A Comissão Europeia está mais otimista para o crescimento económico na zona euro em 2015, revendo em alta a sua previsão para a evolução do produto interno bruto (PIB) de 1,1% para 1,3%. As duas maiores economias do bloco, Alemanha e França, devem crescer mais, mesmo com uma assumida previsão de queda nos preços. Pela primeira vez desde o início da crise, em 2008, todos os países da União Europeia vão crescer.

As notícias são positivas, mas não há razões para grandes alaridos, diz a Comissão Europeia. O crescimento vai ser melhor, mas vai continuar em níveis fracos. A razão, explica Bruxelas, é em parte explicada porque a normal recuperação após uma crise financeira é prolongada, mas também por razões específicas do bloco.

Bruxelas diz que as economias da zona euro já tinham vários problemas estruturais e esses problemas ainda não foram resolvidos. Para isso, os países da zona euro têm de fazer reformas estruturais. Alguns já o estão a fazer, mas para a Comissão, “o trabalho está longe de estar terminado”.

A previsão de crescimento é melhorada desde logo devido à queda pronunciada dos preços do petróleo. Grande parte dos países da zona euro está muito dependente de petróleo importado e, como tal, a queda abrupta dos preços para níveis historicamente baixos veio dar uma folga às contas públicas, das famílias e das empresas em toda a zona euro.

A queda do valor do euro também dará uma ajuda às exportações do bloco, numa altura em que o comércio externo está a melhorar. Outro dos fatores é o programa abrangente de compra de dívida anunciado pelo Banco Central Europeu e que deve avançar já a partir de março. A Comissão Europeia considera que esta medida pode vir a dar uma folga considerável e capacidade aos bancos para emprestarem mais entre si e às economias, promovendo assim o crescimento económico.

Menos austeridade, mais crescimento

Durante a apresentação do Boletim Económico de Inverno, o comissário europeu dos Assuntos económicos, Pierre Moscovici, disse que a política orçamental vai ser menos restritiva na zona euro. O resultado será também um aumento da dívida pública, ainda que abaixo da previsão anterior.

No final de 2015, a dívida pública na zona euro será em média 94,4%. Portugal, com uma dívida pública equivalente a 124,5% do PIB, terá a terceira mais elevada entre os 28 países da União Europeia. Só a Grécia (170,2%) e a Itália (133%) deverão ter uma dívida maior.

Maiores economias crescem mais

As duas maiores economias da zona euro, Alemanha e França, devem crescer mais que o esperado. A previsão de crescimento da Alemanha foi revista em alta de 1,1% para 1,5% do PIB, enquanto a da França subiu de 0,7% para 1%. Já a Itália não vê melhorias (mantém-se nos 0,6%).

Entre os países da zona euro que tiveram resgates (ou que ainda têm), a Irlanda é claramente a que está melhor, com uma previsão de crescimento robusta de 3,5%. Ainda assim, esta representa uma revisão em baixa de uma décima, tanto em 2015 como em 2016. Portugal vê melhorada a previsão para valores até acima dos esperados pelo Governo, depois de uma previsão em novembro de 1,3%, agora a Comissão espera que atinja 1,6%.

A previsão para a Grécia foi revista em baixa e, com a situação em constante evolução, será difícil prever o resultado final. As previsões, que só levam em conta dados anteriores a 23 de janeiro, antes das eleições realizadas na Grécia, ainda assim baixaram de 2,9% para 2,5% o crescimento para este ano. A previsão de crescimento de Chipre mantém-se nos 0,4%.

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