O brasileiro que denunciou às autoridades brasileiras suspeitas de corrupção que deram origem ao caso “Lava Jato” diz, em entrevista ao Público, que tentaram que fosse correio de dinheiro entre uma dependência do BES no Porto e o Brasil. O denunciante do maior caso de corrupção no Brasil diz que contou às autoridades brasileiras como era utilizado o banco português no esquema de lavagem de dinheiro.

Hermes Freitas Magnus é o nome do homem que é testemunha-chave do caso “Lava Jato”, que decorre no Brasil e que levou à prisão de vários empresários brasileiros. A operação começou no ano passado e tem como objetivo apurar um esquema de lavagem e de desvio de dinheiro da petrolífera brasileira Petrobras, que pode ascender aos dez mil milhões de reais.

Agora, o homem que deu origem ao caso associa o Banco Espírito Santo no esquema:

“Queriam que eu levasse para o Brasil dinheiro de contas do BES, no Porto. As contas eram dele [José Janene, político do Paraná suspeito de corrupção], para lavar dinheiro em Portugal, mas ouvi dizer que estavam associadas a sociedades off-shore”, diz em entrevista ao jornal.

Hermes Magnus, que vive fora do Brasil desde que denunciou o caso por razões de segurança, conta que há um elo de ligação entre um dos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras e o BES: José Janene, político do Paraná. Diz Hermes que Janene “tinha dinheiro aqui no BES”, que servia para ser “lavado” e regressar ao Brasil.

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O denunciante do caso conta que rejeitou servir de correio entre Portugal e o Brasil e que quem o substituiu na tarefa foi detido num aeroporto brasileiro com 600 mil euros escondidos na roupa interior.

O caso começou com uma denúncia de Hermes, ainda em 2008, quando um dos envolvidos no caso propôs sociedade à empresa Dunel, detida por Hermes. O empresário não quis entrar no esquema e desde então que denuncia políticos e empresários envolvidos.

Para que a opinião pública entendesse o caso e fosse acompanhando as denúncias públicas e os envolvidos, o Ministério Público Federal do Brasil criou um site onde compila toda a informação. Logo a abrir, há uma explicação de como funcionava o esquema de corrupção.

“O nome do caso, ‘Lava Jato’, decorre do uso de uma rede de postos de combustíveis e lava a jato de automóveis para movimentar recursos ilícitos pertencentes a uma das organizações criminosas inicialmente investigadas”, lê-se no site. É a própria justiça brasileira que considera a operação “Lava Jato” a “maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve”. O impacto do esquema vai além dos milhares de milhões de reais desviados da Petrobras. É importante também, escreve o Ministério Público Federal, pela “expressão económica e política dos suspeitos de participar do esquema de corrupção que envolve a companhia”.