O Governo dos Estados Unidos manifestou o seu desagrado após o anúncio do convite feito pelos republicanos ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para discursar no congresso norte-americano.

O presidente da câmara dos representantes, o republicano John Boehner, anunciou esta quarta-feira que Benjamin Netanyahu foi convidado, pela terceira vez, para discursar perante as duas câmaras do congresso norte-americano no dia 11 de fevereiro.

A Casa Branca só foi informada pouco antes do anúncio do convite feito pelos republicanos ao responsável israelita.

“Este evento em particular parece quebrar o protocolo padrão”, disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, referindo que o dirigente de um país deve contactar o líder da outra nação para onde vai viajar.

“Os israelitas não nos informaram de todo sobre esta viagem”, acrescentou Earnest.

Os dois dirigentes, o Presidente Barack Obama e Benjamin Netanyahu, conversaram por telefone no dia 12 de janeiro.

O convite dos republicanos — que detêm a maioria dos representantes nas duas câmaras – parece ser efetivamente um gesto de desafio ao democrata Obama.

Além do incidente protocolar, a visita do primeiro-ministro israelita arrisca-se a ser interpretada como uma ingerência estrangeira no debate norte-americano sobre a questão nuclear no Irão, que é um dos maiores inimigos de Israel.

Muitos dos parlamentares norte-americanos são favoráveis à adoção preventiva de sanções contra o Irão, com o objetivo de forçar os iranianos a assinar antes de 01 de julho o acordo sobre a utilização da energia nuclear no país.

Barack Obama não quer comprometer o seu poder de negociação e prometeu vetar esta legislação.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, tentou minimizar o incidente e os desacordos sobre o ‘dossier’ iraniano.

“Não há diferença entre nós sobre o objetivo (do acordo nuclear com o Irão)”, disse o chefe da diplomacia norte-americana aos jornalistas.

“Temos diferenças em termos de tática sobre como chegar a este objetivo. Mas estamos determinados a não deixar o Irão obter armas nucleares”, concluiu Kerry.