Rádio Observador

Comissão de Inquérito BES

O mistério da provisão que não foi feita para as perdas do BES Angola

Auditora KPMG não pediu provisão em 2012 devido a problemas informáticos. Em 2013, o estado angolano deu uma garantia. Em 2014, Angola retirou o aval e isso fez subir os custos da resolução do BES.

Angola retirou a garantia depois da resolução aplicada ao BES

ISSOUF SANOGO

A demora no reconhecimento das perdas com a participada angolana nas contas do Banco Espírito Santo (BES) é um dos temas centrais na audição do presidente da KPMG Portugal na comissão parlamentar de inquérito aos atos de gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

Sikandar Sattar, escutado nesta terça-feira, justificou a opção da KPMG de não recomendar a constituição de uma provisão no BES nas contas de 2013 com a concessão de uma garantia do estado angolano equivalente a 4,3 mil milhões de euros para responder ao elevado risco de incumprimento dos clientes do BESA. Estes créditos tinham sido concedidos com base no financiamento avançado pela casa-mãe, o Banco Espírito Santo.

Esta garantia soberana só foi dada em novembro de 2013 e foi considerada válida pelo Banco de Portugal, não obstante o supervisor ter entretanto decidido que o aval de Luanda não contaria para o cálculo dos rácios financeiros do BES.

A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, quis saber porque não foi constituída uma garantia antes de 2013, uma vez que a situação de grandes volumes de crédito mal parado tinha sido já detetada em 2012 nas contas do BESA que eram auditadas pela KPMG Angola.

Presidente da KPMG Portugal é presidente da KPMG Angola

Sikander Sattar respondeu que o reporte então feito pela auditora do BESA apontava para a existência de limitações operacionais, sobretudo a nível de sistema informático, que não permitiam saber a dimensão de eventuais perdas. Só em 2013, acrescenta, foi feita a reavaliação das hipotecas dadas como garantia a esses créditos centrados no setor imobiliário, que levou à concessão da garantia pessoal de Luanda negociada diretamente entre Ricardo Salgado e o presidente angolano.

Mas quando o PS voltou a questionar as razões por trás desta garantia, Sikander Sattar invocou sigilo profissional relacionado com a legislação angolana, o que levou o deputado João Galamba a pedir a audição do presidente da KPMG Angola que também é Sikander Sattar.

Resolução do BES ficou mais cara por causa de Angola

A garantia soberana de Angola ainda “salvou” o BES de uma situação de incumprimento de rácios de capital durante alguns meses. Mesmo os prejuízos colossais do primeiro semestre não reconheciam perdas potenciais relacionadas com esta situação. As necessidades mínimas de capital, que então seriam de 1,5 a 1,6 mil milhões de euros, disparam num cenário de reconhecimento das perdas relativas a Angola e aproximam-se do valor da recapitalização feita na resolução do banco, 4900 milhões de euros.

Só depois de decidida a resolução do BES é que Angola revogou a garantia e as perdas foram assumidas na sua totalidade pelo banco mau, pesando no custo da solução. O crédito concedido pelo BES à filial angolana foi transferido para o Novo Banco a preço zero. O Novo Banco ficará com todo o crédito for recuperado. O BESA entretanto já foi recapitalizado com novos acionistas angolanos, à revelia do BES.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: asuspiro@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)