“Seis anos depois do colapso financeiro que colocou o mundo de joelhos, estão novamente a piscar luzes de emergência no painel de instrumentos da economia global”, afirma David Cameron em artigo de opinião publicado no The Guardian no rescaldo da reunião do G20. O primeiro-ministro britânico junta a sua às vozes que nos últimos dias lançaram alertas relacionados com os sinais de desaceleração de algumas das maiores economias mundiais.

O chefe do governo britânico saiu do encontro do Grupo dos 20 (G20) preocupado com o “panorama perigoso de instabilidade e incerteza“, que representa um risco real para a recuperação económica no Reino Unido.

A zona euro está à beira de uma possível terceira recessão, com desemprego elevado, crescimento em queda e, também, o risco real de descida nos preços [ou seja, deflação]”, avisa David Cameron. Por outro lado, “as economias emergentes, que eram um motor de crescimento no início da retoma, estão agora a abrandar”. Assim, “apesar dos progressos no Bali [onde houve negociações para o comércio em 2013], as negociações globais relacionadas com o comércio diminuíram. A epidemia do ébola, o conflito no Médio Oriente e as ações ilegais da Rússia na Ucrânia estão a aumentar o panorama perigoso de instabilidade e incerteza”, assinala o responsável.

Apesar de particularmente preocupado com os impactos negativos para a economia do Reino Unido – que, “em contraste, está a crescer” – David Cameron manifestou uma posição semelhante à mostrada por Christine Lagarde, líder do FMI, que alertou para o perigo de uma situação de dívida elevada, crescimento baixo e desemprego poder tornar-se a “nova normalidade” na Europa.

Os países que compõem o G20 reuniram-se neste fim-de-semana em Brisbane, na Austrália, e chegaram a acordo para um esforço coletivo para estimular as suas economias num total de dois biliões de dólares até 2018, o que segundo a análise do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) resultaria num crescimento das economias num adicional de 2,1%.