste contexto salientamos a importância da cooperação regional e da visita programada do primeiro-ministro da Albânia, [Edi] Rama, à Sérvia, nos próximos dias”, sublinhou a porta-voz, citada pela agência Lusa.

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