O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, admite “suspender ou atrasar a implementação das promessas [eleitorais]” ao longo dos “próximos meses“, enquanto a Grécia negoceia com as instituições credoras o pacote de reformas com que o país espera concluir o segundo programa de assistência. E porquê “suspender” as promessas eleitorais? “Fazemo-lo no contexto da construção do ambiente de confiança com nossos parceiros”, explica o grego.

Citado pela agência Reuters, Yanis Varoufakis mostrou-se confiante de que Atenas poderá chegar a um acordo com os parceiros antes de 20 de abril, respeitando o prazo para negociar com os credores as medidas necessárias para desbloquear a assistência financeira ao país.

“Temos condições para concluir a revisão [das medidas] imposta pelo acordo obtido a 20 de fevereiro [com o Eurogrupo]”, disse Varoufakis aos jornalistas, à margem de uma conferência no norte de Itália. “Temos um compromisso, todos nós, para chegar a um acordo antes de 20 de abril”, acrescentou o ministro das Finanças da Grécia.

Varoufakis quer um acordo. “E se isso significar que, nos próximos meses enquanto tivermos negociações, podemos suspender ou atrasar a implementação das nossas promessas [eleitorais], devemos fazer precisamente isso no contexto da construção do ambiente de confiança com os nossos parceiros”.

O Syriza venceu as eleições de 25 de janeiro prometendo “acabar com a austeridade” no país e renegociar as condições associadas ao programa de assistência sob o qual o país está desde 2012 (o segundo resgate). A quinta e última avaliação do segundo resgate está suspensa e a tranche financeira (de 7,2 mil milhões de euros) está bloqueada, depois de ter sido acordada uma extensão do acordo por quatro meses.

“Ajudaria muito que o BCE mostrasse flexibilidade”

Com os cofres do Estado praticamente vazios e o setor financeiro sob enorme pressão, Varoufakis vê-se sem alternativas para evitar que a Grécia incumpra com pagamentos de dívida pública, algo que o grego voltou a garantir que não acontecerá.

O Banco Central Europeu (BCE) não aceita que os bancos gregos continuem a aumentar a exposição à dívida pública (não aumentando o limite destes títulos que os bancos podem apresentar como garantia). Mas Varoufakis pede que o BCE aumente esse limite, tal como fez em 2012 a pedido do anterior primeiro-ministro, Antonis Samaras. O BCE não tem mostrado intenção de o fazer porque não vê sinais suficientemente fortes de que o governo está empenhado no cumprimento do acordo com os parceiros europeus.

Varoufakis diz que “vivemos uma situação parecida [com a de 2012, com Samaras], e ajudaria muito que o BCE mostrasse o mesmo tipo de flexibilidade hoje, tendo em conta que o governo está muito comprometido com o lançamento do processo que levará à aplicação do acordo obtido a 20 de fevereiro”.