O cessar-fogo na Ucrânia entrou em vigor às 00:00 locais (22:00 de Lisboa), após um dia marcado por fortes combates que fizeram mais 18 mortos, a juntar aos 5.500 registados em dez meses de guerra.

Os combates intensificaram-se este sábado em torno da cidade estratégica ucraniana de Debaltseve, enquanto Moscovo e os separatistas pró-russos davam a entender que ela não será abrangida pelo cessar-fogo que agora se inicia.

Com crescente preocupação, o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, debateu a situação em Debaltseve com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, depois de ter abordado o assunto com o Presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, patronos do acordo de paz concluído na quinta-feira em Minsk para pôr termo ao conflito em curso desde abril de 2014.

Os dirigentes ucraniano e norte-americano acordaram “coordenar os seus esforços em caso de escalada do conflito”, indicou a Presidência ucraniana em comunicado.

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“Não há uma palavra sobre Debaltseve nos acordos de Minsk” assinados na quinta-feira e que preveem a instauração de um novo cessar-fogo, disse este sábado o dirigente da autoproclamada República de Donetsk, Alexander Zakhartshenko, citado pelo ‘site’ oficial separatista.

Kiev reagiu imediatamente, condenando “as tentativas da Rússia e dos terroristas que ela controla para sabotarem o cessar-fogo”.

O chefe de Estado russo, Vladimir Putin, tratou logo de apaziguar os ânimos, declarando, numa conversa por telefone com Hollande e Merkel, o seu empenho em que o cessar-fogo seja respeitado, indicou hoje à noite o Eliseu.

Os três líderes “reafirmaram, Vladimir Putin em particular, a necessidade de o cessar-fogo previsto para a meia-noite (hora ucraniana) ser efetivo. O próprio Putin disse que os rebeldes estão preparados para o cessar-fogo”, segundo a Presidência francesa.

Putin, Poroshenko, Hollande e Merkel realizarão no domingo uma reunião para “uma primeira avaliação” sobre a aplicação do cessar-fogo na Ucrânia.

Após as conversas telefónicas deste sábado entre Hollande, Merkel e Poroshenko e, depois, entre Hollande, Merkel e Putin, os quatro dirigentes “voltarão a falar no domingo durante o dia para fazer uma primeira avaliação sobre a aplicação do cessar-fogo”, indicou o Eliseu.

Os líderes das sete maiores potências económicas do mundo (G7 — Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos) instaram igualmente ao “estrito respeito” dos acordos e declararam-se “prontos para adotar” sanções a quem violar o cessar-fogo.