Os mercados tremeram com os primeiros anúncios de medidas anti-austeridade feitos ontem pelo novo Governo grego liderado por Alexis Tsipras. Mas o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, não tem dúvidas: “um perdão da dívida grega está fora de questão, principalmente porque os outros países da zona euro não o iriam aceitar”, afirmou em entrevista ao jornal francês Le Figaro. Para Juncker, o “respeito” tem de ser mutuo. A Europa respeita a “escolha democrática” do povo grego, desde que essa escolha não vá contra os tratados europeus.

Uma renegociação, nos moldes certos, no entanto, não é completamente afastada de cima da mesa. Mostrando-se disponível para o diálogo, Juncker confessou que a conversa telefónica que teve com Alexis Tsipras no rescaldo das eleições teve bons indicadores disso mesmo. “Ele disse-me que não representava uma ameaça para a Europa mas sim um desafio. Ao que eu respondi que a Europa também não é uma ameaça para a Grécia, mas um desafio”, disse. O tom está afinado, mas o ponto de partida, diz, tem de ser sempre os compromissos assinados “em comum acordo” entre a Grécia e a União Europeia.

Garantindo que “respeita” o resultado das eleições helénicas, o líder do Executivo comunitário sublinhou que a Grécia “tem igualmente de respeitar os outros, as opiniões do resto da Europa” e recusou partilhar a visão do novo Governo de que “haverá um mundo novo depois das eleições de domingo”. “As negociações são possíveis, mas não vão alterar radicalmente aquilo que está em curso”, disse ao Figaro. Ou seja, dialogar sim, mas pouco.

Nesta lógica, Juncker garantiu que a zona euro não irá continuar a emprestar dinheiro a Atenas se Atenas não cumprir as suas obrigações. Querendo evitar conflitos maiores dentro do espaço europeu, o presidente da Comissão espera que a nova Grécia tenha uma postura “construtiva” no debate. O objetivo, agora que um dos Estados-membros é liderado por um Governo totalmente anti-austeridade, é arbitrar bem o jogo e evitar “uma rutura destrutiva” entre a Grécia e os seus parceiros.

Mas questão tem de ser gerida com pinças. “Alexis Tsipras garante que a Grécia não vai aceitar mais austeridade. Os países do euro respondem que não emprestam mais dinheiro à Grécia se não cumprir os seus compromissos”, explicou Juncker. “Desafio” é a palavra de ordem.

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