O presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), Klaus Regling, admitiu hoje estar preocupado com as eleições na Grécia e defendeu que as reformas feitas pelo país devem continuar, “não para agradar”, mas pelos impactos que podem ter. “Claro que estamos todos preocupados com as eleições na Grécia”, disse Klaus Regling em Lisboa, embora recusando especular sobre o resultado das legislativas gregas, marcadas para 25 de janeiro, e que podem dar a vitória ao partido de esquerda Syriza.

“Acho que devemos esperar para ver o que acontece”, afirmou durante uma conferência promovida pelo jornal Diário Económico, preferindo salientar o progresso feito pelo país.

O presidente do MEE considerou que a Grécia “percorreu um longo caminho” com as reformas estruturais implementadas, principalmente a nível orçamental, e salientou que o país está no ‘top’ dos países que mais reformas implementaram nos últimos anos, recordando indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). “Não significa que tudo esteja bem, mas se continuar o processo de reformas, a Grécia pode ter a maior taxa de crescimento potencial da Europa” nos próximos anos, defendeu. Nesse sentido, Klaus Regling disse que “as reformas devem continuar” no país, independentemente do resultado eleitoral, “não para agradar”, mas pelos “sinais positivos do ajustamento”, como a descida do desemprego.

A duas semanas das eleições legislativas na Grécia, as sondagens dão a vitória ao partido de esquerda Syriza face aos conservadores da Nova Democracia, atualmente no poder, mas a diferença é curta, oscilando entre os 2% e os 4%.

Apesar de o Syriza ter reafirmado que não tenciona abandonar o euro e que manterá a negociação, ainda que “dura”, com os parceiros europeus, a hipótese de uma possível saída da Grécia da zona euro reapareceu, alimentada pelo Governo conservador e a partir de diversas capitais europeias, sobretudo, Berlim. O presidente do MEE disse preferir “esperar para ver” os resultados das eleições, considerando que por vezes os partidos da oposição “ficam mais moderados” quando chegam ao poder e admitindo que Berlim altere a sua visão sobre uma vitória do Syriza nas eleições gregas.