O bunker que o ditador italiano Benito Mussolini mandou construir na adega da Villa Torlonia, em Roma, durante a Segunda Guerra Mundial, abre-se pela primeira vez a visitas guiadas a partir de 31 de outubro. Os outros dois abrigos, que abriram por pouco tempo em 2006 e que foram encerrados devido a problemas ambientais, também deverão reabrir na mesma data, após anos de restauro.

“Um corredor longo e estreito, com uma entrada confusa entre ervas daninhas e árvores. No interior, um par de nichos onde se podem ver um escritório, uma cama, um WC e um telefone para comunicar com o exterior. Mas também um sofisticado sistema de ventilação e filtragem, capaz de garantir oxigénio para 15 pessoas durante três a seis horas, mais portas antigás”. A descrição é do Corriere Della Sera, um dos vários meios de comunicação que visitaram este fim de semana o bunker.

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©Federica Di Majo

Construído em 1940 sob a casa e o jardim da Villa Torlonia, onde Mussolini vivia com a família, foi o primeiro a ganhar forma, mas não reunia as condições e o conforto que “Il Duce” exigia. À medida que os bombardeamentos aliados se tornavam mais frequentes e intensos, o ditador mandou construir o terceiro bunker, entre 1942 e 1943. Os três vão receber visitas guiadas em grupo (máximo de 15 pessoas, a sete euros a entrada). Os visitantes terão à disposição uma sala multimédia com fotografias, documentos e painéis, muitos mostrados ao público pela primeira vez, para que possam compreender a história do local.

O terceiro abrigo nunca chegou a ser terminado porque, a 25 de julho de 1943, Mussolini foi destituído do Governo (onde estava desde 1922) e preso. Ficaram a faltar as portas blindadas, a cobertura externa do poço e um sistema de ventilação, por exemplo. Se tivesse sido concluído, “teria sido o bunker italiano com o maior grau de resistência dedicada à proteção de uma única personalidade”, pode ler-se na página oficial da Câmara Municipal de Roma.

Benito Mussolini foi executado a 28 de abril de 1945. O bunker resistiu ao tempo, o objetivo agora é fazer perdurar o “testemunho de uma das páginas mais negras da história do país e da sua capital”, refere a página da Câmara de Roma. Para que não se volte a repetir.

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©Federica Di Majo

É também na Villa Torlonia que vai começar a ser construído, a partir de janeiro de 2015, o Museu Shoah, dedicado ao Holocausto.