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Arte

João Vaz edita disco gravado no órgão setecentista de S. Vicente de Fora

O novo álbum de João Vaz, gravado há sete anos no órgão de S. Vicente de Fora, em Lisboa, que inclui peças de compositores portugueses do século XVI ao XVIII, é editado esta semana.

O único compositor do século XVI escolhido é António Carreira (1520-?1597), de quem João Vaz interpreta as fantasias em Ré e em Lá-Ré. O rol de compositores inclui, entre outros, Carlos Seixas (1704-1742) e Manuel Rodrigues Coelho (1555-1645). Do primeiro, oferece as Sonatas para órgão em Sol Maior, em lá menor e em dó menor, e ainda “Moderato in tempo de siciliano” e “Minuet” e, do segundo, Kyrios de 1.º tom (cinco versos) e Segundo Tento de 2.º Tom.

João Vaz gravou também peças de Diogo da Conceição, Pedro Araújo, Pedro de San Lorenzo, dos frades Jacinto do Sacramento e Francisco de S. Boaventura e ainda, de um compositor anónimo do século XVIII, a Sonata em Dó Maior.

O órgão da igreja de S. Vicente de Fora, no qual João Vaz gravou, foi construído em 1765 por João Fontanes. Segundo o organista, “tem a vantagem de se encontrar em estado quase original, tendo sofrido uma intervenção de restauro de pouca monta em finais do século, e novamente no século seguinte, em 1956/57 e 1977”.

Ainda no século XX, explicou o músico, “em 1994, por ocasião da Capital Europeia da Cultura”, foi feito o restauro completo do órgão, altura em que foi desmontado e reposto com materiais originais.

Segundo João Vaz, este é “um dos mais importantes e representativos instrumentos barrocos portugueses”. Como explicou, o órgão “possui duas secções independentes, órgão principal e órgão de eco, a que correspondem dois teclados manuais de 47 teclas”.

João Vaz estudou em Lisboa, com Antoine Sibertin-Blanc, e em Saragoça, com José Luis González Uriol, e frequentou cursos orientados por Édouard Souberbielle e Joaquim Simões da Hora. Licencaido em arquitetura, é doutorado em Música e Musicologia, com uma tese sobre música portuguesa para órgão do final do século XVIII, pela Universidade de Évora.

Autor de vários artigos sobre música portuguesa para órgão, Vaz foi consultor em diversos restauros de órgãos, nomeadamente dos seis órgãos da Basílica do Palácio-Convento de Mafra. É professor na Escola Superior de Música de Lisboa e dirige o Festival de Órgão da Madeira, assim como as séries de concertos em Mafra e no órgão histórico da Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa, de que é organista titular desde 1997. Recentemente, João Vaz realizou recitais em Itália, Áustria, Espanha e Alemanha.

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