Foi a primeira vez, dizem, que aconteceu: os EUA responderem com sanções a um ataque informático. Aconteceu na sexta-feira, quando Barack Obama, presidente norte-americano, falou para confirmar que o país ia aplicar castigos à Coreia do Norte — pelas suspeitas indicarem que fora a nação asiática, liderada por Kim Jong-Un, a roubar informação à Sony Pictures Entertainment. O país sempre negou tal hipótese. E agora decidiu responder às sanções, que considera “repugnantes” e hostis.

A reação surgiu através da KCNA, a agência de notícias estatal da Coreia do Norte. “A política persistentemente perseguida pelos EUA para sufocar a República Democrática Popular da Coreia para, sem fundamento, lhe atirar sangue, só iria endurecer a vontade em defender a soberania do país”, lê-se, num comunicado, atribuído a um porta-voz do Ministério dos Assuntos Externos e citado pela BBC.

O ataque informático à Sony, ocorrido a 22 de novembro, divulgou publicamente dezenas de emails e registos de conversas entre funcionários da empresa. Em dezembro, o Federal Bureau of Investigation (FBI), agências de serviços secretos norte-americanos, depositou a autoria do ataque na Coreia do Norte. Em causa, alegadamente, estava o filme “The Interview”, protagonizado pelos atores James Franco e Seth Rogen, uma comédia que relata uma suposta tentativa de assassinato ao líder norte-coreano.

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Daí as sanções que Barack Obama anunciou na sexta-feira. “A persistente e unilateral ação tomada pela Casa Branca para bater com sanções prova que ainda não está longe da repugnância e hostilidade para com a Coreia do Norte”, defende o país. Os castigos revelados pela administração norte-americana visaram seis entidades da nação asiática — que não estão necessariamente ligados às suspeitas envoltas no ataque informático.

Os alvos das sanções dos EUA, de acordo com a BBC:

– O líder do Departamento de Reconhecimento, a agência de espionagem da Coreia do Norte
– A Corporação Mineira de Comércio e Desenvolvimento (Komid, na sigla inglesa)), o principal fabricante de armas do país.
– A Corporação de Comércio de Tangun, que os EUA acreditam ser o maior suporte da investigação.
– Jang Song Chol, que os norte-americanos acreditam ser o representante do governo norte-coreano na Rússia.
– Kim Yong Chol, outro representante do governo, e da Komid, no Irão.
– Ryu Jin e Kang Ryong, outros dois representantes da Coreia do Norte, mas no Irão.