“O que levarias para uma ilha deserta?” Partindo da premissa de que só podemos escolher um objeto, eu responderia, sem hesitar, que levaria um livro de cozinha. Claro que sendo a ilha deserta, provavelmente não iria pôr nenhuma receita do livro em prática. Mas o que eu mais gosto num livro de cozinha é de o folhear, de o ler como se de um romance se tratasse, de me perder nas imagens, de recriar mentalmente aquelas combinações. Ao mesmo tempo, rezaria para que na ilha houvesse pelo menos… limões. E sabemos o que fazer quando a vida nos dá limões, certo?

Com sorte encontraria umas garrafas perdidas de rum de um qualquer naufrágio de piratas e, para além de limonada, faria mojitos, que me ajudariam a esquecer o exílio. Sim, porque na ilha haveria também cana-de-açúcar ou arbustos de stevia e, devido às circunstâncias, nenhum cubano se importaria que eu trocasse a lima por limão.

E se na ilha houvesse ainda framboesas? E se por algum milagre operado pelo santo padroeiro dos náufragos encontrasse um saco de farinha, uma galinha poedeira e uma vaca generosa, a partir de cujo leite pudesse fazer queijo e manteiga? Sonhar não custa, pois não? Nesse caso, nem precisava do livro de cozinha: a receita perfeita seriam estas tartes. Leves e delicadas, a implorarem de mansinho que a primavera não demore a chegar.

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Minitartes de limão e framboesa

Para cerca de 10 pessoas

Para a massa:
100 g de farinha de trigo sem fermento (T55)
25 g de miolo de amêndoa com pele moído
60 g de manteiga ou margarina fria
1 ovo pequeno
1 colher de chá de açúcar em pó

Para o recheio:
150 g de coalhada de limão*
160 g de queijo mascarpone
20 g de açúcar em pó
1 colher de café de extrato de baunilha
30 framboesas frescas
Folhinhas de hortelã e açúcar em pó para decorar

*Coalhada de limão:
50 ml de sumo de limão
1 ovo L
75 g de açúcar
30 g de manteiga
1 colher de sobremesa de raspas de limão

Comece por preparar a coalhada de limão (lemon curd, em inglês; se sobrar, use como compota em scones, por exemplo; dura cerca de 15 dias guardada num frasco hermético no frigorífico).
Num tachinho de fundo espesso junte os ovos ao açúcar, mexa bem e junte o sumo de limão, unindo tudo muito bem. Leve ao lume médio, médio-alto, sem deixar ferver, mexendo sempre com um batedor de varas. Deve demorar uns 10-15 minutos a ficar cremoso. Retire do lume e junte a manteiga em pedaços e a raspa de limão. Mexa bem até a manteiga estar derretida, passe para um frasco limpo e deixe arrefecer.

Entretanto prepare a massa: numa taça grande coloque todos os ingredientes, amasse com as mãos até obter uma massa uniforme e moldável. Polvilhe as mãos com farinha, se necessário, molde numa bola, envolva em película aderente e leve ao frio cerca de 30 minutos. Retire, estique a massa numa superfície enfarinhada com um rolo de cozinha e forre as formas (neste caso, formas de ‘sidónios’). Apare a massa, deixando um rebordo a toda a volta. Coloque um pedaço de papel vegetal por cima da massa, encha de feijões ou pesos próprios de pastelaria e leve ao frigorífico cerca de 15 minutos. Entretanto ligue o forno nos 180º.

Retire as minitartes do frio e leve-as a cozer no nível médio do forno. Após cerca de 15 minutos, retire o papel vegetal e os pesos, e deixe cozer mais cerca de 10 minutos, se possível baixando um nível do forno (para ficarem bem cozidas por baixo). Retire e deixe arrefecer completamente.
Pouco tempo antes de servir, junte o açúcar em pó e a baunilha ao mascarpone.
Coloque uma camada de mascarpone em cada tarte, seguido da coalhada. Disponha as framboesas e termine com as folhas de hortelã e o açúcar em pó. Sirva de seguida.

Teresa Rebelo é autora do blogue Lume Brando.